Aparando as arestas da pedra fundamental.

Ir.’. Everaldo

Um pouco antes da morte de Frederick, muitos irlandeses tinham chegado à Inglaterra, a maioria era maçom e enfrentava dificuldades para entrar nas lojas inglesas. Havia certa rusga entre Grande Loja da Inglaterra e as Grandes Lojas da Irlanda e Escócia. Maçons irlandeses e escoceses trabalhando na Inglaterra acusavam a Grande Loja Inglesa de não seguir as práticas outorgadas pela Carta de York de 926dC. Não tendo respaldo, esses maçons estrangeiros acabaram entrando em lojas inglesas não-filiadas a Grande Loja, ou seja: as “independentes”.

No dia 17 de julho de 1751, representantes de cinco dessas lojas independentes se juntaram na Taverna Cabeça do Turco, em Soho, e fundaram a “Grande Loja dos Livres e Aceitos Maçons da Inglaterra de Acordo com as Antigas Instituições” – trocando em miúdos: a Antiga Grande Loja da Inglaterra, cujos membros foram depois chamados de Maçons de Atholl, pois teve como grão-mestre John Murray, o 3° deque de Atholl.

Os Maçons de Atholl, convencidos de que praticavam a mais pura e antiga maçonaria, se intitularam de “Antigos”, e apelidaram os membros da Grande Loja de “Modernos”.

A divisão entre as duas partes gerou polêmica por anos seguidos. Tanto que Benjamim Franklin, membro da Grande Loja da Filadélfia(EUA), ao voltar de uma missão na França em 1785 (onde esteve negociando uma missão militar importante: Tratado de Paris em 1783), soube com surpresa que sua Loja tinha mudado o nome para “Antiga Grande Loja”. Franklin, nascido em Boston em 17 de janeiro de 1706, jornalista, editor, autor, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor, foi iniciado em fevereiro de 1730 na Loja Saint John na Filadélfia; tornou-se grão-mestre em 24 de junho de 1734, e grão-mestre provinciano em Boston em 10 de junho de 1749; foi grão-mestre-provinciano na Filadélfia em junho de 1760; grão-mestre-delegado em 13 de março de 1750 da Grande Loja da Pensilvânia; e segundo venerável-mestre (1779-80, 1782) da Loja das Nove Irmãs (La Loge des Neufs Soeurs) em Paris, da qual fizeram parte Voltaire (cujo nome era François-Marie Arouet) e Danton. Morreu na Filadélfia em 17 de abril de 1790.

O tempo é o Mestre da Paciência.

Mesmo com tais deferenças, as duas Grandes Lojas co-existiram na Inglaterra e também fora dela por 63 anos, mas uma não reconhecia os filiados da outra como sendo maçons regulares. Portanto, havia membros atuando em ambas as Grandes Lojas.

Tanto os Antigos quanto os Modernos tiveram lojas filiais pelo mundo todo. Talvez por isso haja certa variedade nos rituais.

Arestas aparadas e polidas

Após a Revolução Francesa (1799) vários Atos de Parlamento inglês eram elaborados visando restringir a atuação de sindicatos, clubes políticos e outras organizações “subversivas”. Num desses, o ato “Sociedades Ilegais” de 1799 proibia reuniões de grupos que exigiam de seus membros juramentos ou obrigações. Para dar um fim nisso, o conde de Moira (grão-mestre interino da Grande Loja da Inglaterra) e o duque de Atholl (grão-mestre da Antiga Grande Loja) foram até o primeiro-ministro William Pitt e lhe esclareceram que a Maçonaria comungava com a lei, tinha autorização oficial e só visava obras beneficentes. Tal argumento livrou a Maçonaria dos termos do Ato. No entanto, uma vez por ano, cada secretário de loja deveria fazer uma lista dos membros da loja (idade, profissão e endereço) junto com o escriturário local. Ou seja: um cadastro de controle.

Por fim, em 1809, as duas Grandes Lojas escolheram representantes para acertar uma união. As negociações só se concluíram em 27 de dezembro de 1813 num grande cerimonial no Salão dos Maçons na Grande Loja da Inglaterra. As duas partes aceitaram a criação da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI) que teria o duque de Sussex como grão-mestre. Augustus Frederick, duque de Sussex, nasceu no palácio de Buckingham em 27 de janeiro de 1773. Era filho de George III e neto de Frederick Louis (apaixonado por críquete). Foi presidente da Society of Arts (1816-1843), presidente da Royal Society (1830-1838) e grão-mestre da primeira Grande Loja. Morreu no palácio de Kensington em 21 de abril de 1843.

A união da lojas foi um momento de consolidação e padronização que fixou a administração básica da Maçonaria – em uso até hoje. Adotou-se também um ritual padrão. As lojas fora da Inglaterra, agrupadas em províncias, seriam lideradas por um grão-mestre-provinciano designado pelo grão-mestre. Uma lista de propósitos gerais foi elaborada para a política interna.

Dois anos depois a GLUI incluiu nas Constituições de Anderson:”Tenha um homem a religião ou forma de culto que tiver, ele não será excluído da Ordem, contanto que acredite no glorioso Arquiteto do Céu e da Terra, e pratique os deveres sagrados de moralidade.”

A partir daí a Maçonaria inglesa se consolidou e expandiu. Os grandes centros urbanos tinham agora fácil acesso devido às estradas de ferro. A comunicação entre a Grande Loja e as lojas das províncias era mais rápida e eficiente. O número de lojas cresceu e a participação efetiva de maçons na comunidade aumentou.

O prestígio aumentou também, principalmente quando Albert Edward, príncipe de Gales, tornou-se grão-mestre da GLUI em 1874. Tal figura entre os membros maçônicos deu grande impulso à Ordem.

No nosso próximo texto, parte V, fecharemos esse período relativo à história da Maçonaria,trazendo à tona a sua atuação na França e vários outros países, inclusive o Brasil.

JOSÉ EVERALDO ANDRADE SOUZA
MESTRE-MAÇOM DA LOJA ELIAS OCKÉ N° 1841
FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL – RITO BRASILEIRO
ORIENTE DE ILHÉUS – BAHIA.

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