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:: ‘AGRISSENIOR’

COMO SALVAR A LAVOURA DO CACAU?

Luiz Ferreira da Silva, 82

Pesquisador aposentado e Ex-Diretor do CEPEC.

luizferreira1937@gmail.com

Contribuição à atual Diretoria da CEPLAC,

pela sua importância como agente

do Governo Federal, que poderia articular

os segmentos da cacauicultura baiana.

em prol da sua recuperação, de modo integrado,

sistêmico e pragmático

(Maceió, AL, 06 de abril de 2019).

O presente documento corrobora a exposição verbal do colega José Carlos Castro de Macedo ao Diretor, Guilherme Galvão, feita num pequeno grupo, quando foi taxativo na implantação de um programa, a exemplo do PROCACAU, como catalizador da recuperação da economia do cacau.

Tanto ele quanto eu, dedicamos toda a nossa vida profissional a expensas do cacau, através da “ESCOLA-CEPLAC”, que nos ensinou o valor do trabalho, eivado de dedicação e ética. Neste momento de débâcle da região cacaueira, não poderíamos deixar de expressar a nossa gratidão através desta propositura que possa revitalizar o tripé do cacau – o cacaueiro, o agricultor e a instituição.

É preciso deixar claro que a atual crise do cacau difere de tantas outras do passado:

– A decadência do cacau, cuja região se empobreceu com a sua derrocada, passando de exportadora para importadora;

– A deterioração da CEPLAC, passando de modelo eficaz para uma organização sem ânimos e sem recursos, cada vez mais declinando, sobretudo pela ingerência política insensata e descomedida; e

– A descapitalização e endividamento do produtor de cacau.

Isso significa que a recuperação das plantações e novos cacauais, dependem da solução do tripé, para o qual as ações se interdependem e são urgentes.

Primeiramente, é importante tirar a região da letargia. Quem não se lembra do PROCACAU que proporcionou um choque positivo em todos os segmentos da economia, alavancando-a?!

A revitalização, pois, passa por um novo PROCACAU, o II atrelado à solução das dívidas dos produtores, para que eles voltem a recuperar suas roças infestadas pela vassoura-de-bruxa e, também, expandi-las com novos plantios, como souberam fazer nos 10 nos de vigência do programa anterior, cujos resultados carimbaram o “Quinquênio de Ouro”. São eles os PROTAGONISTAS!

Por outro lado, o citado projeto seria uma alavanca desenvolvimentista ativando o comércio, as indústrias de insumo, os investidores, energizando a região, hoje em fogo morto, além de provocar os demais integrantes do

agrossistema cacaueiro, sobretudo ajuizando a pesquisa, que teria de se municiar de instrumentais para não ficar à deriva do processo.

Então, sem mais delongas, urge a implantação do PROCACAU-II, eivado de metas, recursos financeiros e humanos e medidas de incentivo e compensatórias a um empreendimento desta envergadura, nada adiantando as medidas paliativas e remendos, tampouco, embromações políticas. É tarefa para quem vive do agronegócio – do homem que planta ao que consome, com ênfase no setor industrial.

No caso da reestruturação da economia cacaueira sul-baiana/ capixaba, evocando o livreto divulgado pelo autor e José Carlos Castro de Macedo, 3 anos atrás – “PROPOSTA PARA REATIVAR A CACAUICULTURA NACIONAL”, que não teve o eco esperado, seriam estabelecidas metas substanciais de replantação (renovação de cacauais velhos e envassourados); recuperação das roças que tem condições de reversão e expansão (novos plantios):, objetivando uma nova cacauicultura de altos insumos, tendo em mente que o tempo da baixa produtividade não mais se coaduna com o momento tecnológico da agricultura brasileira, cujo salto se deu com o uso de técnicas integradas, enfocada no manejo do solo, que transformaram os cerados, antes solos imprestáveis, em terras produtivas.

E o cacau tem que começar a se preparar para esse novo momento, já existindo um exemplo exitoso de plantio de cacau em solos de tabuleiro no extremo sul da Bahia, a nova fronteira agropecuária, utilizando a fertirrigação. Acresce-se o “boom” da celulose com mais de 600 mil hectares de plantios de eucalipto com tecnologias de precisão.

Um programa dessa magnitude requer uma base de produção de mudas seminais e/ou outros materiais clonais, como acontecera durante o PROCACAU-I, através os campos de produção de sementes híbridas tão bem conduzidos pela CEPLAC. Hoje, dispõe-se da Biofábrica, destinada a produção em escala industrial de material genético, numa área de 60 hectares, em Banco do Pedro, à margem do rio Almada, no município de Ilhéus. Possivelmente, vai ser preciso um novo choque de qualidade gerencial para voltar ao anterior nível de eficiência e eficácia.

Para implantação do PROCACAU-II, teria que o Governo Federal disponibilizar substanciais recursos (a serem quantificados), num espaço temporal de 10 anos, incluindo também investimentos na pesquisa, no fomento e no treinamento de pessoal, sem contar as medidas compensatórias para tornar os produtores aptos ao processo de financiamento de seus imóveis rurais, hoje incapacitados por suas dívidas.

Vale a pena reforçar e destacar a importância estratégica deste programa de revitalização do cacaueiro, com a conotação de “PUXADOR”, como um equivalente ao da Escola de Samba, que comanda 5.000 passistas cantando o samba enredo – uma espécie de “Jamelão do Cacau”.

Só assim e não há outra maneira, a região tomará outro fôlego com a geração de empregos e renda; dinamização de serviços gerais; reativação do comércio e da indústria de insumos agrícolas; e circulação integrada de recursos financeiros dos três segmentos econômicos, beneficiando toda região cacaueira e criando um ambiente de prosperidade, ânimo e fé, tendo o Homem no seu epicentro.

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 691– ANO XV – Nº 15 – Outubro de 2018

ESTUDO SOBRE O RIO SÃO FRANCISCO MOSTRA QUE A QUANTIDADE DE ÁGUA SE REDUZIU

O lago de Sobradinho, o maior reservatório do Nordeste, está apenas com 23% do volume total por causa da seca e a retirada de água para vários tipos de uso. (18-10-2018).

Vazão do São Francisco é reduzida

 Imagem do Google

COMENTÁRIOS

João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

Em 1997, publiquei um artigo no portal da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), intitulado “TRANSPOSIÇÃO DE ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO PARA O ABASTECIMENTO DO NORDESTE SEMIÁRIDO: solução ou problema?” no qual, entre outros assuntos, tratei do fenômeno El Niño e suas consequências nas reduções volumétricas das fontes hídricas nordestinas, dentre elas o Rio São Francisco. Cheguei a fazer uma projeção sobre a situação de penúria hídrica pela qual o rio passaria, em caso de serem utilizados seus volumes no projeto da transposição.

Na ocasião, cheguei a imaginar as manchetes dos principais jornais nordestinos com o título: “O Rio São Francisco agoniza”. Ao ter acesso ao resultado do estudo recentemente realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), no Rio São Francisco, que evidencia fatos preocupantes em relação à redução volumétrica do rio nos últimos anos, o correlacionei, com aquela minha projeção de “agonia” do rio, profetizada na matéria da Fundaj, em 97.

A assertiva desse estudo veio evidenciar, como verdadeiras, as minhas suspeitas de falta de água no Santo Chico, para o atendimento das demandas previstas no projeto da transposição de suas águas.

Diante de tudo isso, no meu modo de entender, faltou ao gestor público, um maior envolvimento com os diversos segmentos da sociedade, que precisavam ser melhor estimulados no apoio às gestões hídricas futuras, conhecendo-se melhor suas prioridades, principalmente no tocante às inserções, em um plano conjunto, a serem desdobradas ao longo do tempo. No caso em questão, a vontade política sempre se posicionou acima das possibilidades técnicas na promoção do desenvolvimento da região. A consequência disso não poderia ser outra: investimentos elevados para o abastecimento do povo, em um rio cujos volumes já não são mais suficientes ao atendimento da crescente e conflituosa demanda existente na região. E esse cenário tende a piorar! :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 688– ANO XV – Nº 12 – 08 de outubro de 2018

A CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO (CAPÍTULO IV)

(In A mãe natureza nos ensinando os caminhos do bem. Editora Via Litterarum, 2018)

Luiz Ferreira da Silva

Na Natureza as espécies procuram se adaptar às alterações ambientais, sem que comprometam o sentido maior que é a sua perpetuação. Como exemplo visível em logradouros públicos, sobretudo do Nordeste, é a bela árvore chamada “castanhola”, cujos frutos se parecem com os da castanha do Pará, que já fora de terra alagada (solos hidromórficos), daí seu nome científico – Bombax aquaticum, vegetando hoje em terra firme.

Para aclarar mais ainda, basta que se recorra ao ecossistema do semiárido (caatingas), dotado de plantas adaptadas ao déficit hídrico.

A caatinga é a vegetação nativa típica. Aprendendo com a natureza e respeitando seus recursos naturais é possível viver e conviver com o semiárido.

Além da importância biológica, a caatinga apresenta um potencial econômico ainda pouco valorizado. Em termos forrageiros, apresenta espécies como o pau-ferro, a catingueira verdadeira, a catingueira rasteira, a cana fístula, o mororó e o juazeiro que poderiam ser utilizadas como opção alimentar para caprinos, ovinos, bovinos e muares.

Entre as de potencialidade frutífera, destacam-se o umbu, o araticum, o jatobá, o murici e o licuri e, entre as espécies medicinais, encontram-se a aroeira, a braúna, o quatro-patacas, o pinhão, o velame, o marmeleiro, o angico, o sabiá, o jericó, entre outras.

Pois bem. Muitas dessas plantas desenvolveram alterações biológicas, facilitando vicejar em terrenos secos.

Insiro, para aclarar essa questão, os ensinamentos do Professor Manoel Bomfim Ribeiro, socializados através do seu excelente livro – A potencialidade do semiárido brasileiro.

“O Nordeste semiárido é um verdadeiro laboratório botânico dotado de essências florestais perfeitamente adaptadas à realidade climática. Este grande complexo botânico, adaptado à baixa pluviosidade criou naturalmente seus meios de sobrevivência, seus equipamentos de defesa para vencer o ambiente hostil como”:

Ø. Espinhos pontiagudos de fácil remoção, uma proteção natural contra os animais;

Ø. Redução da superfície folear para diminuir a intensidade de perda de água, a exemplo da catingueira e de outras espécies de folhas arredondadas.

Ø. Caules suberosos (aspecto de cortiça), espessos, ricos em xilopódios (espessamento de raízes e caules subterrâneos) para manter a umidade e nutrientes como a faveleira.

Ø. Raízes possantes e tuberosas (acumuladoras de nutrientes), com a formação de “batatas”, ricas em água, amido, açúcares e nutrientes como o umbuzeiro.

Ø. As plantas herbáceas (ervas), arbustivas (arbustos; pequenas árvores) e semi-arbustivas (mini árvores), dotadas de extraordinária riqueza floral que através da polinização entomófila (insetos) garante a sua capacidade genética para a perpetuação das espécies. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 687– ANO XV – Nº 11 – de outubro de 2018

DEMOCRACIA E EDUCAÇÃO

Altenildes Caldeira Moreau

A democracia é entendida como uma forma de governo em que a força do povo deve exercer a soberania.  Os interesses e necessidades populares são preferencialmente atendidos.

Na teoria, tudo fica mais fácil de entender e de se ajustar, mas quando se chega na prática, no dia a dia do exercício democrático, as coisas começam a se complicar. A formação das nossas sociedades apresenta aspectos conflitantes com as propostas da democracia.

O egoísmo, o individualismo, a busca pelo poder e o desejo de posse dos bens materiais e da acumulação da riqueza, inibem a prática da democracia e da distribuição dos recursos vitais entre as pessoas e as comunidades, criando grupos partidários com incontáveis interesses pessoais.

Como resolver este problema, quando se acha que o sistema democrático é o melhor caminho para o funcionamento político do nosso País? Existe uma convergência de pensamento da maioria da população brasileira, de que a Educação será um pré-requisito para a convivência harmoniosa e o atendimento mais justo dos anseios dos brasileiros, em especial  dos  mais necessitados.

No entanto, a Educação de que se fala sempre, não é vista com a abrangência que ela merece.

Entendemos que a Educação deve ser compreendida não somente como a alfabetização, elevação do nível escolar das pessoas e elevação do conhecimento tecnológico, mas um processo de mudança integral de comportamento perante a sociedade em que se vive, passando pela ética, pela honestidade, pela responsabilidade e pela cidadania.

O professor Carlos Brandão, da UNICAMP, São Paulo, escreveu um livro que fala das educações, e não somente da Educação. As educações porque se trata de mudanças de comportamento do ser humano nas diversas áreas da vida:  familiar ou doméstica, que aqui destacamos como umas das mais marcantes formas de educação, pois vai desde a infância segue pela adolescência e mesmo na fase adulta, porque os filhos na sua maioria têm respeito aos pais e os aceitam como modelo de vida. A educação na área física ou corporal, na área   financeira que tanto preocupa as pessoas, a social, a mental ou cognitiva e área espiritual.

A ideia da Educação como pré-requisito à Democracia, não significa que uma deverá vir antes da outra, mas sim, que as duas deverão ocorrer simultaneamente, ou seja, “educar democraticamente”, o que requer uma preparação mais adequada dos educadores, dos estudantes,  dos .pais e responsáveis pelas famílias, dos empresários,  dos administradores,  dos políticos ,  dos trabalhadores, enfim , de toda a as pessoas integrantes das nossas comunidades para que assim, possam  serem chamadas. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 686– ANO XV – Nº 10 – Setembro de 2018

POLUIÇÃO VISUAL

Por Luiz de Oliveira Alves

Graduado em Ciências Biológicas (UNIFESO, 2014)

A poluição visual se dá quando as informações visuais estão em excesso ou algum fator que cause algum estresse estético no ambiente que afeta a qualidade de vida dos seres humanos. Podendo ou não atuar junto com a poluição luminosa, a poluição visual é encontrada em áreas urbanas, principalmente em áreas comerciais pelo excesso de propagandas. As propagandas visuais modificam as paisagens podendo causar acidentes automobilísticos devido as distrações ao volante.

Poluição visual. Osaka – Japão.

Foto: Perati Komson / Shutterstock.com

 

Além das propagandas, outra fonte de poluição visual são os cabos entrelaçados a postes e as pichações, que acarretam na desvalorização do valor histórico de vários prédios e monumentos históricos desviando a atenção da população.

Pichações, além de serem consideradas poluição, são consideradas crime ambiental e vandalismo, além de afetar a microeconomia local com os seus reparos, o ato de pichar em muros muitas das vezes está associado a marcação de território de gangues. A punição por pichamento pode chegar a um ano de prisão além de multa. A pichação é a única poluição visual que é considerada crime pela legislação Brasileira.

A sua exposição prolongada afeta a saúde humana provocando desconforto visual, estresse e até transtornos a saúde mental. Em casos de muita repetição da mesma propaganda, o comerciante pode ter uma reação negativa, no qual a população passa a ignorar pela alta descarga de informações. Tais propagandas incentivam o consumo excessivo, no qual acarretam obesidade, tabagismo, alcoolismo e o aumento em produção de lixo e resíduos, principalmente no descarte dos materiais utilizadas na produção de tais propagandas. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 683 – ANO XV – Nº 07 – setembro de 2018

Paradoxos da fome no brasil

Luiz Ferreira da Silva

De imediato, a lógica de todos nós é que a fome é causada pela falta de alimentos numa determinada região. Não, necessariamente.

Em muitos países, por problemas climáticos – zonas de semiárido – a exemplo do que acontece no Nordeste brasileiro, a fome é maiormente devida à escassez alimentar. Em outros, há produção de alimentos e o problema é a falta de poder aquisitivo. Infelizmente, pode ser as duas coisas.

Neste contexto, o Brasil exibe um paradoxo cruel. A partir da “descoberta” dos cerrados, tornou-se celeiro mundial, batendo recordes de produção e produtividade, porém em nada contribuiu para aplacar a fome e, ademais, cresceu a mortalidade infantil.

Agregue-se o desperdício de alimentos, seja no transporte, nas colheitas, nas embalagens, nos restaurantes, nas mesas abastadas. Estima-se em mais de 40 mil toneladas. Só nos supermercados se jogam no lixo, em produtos do campo, quase 4 bilhões de reais.

As tecnologias agrícolas avançadas que permitiram esta revolução verde ficaram restritas às “plantations” (grandes empresários rurais), continuando os pequenos produtores, sobretudo do Nordeste na sua tradição da enxada, da foice e da matraca.

E estupidamente, implantou-se uma reforma agrária ideológica, que nada mais é que manutenção da miséria no campo, tornando os agricultores presas fáceis aos movimentos políticos.

É só verificar os resultados dos núcleos de assentamentos, cuja maioria fracassou e os pequenos produtores vivem em estado de penúria, por não existir um Programa de Desenvolvimento Agrícola para essas áreas desapropriadas, muitas delas a peso de ouro.

Aos sem-terra, portanto, dever-se-ia não só facultar o solo para trabalhar, com afinco e desprendimento, mas exigir as condições para produzir com eficiência e eficácia, pois já se foi o tempo da enxada.

A pequena produção deve se inserir na economia de mercado com competência, mercê dos ganhos de produtividade e organização dos lavradores, proporcionando o real desenvolvimento social e econômico das comunidades, estabelecendo-se a paz no campo, com ganhos para toda a sociedade. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 682 – ANO XV – Nº 06 – agosto de 2018

DA ARTE DE NASCER E VIVER

Annibal Augusto Gama

Você está instalado confortavelmente no ventre da mãe, que lhe provém de tudo, no morno entorno do útero, e ainda assim, de vez em quando lhe dá uns coices.

Você começou de um ovo, com a união do espermatozoide com o óvulo. A princípio, era uma coisa insignificante, e chegou a ser quase um peixe, com guelras. Foi evoluindo para a forma humana, enquanto a barriga da mãe também estufava cada vez mais.

Até que nove meses depois (ou menos, para alguns apressadinhos), começaram em torno de você uns empurrões para botá-lo para fora, quando não sabia ainda que havia um fora, mas só um dentro. Os empurrões tornaram-se insuportáveis, até que você botou a cabeça para fora, e alguém o agarrou pelo pescoço e pelos ombros e o arrancou do lugar onde você estava antes tão bem.

Este parteiro, ou parteira, ainda por cima, segurando-o pelos pés, dá-lhe umas palmadas na bunda, para que você chore e respire. Foi a primeira agressão que você sofreu, das muitas que receberá ainda durante o resto da vida. Cortaram-lhe então o cordão umbilical e o amarraram, para que você se desligasse de sua mãe, que estava inundada de suor e gemia. Limpado, foi embrulhado e posto nos braços da mãe, que logo lhe ofereceria os seios túrgidos, para que você mamasse. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 681 – ANO XV – de agosto de 2018

O PESADELO DA FOME GLOBALIZADA

Luiz Ferreira da Silva

Os agrônomos, há muito tempo, vinham incessantemente alertando sobre a deterioração do solo.

A população crescera-mais de 50 bilhões de bocas naquele século – e, mesmo com toda a tecnologia, não havia alimentos, inclusive para os ricos, quanto mais para os pobres. No caso destes, em momento algum a população rural dos países subdesenvolvidos teve acesso aos modernos sistemas de produção.  Enquanto que os apaniguados, as “plantations”, com todos os incentivos e benesses governamentais não souberam utilizar os fertilizantes, nem os pesticidas e, tampouco, as práticas de irrigação, reduzindo a capacidade produtiva dos terrenos, provocando desequilíbrio ambiental.

A visão era produtivista ou economicista, sem se ater aos problemas de deterioração do solo, preocupando-se mais com o imediatismo. Não havia a antevisão do legado da terra às gerações futuras – usar sem depredar.

Muitos fatores contributivos para tal desastre: inadequado uso de maquinarias agrícolas (compactação e arraste da capa orgânica); plantios morro a baixo, sem curvas de nível, ocasionando erosão (perdas de solo e de nutrientes); cultivos monoculturas contínuos (repositório de pragas e doenças); desmatamento com a eliminação da cobertura vegetal nos morros, bacias hidrográficas e margens fluviais; e queimas constantes (perda da estrutura do solo e coesão dos seus horizontes, pela iluviação das partículas finas).

Não havia a conscientização de que o solo é o recurso mais importante da agricultura, significando dizer que deveria ser bem trabalhado para permanecer produtivo, sem se desgastar, possibilitando ser usado de pai para filho, com um legado usufruto. Em outras palavras, ninguém seria dono da terra, mas um “tomador de conta” desse bem de seus descendentes, com a responsabilidade de passá-la para as subsequentes gerações de forma preservada, sadia e produtiva. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 680 – ANO XV – Nº 04 – Agosto de 2018

SOS VELHO CHICO

Luiz Ferreira da Silva

A preocupação maior, em termos de degradação dos ecossistemas brasileiros, recai na Mata Atlântica, no Trópico Úmido da Amazônia e no Cerrado, sobretudo do planalto central.

Os “olhares” pouco se voltam às matas do semiárido, notadamente as Caatingas, justamente a região mais deteriorada e, por suas condições fisiográficas aliadas ao clima, que está sujeita à desertificação, em termos de degradação do trinômio – solo, água, vegetação.

Isso porque se trata de um ecossistema frágil, sobre o qual se insere a energia solar intensa, com 300 dias de sol pleno, resultando uma evaporação avassaladora. Em outras palavras, a chuva que cai, grande parte é devolvida para o espaço. Tal fenômeno advém concentração de sais, tanto hídrica, quanto no solo.

Mas a Natureza compensou essa região com um caudaloso manancial de água, o Rio São Francisco. Conhecido como o “rio da integração nacional”, é a bacia hidrográfica mais importante do Nordeste.

Ele tem aproximadamente 2. 700 km de extensão, entre o seu nascedouro, na serra da canastra (MG) e a sua foz, no Peba (AL), subdividindo-se em ALTO (da serra da canastra até Pirapora), MÉDIO (de Pirapora até Remanso), SUBMÉDIO (de Remanso até Paulo Afonso e BAIXO São Francisco (de Paulo Afonso até o Oceano Atlântico).

Desenvolvia-se em seu leito um plâncton rico – organismos que vivem em suspensão na água –  base da sua cadeia alimentar, fundamental ao desenvolvimento dos organismos maiores, a exemplo dos peixes e outros animais aquáticos.

O homem ribeirinho se fartava desses frutos fluviais; vivia feliz e mantinha nutrida sua família de proteínas de alta qualidade. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – 678 – ANO XV – AGOSTO de 2018

Ativos e incansáveis

O Estado de São Paulo, 29 de julho de  2018

USP, UFMG e PUC-RS formam rede para analisar como alguns idosos com mais de 80 anos mantiveram desempenho cognitivo de pessoas 30 anos mais jovens; pesquisas indicam que manter mente ativa e ser sociável e otimista podem ser caminhos

Aos 82 anos, a professora aposentada Loyde de Carvalho Fagundes faz hidroginástica, frequenta o clube, faz psicoterapia, escreve poemas e está sempre ligada nas notícias. Na terceira idade, passou a ter como lema um famoso ditado popular, só que adaptado por ela: “Mente vazia, oficina do Alzheimer, por isso tento sempre me ocupar”.

A rotina do engenheiro aposentado Mauricio José Tosi Ferreira Lemos, de 85 anos, não é menos agitada. Ele é conselheiro do condomínio onde mora, faz aulas de dança, participa de excursões aos fins de semana e acaba de ingressar no curso repórter 60+, voltado para idosos com vontade de aprender um pouco mais sobre jornalismo. “Tem gente que é caseira. Sou ‘rueiro’, não gosto de ficar quieto, não”, conta, aos risos. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 678 – ANO XV – Nº 02 – julho de 2018

A SOLIDARIEDADE ECOLÓGICA

Luiz Ferreira da Silva

 (Capítulo VIII do livro – A Mãe Natureza nos ensinando os caminhos do bem)

O milho, produto que alimenta bilhões de pessoas em suas diversas formas de guloseimas, fatalmente não sobreviveria se não fosse a solidariedade de animais, sobretudo dos pássaros.

Suas sementes são distribuídas através de espigas, aderidas fortemente, impossíveis de caírem ao solo para sua germinação, produzindo novos pés de milho. Então, a deiscência da espiga provoca a germinação de todas as suas sementes, cuja concorrência inviabilizaria a reprodução da espécie.

Aí entra o periquito, que adora comer milho in natura, distribuindo as sementes alhures, evitando a morte de tão importante alimento.

O cacaueiro, por outro lado, apresenta o fenômeno da incompatibilidade sexuada, que se manifesta quando o pólen de uma flor em uma planta não consegue fecundar os óvulos das flores da mesma planta

(autoincompatibilidade) ou de outras plantas (Inter incompatibilidade).

Assim, o cacaueiro necessita de autopolinização ou de polinização cruzada, que é realizada por mosquinhas chamadas “forcipomyas”, e não havendo polinização adequada, a lavoura não produz satisfatoriamente.

E nesse contexto, a jaca também participa ao propiciar meios de cultura ao inseto, través de seu liquido doce impregnado nas cascas em decomposição.

Outras vezes as plantas precisam de se reproduzir mais além de seu habitat, como acontece com os ipês. Para isso, suas sementes são aladas para que o vento as transporte.

Da mesma forma, o urubu é um grande plantador de dendê, bem como o jupará do cacau.

Digno de registro é a solidariedade dos roedores nesse mister fitoecológico. Como exemplo, os frutos do jatobá têm uma casca muito dura que impede a eclosão do núcleo germinativo, necessitando de uma parceria. E a cotia ou outros roedores, atraídos pelo odor dos frutos, roem a carapaça em busca da mucilagem, colocando as sementes em condições de formarem novos jatobazinhos. :: LEIA MAIS »

AGRISSÊNIOR NOTICIAS – Edição 677 – ANO XV – Nº 01 – julho de 2018

ANO XV

Eis a Edição 01 do ano XV. Tim, Tim para todos!

Desmonte da C&T ameaça soberania nacional

Alerta científico e ambiental, volume 25/27-2018.

A advertência é do presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o físico Ildeu de Castro Moreira, em entrevista à Sputnik Brasil.

Segundo ele, a redução dos investimentos públicos no setor, tanto nas universidades como nas agências de fomento à pesquisa, que atendem o setor público e o privado, está provocando efeitos calamitosos:

A situação é muito drástica. Foram muito drásticos os cortes para Ciência e Tecnologia no ano passado, em particular, e neste ano continuam. E, portanto, nós estamos vivendo uma situação muito difícil. As principais agências de fomento do país, como o CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], a FINEP [Financiadora de Estudos e Projetos], a própria Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior], foram profundamente atingidas. E isso tem uma implicação muito ruim, porque a ciência brasileira vinha crescendo nos últimos 20 anos significativamente e agora nós estamos vivendo um momento muito complicado (Sputnik Brasil, 09/07/2018).

Em consequência dos cortes orçamentários aplicados ao setor, o presidente da SBPC afirma que o orçamento deste ano para custeio das atividades de ciência, tecnologia e inovação foi reduzido a um terço do valor de oito anos atrás. Segundo ele, a SBPC e as demais entidades científicas do País têm feito repetidos apelos ao governo e ao Congresso Nacional, mas “a reversão foi muito pequena”.

“Todos os países desenvolvidos do mundo, inclusive países que tiveram alguma dificuldade financeira em momentos de crise apostam na ciência como uma possibilidade de reversão do quadro. A Ciência é um instrumento, hoje, fundamental para uma sociedade. E a gente está vivendo esse momento de desmonte muito sério”, enfatiza.

E o pior, aponta, é que a tendência sugere um futuro de continuidade do quadro e de permanência dos baixos investimentos, o que considera um risco ao desenvolvimento do País, citando como exemplo o impacto sobre os pesquisadores jovens, que tendem a buscar alternativas no exterior.

Sem falar na ameaça da Emenda Constitucional 95, aprovada pelo Congresso Nacional em 2016, congelando uma série de gastos por nada menos que duas décadas: :: LEIA MAIS »





















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