Barão de Popoff

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Não é sempre que temos a oportunidade de juntar o passado com o presente. Desta vez estou aqui para fazer uma homenagem a uma grande figura de Ilhéus, descendente de uma das famílias mais tradicionais desta cidade, e também contar, em parte, como foi a emigração dos alemães para esta terra querida de todos nós.

Os Krushewsky vieram para Ilhéus entre 1822 e 1823, trazidos por Pedro Weyll (Holandês) e seu sócio (?) Saueracker. Junto com os Kruschewsky vieram também para Ilhéus os alemães, Sellmann, Schaun, Meffe, Lafit, Ninck, Hohlenwerger, Prezewodowski, Berbert, Steiger.

Estabeleceram-se em uma Sesmaria em terrenos à margem esquerda do rio Cachoeira adquirida em 1818 por Pedro Weyll e seu sócio, onde fundaram um pequeno núcleo chamado de Colônia de São Jorge da Cachoeira de Itabuna. Estes alemães tinham profissão de ferreiros, padeiros, relojoeiros, alfaiates, carpinas, maquinistas, etc.

Uma segunda leva de colonos chegou de Rotterdam na galera hamburguesa Anna Luiza em 1823. Por imprevidência de Saueracker, sócio de Pedro Weyll, que não providenciou com antecedência abrigo, ferramentas e instrumentos agrícolas para o trabalho, passaram os emigrantes por muitas necessidades muitos se retirando para a vila de Ilhéus, sendo amparados pela Câmara Municipal, para não morrerem de fome, sendo também amparados pelo Imperador D. Pedro I, que era protetor dos imigrantes alemães no Brasil.

Muitos deles se deram bem na política, na administração pública, na advocacia, na imprensa, nas letras, nas armas, na agricultura e na indústria.

Bem, terminado aqui as explicações da descendência do Barão de Popoff, vamos agora contar a sua história.

Raimundo Kruschewsky Ribeiro, seu nome de registro, que muitos não sabem, nasceu em Ilhéus em 3 de agosto de 1925, filho de Jaime Gomes Ribeiro e Arcelina Kruschewsky Ribeiro, casou-se em 30 de abril de 1961 na Fazenda Barbosa, de seu tio Ubaldo Kruschewsky, no Rio do Braço, com Denise (Costa) de Oliveira Ribeiro (Denise foi minha professora no Colégio Rui Barbosa em 1957) com quem teve dois filhos; Mauro de Oliveira Ribeiro e Luiza de Oliveira Ribeiro.

O Barão era funcionário do Banco do Brasil onde trabalhou de 1945 a 1975. Trabalhou na agência do Rio de Janeiro e, como dizia ele, em adição nas agências das cidades de Corumbá (MS), Foz do Iguaçu (PR), Araçuaí (MG) e aposentou-se quando trabalhava na agência de Ilhéus.

Fazendo uma viagem turística à Europa com casais de amigos e jovens de Ilhéus, o Barão se empolgou com o trabalho de assistência que prestou aos jovens e resolveu virar guia de turismo, criando grupos de jovens para visitar a Disneylândia, pela agência Belair Viagens, do Rio de Janeiro, de 1976 a 1984 e depois pela Espaço Turismo de Eduardo Gedeon, de quem se tornou  grande amigo, de 1984 até 2001,  quando resolveu parar por causa do ataque às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001 e por alguns problemas de saúde.

Popoff é, e será sempre um grande gozador e bom vivam, com sua maneira autêntica de se vestir, sempre fazendo grandes gozações e aprontes com seus amigos, e até com ele mesmo.

Surgiu o seu apelido “Barão de Popoff” em duas partes distintas de sua vida, a primeira foi a criação de Popoff, depois é que foi acessentado o Barão.

Trabalhava  Raimundo Kruschewsky Ribeiro na agência do Banco do Brasil do Rio de Janeiro quando foi transferido para a agência de Corumbá (MS). A agência central do Banco do Brasil mandou um “TELEX” para a agência de Corumbá avisando da chegada do funcionário Raimundo Kruschewsky Ribeiro, quando Raimundo chegou na agência de Corumbá e se apresentou todos acharam estranho, pensavam que chegaria uma pessoa loira de olhos azuis, descendente de russo, Kruschewsky!, foi quando lhe perguntaram, por brincadeira, se ele era o Popoff, e deu no que deu.

Quando veio para a agência do Banco do Brasil de Ilhéus, mais ou menos em 1958, para trabalhar no plano de Recuperação da Lavoura Cacaueira, seu grande amigo, Carlinhos Chimbica (Oliveira), por gozação começou a falar que Popoff era nome de nobre e que ele era o Barão de Popoff, como ficou conhecido até hoje.

Outro caso engraçado do Barão foi na agência do Banco do Brasil aqui de Ilhéus. Chegou um novo gerente na agência disposto a acabar com os funcionários que enrolavam mais do que trabalhavam, os tortos, o gerente fez uma reunião avisando que ia consertar todos os tortos que tinham na agência, o Barão então lhe disse que tinha um torto na agência, que ele, o gerente, não ia dar jeito. O gerente então lhe disse para mandar o tal torto falar com ele. Quando o tal torto chegou a gerencia o gerente começou a rir, sem entender o funcionário perdeu as estribeiras pensando que era por causa do seu problema na coluna, era Antônio Bacil, que tinha um problema sério na coluna e por isso tinha o corpo torto. Final da história o Barão continuou torto.

Barão, repito aqui as palavras de Carlos Mascarenhas, gostaríamos de vê-lo aqui, no R2, contando as suas histórias, tenho certeza que botaria Jorge Amado no chinelo.