HISTÓRIA DE FLORINDA SANTOS, A “MULHER DE ROXO”
A história de Florinda Santos, a conhecida Mulher de Roxo, se transformou numa lenda urbana, uma figura mitológica conhecida por todos da localidade. Não importava se o dia era de chuva ou de sol, ela nunca faltava. Era só as portas do comércio da Rua Chile abrirem e dona Florinda já se encaminhava para a entrada da Slopper. Vestido com roupa de veludo violáceo, iniciava o ritual diário. Andava de um lado para o outro, falava sozinha e sempre pedia dinheiro. Tudo com muita educação. Afinal, dizia-se que a Mulher de Roxo, personagem dos tempos diários do centro da cidade, vinha de boa família.
Andava descalça com longas mantas, um torço e um enorme crucifixo. Tudo isso dava a ela um ar meio santo, meio louco, meio andarilho e meio mendigo. Algumas vezes a dama desfilou com uma roupa de noiva, com direito a buquê, véu e grinalda. Com todos esses componentes cênicos, contraditórios e demasiadamente humanos, a mulher de roxo despertou sentimentos em toda a cidade, medo e respeito, pena e carinho.
Qual sua origem? Poucos sabem direito. Uns defendem a tese de que havia perdido a fortuna e enlouquecido; outros apregoavam que teria visto a mãe matar o pai e depois suicidar-se; terceiros garantiam, ainda, que ela perdera a filha de consideração e a casa, na Ladeira da Montanha, numa batalha contra o jogo. Outros ainda contam que ela enlouqueceu porque teria sido abandonada no altar. Em outros depoimentos, aparece como uma bela mulher, a mais cortejada dentre as freqüentadoras do chá no final da tarde na Confeitaria Chile e como ex-professora em Paripe. Florinda, que nunca contou a ninguém, sua verdadeira história, perambulava com suas vestes roxas, inspiradas nas roupas das suas santas de devoção.
Vestida de freira, circulando livremente pela rua mais badalada de Salvador. A estranha indumentária, que incluía ainda um grande crucifixo, a transformou na Mulher de Roxo, a principal lenda urbana da capital. Foi assim que Florinda, a mendiga que jurava ser rica, passou a ser a personagem lendária, surgida, do nada, em frente à loja Sloper, nos anos 60 do século XX, em Salvador. Quando se enfeitava, com maquiagem forte no rosto e nos lábios, ela usava o espelho retrovisor dos automóveis estacionados. Como sanitário, servia-lhe qualquer território mais calmo. A Rua Chile era sua verdadeira casa, seu mundo, seu reinado. A intimidade com a rua era tão grande que ela sempre andava descalça. Na fachada da loja Sloper, localizava-se o seu trono de sarjeta. Na Rua Chile, chegava sempre muito cedo, circulava pelo centro e só recolhia o seu saco preto ao meio-dia, quando almoçava. Ao final do dia, voltava, andando, ao albergue noturno da prefeitura, situado na Baixa dos Sapateiros.
Muitas reportagens foram publicadas na época sobre a mulher de roxo ou dama de roxo. O jornalista Marecos Navarro gravou uma entrevista exclusiva com ela e é um dos raros documentos em que é possível ouvir a voz de Florinda. Em 1985 o cineasta baiano Robinson Roberto documentou um vídeo em Super 8 em que a mulher de roxo diz morar no albergue há três anos, e revela pertencer à família Rainha Princesa. Foi também personagem retratado na Galeota Gratidão do Povo, painel de 160 metros quadrados pintado por Carlos Bastos, que decora o plenário da Assembléia Legislativa.
Ela era tão cinematográfica que até inspirou um personagem do cineasta Glauber Rocha no filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969). A moça de manta roxa do filme era baseada na lenda viva da Rua Chile. Ela também inspirou o documentário A Mulher de Roxo, produzido pelo Pólo de Teledramaturgia da Bahia. O vídeo de 12 minutos, dirigido por Fernando Guerreiro e José Américo Moreira da Silva, mistura documentário e ficção. Haydil Linhares é uma das atrizes que vive Florinda Santos, a Mulher de Roxo.
Tornou-se um personagem folclórico, querido pelos baianos, uma lenda urbana. Veio falecer em 1997 depois de acolhida pela Irmã Dulce. Florinda inspirou documentários, peças de teatro e até um personagem de Glauber Rocha no seu filme “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, rodado em 1969. E é a Mulher de Roxo, uma das imagens do famoso painel do artista Carlos Bastos que retrata personalidades baianas, exposto na Assembléia Legislativa.





























































Certa vez procurei conversa com ela, na porta da Sloper. Ao meio de muitas frases confusas, disse ser uma “professorinha”, o que bate com uma das hipóteses da sua origem. Mais uma sofrida “professorinha” do mundo…
Sinto saudades daquele tempo que ia à loja slopper e a dama de roxo sempre estava na porta vestida de roxo e toda maquiada naõ mexia com ninguém.
Conheci a mulher de roxo no ano de 1981, sempre perambulando nas imediações da rua chile, mas com ponto fixo na loja slopper. Sempre estava na entrada, como também interior da loja, pois os donos permitiam que circulasse também na parte interna da loja. Uma funcionária uma certa feita me disse que essa senhora era tida como uma decoraçao da loja. Me lembro que ela pedia uma esmola usando a seguinte frase: se de manhã- Me dê um dinheirin pra comprar meu cafezin. No almoço: me dê um dinheirim pra comprar meu almoçin,e assim sucessivamente!
Conheci a mulher de roxo nos meados de 1977 na porta da casa sloper. Sentia bastante medo daquela figura estranha q sempre pedia um dinheirinho para comprar o almoço e educadamente agradecia. Depois fiquei sem saber ao certo o q teria acontecido a ela depois de muito tempo, mas sempre lembrei da presença dela quando passo pela rua Chile.
Conheci a mulher de roxo ainda no final dos anos 70, quando visitava parentes em Salvador, sempre nas imediações da Rua Chile, confesso que tinha certo receio, gostaria de ver artigo sobre a irmã Esperança, torcedora símbolo do Vitória(sou Bahia), figura presente sempre na Saúde, onde eu morava no início dos anos 90, quando mudei para Salvador para estudar!
a mulher de roxo passava todos os dias de manhã pela rua aristides milton na barroquinha, meu pai tinha um armazem lá. De vez em quando ela entrava e pedia….
-Me da um dinheirinho ai moço!…as vezes meu pai dava as vezes não…mas ela sempre gradecia …Obrigado moço!
Eu me lembro da em frente a loja São per na rua Xile, sempre me despertou curiosidade.
Tinha medo dela, na época, ainda criança, achava que ela pegava as pessoas! Mas nunca a vi xingar ou maltratar quem quer que fosse!
Tempos bons aqueles, das lojas Duas Américas, Sloper, Mesbla…!
Saudades!
.Nossa!!! Cresci vendo essa mulher de roxo na frente da Slopper.
eEla tinha uma vozinha fina e pedia um dinheirinho pra comprar o almoço
As vezes ela chamava a minha mãe de mainha,
Ela falava assim: Mainha dá um dinheirinho pra comprar meu almoço.
MULHER DE ROXO
Há quem diga que fui muito rica
e desfrutei da opulência
e do ouro dos velhos tempos e templos,
no claro brilho de minhas igrejas…
Hoje me restaram apenas estas vestes,
o crucifixo,
e a gravidade de um velho sonho
à espera de um noivo que nunca veio…
Na Chile, o meu martírio,
em busca de silenciosa névoa que,
finalmente, me devolva a esta cidade
e reintegre os meus ossos ao
denso pó de onde vieram…
(Chamam-me Blavatsky tropical,
sem secretas doutrinas
mas todo Mistério….)
(Sathyanaggar -Brasília, – Março, 2014)
Muito interessante essa poesia, muito obrigado por compartilhar
Eu lembro muito bem da mulher de rôxo, tinha medo dela com aquelas vestes e o crucifixo, mas lembro também que algumas vezes a vi vestida de noiva. Gostei da narrativa e gostaria que quem souber fale também de outras figuras que marcaram época tipo Cuica de Santo Amaro e O mágico Corró.
Lembro-me muito bem da Mulher de Roxo e das primeiras vezes que vim a Bahia (Salvados) com meus 7, 8, 9 anos, nos idos de 1964, 1965, 1966. A minha diversão, como menino do interior era subir e descer as escadas rolantes da Loja Duas Américas, enquanto minha mãe fazia compras, e sempre ouvia “Eduardo se comporte se não eu vou chamar a Mulher de Roxo”. Bons tempos da Rua Chile. Quando vim estudar em Salvador já tinha o “Iguatemi” …
Sempre soube que sofreu desilusão amorosa, e que era de família rica.
fantastico poder reviver esta epoca , em que sempre fiquei intrigada com esta mulher que perambulava pela rua chile sempre me perguntava o que havia acontecido com ela para andar daquele jeito a vida e realmente fantastica…
EU CONHECI A MULHER DE ROXO DESDE QUE EU ERA PEQUENINA POIS MEU PAI TRABALHAVA COMO OFICIAL DO CORPO DE BOMBEIROS DE SALVADOR E AGENTE PASSAVA PELA RUA CHILE E ELA ESTAVA NA PORTA DA SLOPER, EU TINHA MEDO DELA QDO CRIANÇA. MAS QUANDO FIQUEI ADULTA APRENDI A RESPEITAR ELA NA SUA DOR! MEU PAI CONTAVA QUE O NOIVO DELA A ABANDONOU NO ALTAR NO DIA DO CASAMENTO ELA FICOU DESORIENTADA, SOUBE QUE ERA PROFESSORA PRIMÁRIA! QUE DEUS DÊ LUZ A ELA!
Conheci muito a mulher de roxo eu era garoto quando cheguei em Salvador ai conheci ela ai na porta da antiga slope era uma figura, todas as vezes que passo na Rua Chile me lembro dela até o prefeito deveria fazer uma homenagem a ela faz jus uma justa homenagem aDonaFlorinnda gostaria de vrr essa homenagem.
Era menino quando conheci a folclórica, na época, mulher de roxo. Minha mãe, Fahda Ganem, tinha loja na Av.7, e a mulher de roxo sempre ia lá, e pedia “dá um dinheirinho para mim”, minha ajudava e conversava com ela, mas ela não era de muita conversa. Hoje, aos 66anos, guardo essas lembranças. Época que havia respeito a todos, mesmo esses moradores de rua.
Cheguei a salvador para residir em outubro de 1979 e ainda alcancei a Sra. Dama de Roxo caminhando pela Rua Chile. O que é de impressionar que esta Senhora teria vivido até aos 80 anos. Lendo este artigo vimos ser desconhecido a Origem familiar desta Senhora. Ao que tudo indica foi uma vítima do preconceito da doença psiquiátrica que ou era trancada nos manicômios ou trancafiada em casa para esconder da sociedade. No caso da Dª Florinda dos Santos abandonaram a própria sorte e aos seus solilóquios originados pelas fantasias da esquizofrenia. O importante para aquela ALMA é que os seus 80 anos vivendo assim lhe proporcionou apagar do seu ‘EU PROFUNDO” o que lhe conturbava a ALMA.Hoje no plano Astral já refeita deverá esta caminhando e encaminhando os que a abandonaram assim espero e desejo que tenha apreendido duas virtudes que tem nos feito sofrer nas encarnações sucessivas PERDOAR E AMAR.
ela não pode ter sido acolhida por Irmã Dulce em 1997, uma vez que Irmã Dulce morreu em 1990. Pode ter sido acolhida por suas obras sociais, aí sim.
EU também vive e presenciei a dama de roxo na Rua Chile quando criança ia com minha mãe ate a loja Sloper, e la estava ela.Na época já era um mito que ninguém sabia da sua origem, havia o comentários, que tinha sido uma professora e abandonada no altar.
Concordo com Renato Alves. Sou jovem, não conheci essa figura lendária, apesar de já ter ouvido algumas vezes sobre sua existência. Pelos relatos, vê-se claramente que tratava-se de uma senhora esquizofrênica que foi abandonada à própria sorte.
Eu ficava na janela do prédio 19 do Pelourinho onde nasci e morei até os meus 12 anos e a via passar sempre de roxo com uma maquiagem borrada e bem forte tinha muito medo dela, do seu olhar.Tenho Saudades daquele tempo
Conheci a Mulher de Roxo, como era conhecida, chamada, nos anos 60 do século passado, exatamente como é descrita no texto.Era passiva, não ofendia nem ameaçava ninguém. Passei ao lado dela inúmeras vezes e sequer ouvi sua voz. Era um enigma. Depois da morte de Cuíca de Santo Amaro,da Mulher de Roxo, de Rodolfo Coelho Cavalcante que apesar de não ser polêmico como Cuíca também era trovador e vendia seus folhetins entre a parte alta do Elevador Lacerda, e a Praça Cairu e finalmente a transferência da administração estadual para o Centro Administrativo, acabou o centro. Este centro, que tinha a Rua Chile como ponto de convergência e onde ficavam as lendárias lojas Duas Américas e Slpper, de um lado e o Adamastor e o Pálace Hotel do outro,pode sofrer a revitalização que for, não voltará ter o glamour que teve 50 anos atrás. Recordar é viver…
Conheci a mulher de roxo na rua Chile na Sloper pedindo dinheiro mais a sua estória além destas
Contatas dizem que o noivo morreu em um acidente de avia próximo ao casamento e ela enlouqueceu são muitas muitas estores desta lendária senhora que vale apenas lembrar de nossa antiga e elegante rua chule
SEMPRE VIA A MULHER DE ROXO (NOS ANOS 80 E 90) NA RUA CHILE EM FRENTE A CASA SLOPPER, SEMPRE FALAVA COM ELA MAS ELA NÃO RESPONDIA.
ERA FIGURA SIMBÓLICA DA RUA CHILE.
CHEGUEI A DAR DINHEIRO A ELA.
FLORINDA, A DAMA DE ROXO,
uma lenda se tornou:
levou consigo sua história;
a ninguém,jamais,contou.
Foi professora? Foi noiva?
Isso nunca se provou.
Foi princesa? Foi plebeia?
Provado isso não ficou.
Em seu peito, um coração
que alguém abandonou???
De certo só as lembranças
que FLORINDA nos deixou.
Mara Gasbarre/ Jaguaquara
Quando criança andava com minha avó, na rua Chile com meus irmãos, nos anos de 1980 tinha 10 anos, eu e meus irmãos tínhamos medo dela, minha avó falava com ela dava dinheiro pra ela almoçar sempre agradecia falando baixinho. O tempo bom, saudades
Hoje tenho 70 anos. Na época em que a conheci eu era adolescente. figura lendária e educada.
Lembro da mulher de roxo com a boca pintada com um batom ver melho borrado.As funcionárias da Loja Sloper me disseram que dava amostras de batom e outros produtos cosméticos, além de amostras de perfumes. Eu tinha muito medo dela.
Eu era menina quando minha mãe sempre ia na Slopper. Gostava do passeio pela tarde, mas confesso que sentia certo medo e tristeza ao mesmo tempo que via a mulher de roxo
Lembro da Rua Chile dos anos 70 e 80, era motoboy e andava lá quase todo dia, haviam muitas lojas e bancos, e muitas vezes vi a mulher de roxo de longe, mas nunca me aproximei dela. Não há como falar em revitalização, em ruas tão apertadas, e sem estacionamento.
Trabalhei na ladeira da praça nos anos 70, via essa mulher de roxo perambulando por ali, inofensiva mas muito estranha.
ELA ERA MEMBRO DA FAMÍLIA RAINHA DE PORTUGAL E/OU PRINCESA DE PORTUGAL?
Lembro,eu era menina mais nunca tive medo e sim achava estranho a forma que ela se vestia, de roxo ou de preto. Nunca vi vestida de noiva. Ela andava também na Baixa dos Sapateiros. Acho que ninguém soube verdadeiramente a estória daquela mulher e se alguém soube não quis contar. Mistério.
COM O TRAJE COMPLETO DE NOIVA, MAQUIAGEM PESADA, DESFILANDO A TARDE PELA RUA CHILE, LEMBRAVA UMA HIPOTÉTICA CENA SURREALISTA DE ALGUM FILME DE LUIS BUÑUEL.
Na minha adolescência/juventude, inúmeras vezes, passei petinho dela na famosa Rua Chile, em Salvador.
A MULHER DE ROXO: http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/3635068
A reencarnação da mulher de Rôxo se chama Amora Maria , já nasceu aqui em Salvador-ba no dia 05 de fevereiro de 2016 no hospital português e é filha de Paulc Augusto ribeiro Martins.
A reencarnação da mulher de rôxo é a percursora da Noiva de Deus é aquela que veio antes para abrir o caminho da chegada da Noiva de Deus.
Amora Maria que é a reencarnação da mulher de Rôxo já está em Salvador-ba abrindo o caminho da chegada de sua irmã mais nova que é a Noiva de Deus.
Paulo Augusto ribeiro Martins vai ser pai das duas piores pragas do reino de Deus.
Amora Maria a reencarnação da mulher de Rôxo vai ser irmã mais velha da reencarnação da mulher hemorroíssa que é a Noiva de Deus.
Então se a praga da reencarnação da mulher de Rôxo e percursora da Noiva de Deus , já está entre nós é sinal de que a noiva de deus não vai demorar para chegar .
Hoje a tarde ouvi a lenda urbana da “Mulher de Roxo”, fiquei impressionada com sua história; gostaria tanto que ela ainda estivesse perambulando pela Rua Chile e imediações; se ala não mostrasse nenhum tipo de ameaça eu a abordaria com as inúmeras perguntas que fiquei na mente sobre ela agora. Não… não teria medo; acredito que o que ela tinha menos a oferecer era risco.
Sou baiana.Hoje, moro em Brasilia.Na minha adolescência passeava na RUA Chile e sempre encontrava a mulher de roxo.Eu tinha muita pena dela.Dava sempre algum dinheirinho a ela.Agradecia com uma voz fininha.Eu e minhas amigas queríamos saber o que lhe acontecera, mas as histórias eram muitas! Hoje, aos 76 anos, me recordo daquele tempo!