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abril 2011
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Heckel Januário em: O CINÉFILO MEIO RELAXADO

Adquirido na comodidade da mesa de um bar, no momento não pensei que havia praticado um ato politicamente incorreto.

“Complexo: Universo Paralelo”, da mão de um ambulante, é um documentário do cineasta português Mario Patrocínio que narra o cotidiano da favela carioca que há pouco tempo fora alvo do noticiário com a sua invasão pelas forças armadas e policiais militares e civis no combate ao tráfico de drogas.

Filmagem escura devido à má versão, ainda assim concluía ser o filme uma mostra de um Brasil dentre os vários Brasis em que vivemos. E o escolhido, como poderia ter sido alguma região seca do Nordeste, foi o famoso Complexo do Alemão, onde moram impressionantemente como se fosse uma cidade de porte médio, mais de 400 mil pessoas. Como sugere o título, o paralelo tem a ver com o fato de que a economia –das drogas e dos crimes– no Complexo, se faz pari passu a economia normal, do dia-a-dia da cidade. Das leis que norteiam aquela comunidade se destaca a dos traficantes e sua violência; percebendo o espectador que no bojo dessas normas não existia uma de fundamental importância: a Lei da Oportunidade. Ausência esta expressa na condição de vida de seus moradores, indicada no próprio nome “favela”. A exclamação “Como é que se pensa com fome” de um, no diálogo de dois jovens comunas (da comunidade) no decorrer da película concernente a arte brotada ali, me pontificou significativa.

Com o final alertado na telinha, me pus a refletir. No emaranhado de pensamentos cheguei a matutar se o que praticara ao adquirir um CD pirata, não estaria indo de encontro à indústria e ao comércio cinematográfico brasileiro, bem como se não estava sendo insensível –com o perdão dos ambientalistas– na contribuição da “escassa” ração do voraz e sempre faminto Leão oficial. A certa altura flutuando sobre os Brasis, juntei no contexto a ilegal compra da fita (disco, na verdade) e a frase do morador com a Lei da Oportunidade e, como esta Lei não ampara –infelizmente uma realidade– a galera dos chamados “excluídos” da sociedade, tanto a do Complexo do Alemão como a daqui da Capitania dos Ilhéus, busquei inocentar-me da culpa. Afinal, uma transação entre vendedor e consumidor em que o primeiro em especial procura ganhar um trocado para a compra do difícil pão de cada dia, não me parece constituir-se uma falta, já a evidência da Lei da Oportunidade nunca haver conseguido uma abrangência – a rigor, a democracia–, não se pode negar o delito. Ou deveria o cidadão abraçar a marginalidade mais cruel, como ocorre com os dominantes (ou ex-dominantes, desejemos) do Complexo? Seguir as regras como a de pagar imposto num Estado capitalista democrático, claro, é um dever, mas a recíproca em oferecer as condições para uma vida digna ao cidadão é uma obrigação deste Estado, ou não é? Já imaginou –como salientou o promissor artista do Alemão– você “…pensar com fome”, mesmo não desconsiderando as necessárias governamentais Bolsas de ajuda!?

O cinéfilo meio relaxado, doravante, visando não mais cometer a suposta infração, jogará pras cucuia a conveniência do boteco e a do aconchego caseiro, como também estará se livrando da inconveniência de um pirateado de qualidade duvidosa. Mas com uma imposição: que num futuro próximo os cinemas estampem em cartaz uma produção a respeito de um Brasil unificado.


Heckel Januário

1 resposta para “Heckel Januário em: O CINÉFILO MEIO RELAXADO”

  • Auzyra Alves says:

    Acredito que no Brasil a prática diária do descumprimento da Lei nº 9.610/98, que regula os direitos autorais seja a mais violada pelas pessoas. E a rigor seja a Lei mais negligenciada pelas autoridades fiscalizadoras.

    De certa forma é difícil controlar esse comercio ilegal com tanta gente desempregada e sem qualificação. Por que alguns têm a necessidade de obter um ganho para sua subsistência nos chamados bicos e subempregos desse comercio ilegal. Há outros que não têm condições financeiras para adquirir esses produtos por serem onerosos e supérfluos, outros por sacanegem mesmo..

    Embora a arte e a cultura sejam uma necessidade básica, a que não põe em risco a sobrevivência humana de quem consome, por outro lado ela é vital para a sobrevivência das pessoas que tem talento, criam e produzem arte.

    A rigor, os vendedores e compradores desse comércio ilegal servem de laranjas para os verdadeiros criminosos da máfia da pirataria, os que descaradamente ganham dinheiro e mereciam ir para a cadeia. Esses prejudicam aqueles que vivem da arte, da musica etc., que tem necessidade de sobreviver através do dom que Deus lhes deu.

    No seu caso, considerando seu padrão e poder aquisitivo, confessando a “mea culpa”, apesar de não precisar comprar nada pirateado, além de ter o desprazer de assistir uma coisa sem qualidade, contribuiu em parte alimentando essa conjuntura criminal.
    Mas, como atenuante a seu favor, acredito que prevaleceu a benevolência do seu coração ao querer ajudar o vendedor carente para que ele não morresse de fome.

    Não devemos ter pena desses indivíduos não, quem vende produto pirateado pode muito bem vender banana,laranja, doces, salgadinhos ou outra coisa de forma honesta.

    Por outro lado, vamos observar atentamente a sobrevivência de quem produz arte e cultura, eles dependem da consciência das pessoas que valorizam a arte, seu criador, os artistas e músicos talentosos.

    DIGAM NÃO À PIRATARIA

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