Ultimamente ando bastante preocupado; tenho ate perdido o sono algumas vezes pensando em como amparar os desamparados e abandonados na exclusão social. A orfandade é algo triste e traumático, sobretudo, quando se trata de órfãos com mínimas possibilidades de adoção. Não gostaria de estar na pele deles.

A vida desses órfãos começou tão promissora, cheias de planos e esperanças no futuro, mas gradativa e inexoravelmente foram decaindo, arruinando; erodidas pelo descrédito e desconfiança que não há mago do marketing capaz de reverter ao mínimo da banal trivialidade a imagem auto destruída. Não há expectativas e os prognósticos são de lamentações e tristezas no futuro de isolamento.

Tudo começou com a malfadada construção de um ídolo pequeno que, recapeado com camadas e mais camadas de muito cobre e latão; veio por isso a tornar-se um enorme ídolo, propalado e reverenciado como o salvador; o Messias de Ilhéus na era pós-jurássica do nosso festivo Luis XIV, Rei Sol, injustamente cassado e exilado das Terras do Sem Fim. Pena que sendo um ídolo oco, como era de se prever; não suportou o seu próprio peso. Não tinha força alguma e nenhum poder nem motivação.

O Rei Sol nos deixou numa imensa solidão e abandono num reino quase falido após sua compulsória e impositiva “abdicação”. Por sorte, não éramos de todo bastardos de Deus! Dizem que “quando Deus fecha uma porta, abre-nos muitas outras!”. Pois foi assim que se deu. Eureca! Achamos e logo endeusamos um Adônis moreno e vistoso; recapeamo-lo com várias camadas de cobre e lustroso latão e o transformamos no nosso “orixá mor”, nossa deidade salvadora para os 60% dos assustados ilheenses votantes, agora com esperanças ressuscitadas e fé, muita fé no futuro próximo, alias, bem próximo o seria. Nosso carma.

E deu no que deu! O nosso deus orixá mor, o Salvador, nosso Adônis, o ídolo que nós mesmos fundimos e construímos; está caindo aos pedaços do pedestal que teimosamente ocupa indiferente a tudo e a todos. Cometemos um erro crasso, não negamos. Como não somos experientes construtores de ídolos e muito menos, escultores especializados em metalurgia; fundimos o nosso ídolo quase todo em cobre e latão na parte mais visível e os pés, logo os pés; (faltou grana), nós os fizemos de um barro ordinário que não suportou o peso excessivo da imagem que iconografamos em metal sobre argila. Ruiu sobre si mesma!

Com desboroar irrecuperável do “ídalo” falho. Agora nos encontramos com uma bananosa nas mãos e, na iminência de, sem alternativas, termos que lançar às nossas ruas, ao relento; essa imensa comunidade de herdeiros do nada e afilhados bastardos de má sorte, ao desamparo e indigência e ficarmos sujeitos à culpabilidade de causarmos um caos social a toda cidade já tão combalida e depauperada pela enfermidade da má administração. Que aflição.

É muita gente, meu povo! São centenas de cargos, sem falar nos aderentes. Tem os que vieram da Câmara de Vereadores pra cá; tem aqueles rejeitados das siglas; temos os antipatizados pelo povo, os arrogantes e presunçosos, temos aqueles que pensavam ocupar cargos vitalícios, tem aqueles que se supunham acima da lei; os amigos de infância, parentes distantes e os indiretos muito próximos; tem os expatriados por siglas capengas, temos os acolhidos a pedido, os agregados, meeiros e vassalos. Temos gente, muita gente de confiança daqui e de fora. Um desespero. Em comum entre todos, há apenas o doce ócio do “far niente”. Não há como não nos preocuparmos com o futuro dessas pessoas que ficarão ao total desamparo. Como sobrevirão ao desaconchego do dinheiro público? Deus queira que tenham feito “um pé de meia”! Uma poupançazinha!

“O diabo quando não vem, manda o secretário”. E tudo esse drama começa logo agora, quando se dá início à Operação Caça Votos, quando o “povo” agora é “Sr. Povo!”; quando se dá início à distribuição prévia de Indulgências; das promessas mirabolantes; da exibição de vestalidades improváveis e de méritos e atributos etéreos que se volatizam no ar magicamente. Para mim; nem arrancando um bigode inteiro e completando com pelos de outros lugares impronunciáveis, eles, os novos Messias, conseguirão avalizar ou dar-me garantias críveis pelo empréstimo do meu valioso voto cidadão. Não vendo; não troco; não permuto; não cedo em consignação e não empresto. Antes tem que me provar que é digno; tem ficha limpa e um mínimo de honestidade e capacidade de trabalho para obter o meu voto cidadão. Comigo não tem essa de votar nulo. Eu quero votar, mas votar no homem certo. Sou monoteísta; idólatra jamais. Nunca gostei de ídolos; quanto mais “Ídalos”?

Está um tanto tarde para lavar os cueiros sujos deixados pra trás. Já não há tempo para provar se é virgem ou não (todos já sabemos). Não há cabaço algum. Será dificílimo um mágico marqueteiro conseguir recuperar a imagem e sustentabilidade desse “ídalo” responsável por fazer “broxar” todas as nossas esperanças e, contraditoriamente, adubar e fazer florescer o caos, o descrédito, a decepção e a desesperança que imaginávamos seriam por ele erradicadas definitivamente. Ledo engano.

Estou propondo um Fundo Financeiro Voluntário e a construção de uma creche ou albergue (tipo apart-hotel) em Condomínio Fechado. Cada cidadão fará sua doação mensal de R$500,00 para alimentação e manutenção dos albergados na creche, e o Município, com verba federal do “PAC –Minha Casa; minha Vida” executará as obras de construção e instalação do mobiliário condizente dos apartamentos de três suítes e dois quartos (com vista para o mar) em área a ser previamente desapropriada na Alameda (antigo Parque Ariston Cardoso) da Avenida Soares Lopes. É nossa responsabilidade acomodá-los bem!

É o mínimo que podemos fazer para evitar jogá-los à mendicância e exclusão social, quem sabe ate sujeitá-los à marginalidade desse mundo. Afinal é gente boa! Eles não merecem comer o angu de farinha de Araripina que os espera fumegante à mesa. É ou não é? Seja o primeiro a fazer sua doação! Só R$500,00 mensalmente, certo?


Mehmed.