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Carlos Pereira em: Palocci e o PT

A Folha de São Paulo, na edição do último domingo, publicou em manchete principal, com letras garrafais, a notícia, com insinuação de improbidade, que o Ministro Palocci aumentou seu patrimônio 20 vezes num período de quatro anos, tendo adquirido imóvel de quase 7 milhões em interregno de tempo onde teria amealhado menos de 1 milhão enquanto deputado federal (seu patrimônio teria aumentado de quatrocentos mil para 8 milhões). O ministro justifica ser o patrimônio fruto de rendimentos obtidos por uma empresa de consultoria de sua propriedade. Os rendimentos foram declarados à receita federal e, antes de assumir o cargo, ele teria consultado ao Presidente da Comissão de Ética do Governo, o jurista Sepulveda Pertence, se haveria óbices de natureza legal ou ética. Orientado, mudou a natureza jurídica da empresa de consultoria para, exclusivamente, de administração de seus imóveis, não mais prestando consultoria, o que seria incompatível com as novas funções. Aparentemente não existe qualquer ilegalidade nas ações do ministro.

É parte do papel de a imprensa investigar e fiscalizar a vida dos homens públicos e também negócios privados . Infelizmente a mídia nacional é tão representante de determinados interesses econômicos- empresariais e políticos, que força aos cidadãos a desconfiar das razões das notícias, muitas vezes mais versões do que fatos. Por que a notícia foi divulgada somente agora, logo após o governo ter barrado a aprovação do Código Florestal? Ação cujo estrategista é o ministro. Não há dúvidas, visam enfraquecê-lo. A notícia, possivelmente, é um jabuti.

Neste artigo não pretendo discutir as supostas ilegalidades praticadas por Palocci. Acho que elas não existem. O que ele fez, é feito há muito tempo por homens que ocupam cargo chaves nos poderes instituídos e continua sendo feito, ele foi, durante algum tempo, o mais importante ministro do governo, tem relações e informações privilegiadíssimas. Fora do governo, o mundo empresarial lhe paga somente para cumprimentá-lo. Sabe muito e os seus conselhos são preciosos; bilhões de reais podem ser ganhos com uma orientação articulada. Moral e eticamente as ações podem ser discutidas, mas não são juridicamente proibidas.

Aqui quero analisar, em rápidas linhas, as mudanças do Palocci e do PT.

Palocci iniciou a sua militância política na corrente estudantil LIBELU (liberdade e luta), era membro dirigente da OSI (Organização Socialista Internacional), corrente interna na fundação do PT e ligada internacionalmente à IV Internacional Comunista, então dirigida pelo extraordinário economista e intelectual Ernesto Mandel. Posteriormente, Palocci elegeu-se, mais de uma vez, prefeito de Ribeirão Preto e foi mudando a sua orientação política e ideológica. O trotsquismo seria um sarampo da juventude. Sua corrente sempre foi sobejamente (digo a trotsquista) pequena no PT.

O PT foi criado em início da década de 80 do século passado, fruto da junção do sindicalismo moderno do ABC paulista; das organizações marxistas que se opunham à tida política colaboracionista do PCB e do PC do B (de aliança de classe com a burguesia); do forte movimento de base, no campo e na cidade, da igreja católica; e de muitos intelectuais e personalidades da esquerda (das academias ou não, a exemplo de Florestan Fernandes; Apolônio de Carvalho, Sérgio Buarque de Holanda, Marilena Chauí, Antônio Cândido, Hélio Pelegrino e Hélio Bicudo). Significou uma inovação no tipo de organização das forças do trabalho, não nascia como um partido de quadros, calcado nas teorias marxistas, e tinha uma forte vinculação com os movimentos trabalhistas e sociais.Propunha, mesmo que teoricamente não bem desenhado, transformações profundas nas estruturas sociais no sentido de uma sociedade socialista.

Inicialmente nas prefeituras, depois em alguns estados, enfim na presidência da república, o PT mudou. Mantém, ainda, fortes vínculos com os movimentos sociais e trabalhistas (ao menos com as cúpulas); preserva o verniz socializante; dentro de sua militância e dirigentes existem muitos autênticos socialistas, mas a sua prática no poder anda longe das origens. Seu horizonte é uma espécie de “desenvolvimentismo-social-democrático-nacionalizante (pois cede muito ao capital multinacional), porém não tem, pelo menos no estágio atual, qualquer veleidade de transformação radical da sociedade. Parafraseando, no exemplo da história, a revolução bolchevique e as posteriores incongruências na construção do socialismo, então chamado de “socialismo real ou possível”, o PT no poder, em comparação com as idéias originais, é o “PT real ou o do possível”.

No mundo da realidade, os governos LULA e DILMA são avanços, muito positivos, na sociedade brasileira. Insuficientes para convicções socialistas, mas, infelizmente, desejos, creio que de muita gente, inclusive os de DILMA e LULA, não são, por eles mesmos, suficientes e necessários para as transformações sociais e históricas idealizadas. A vida real tem os seus caprichos.

Finalizo com a convicção, não acredito está errando, que o Palocci trotsquista jamais estaria comprando um imóvel de quase 7 milhões de reais, o mundo não lhe daria tal oportunidade. Mudou Palocci. Mudou o PT, este cumpre a sua etapa. “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”. A história continua.

2 respostas para “Carlos Pereira em: Palocci e o PT”

  • guimaraes says:

    OS MESMOS DENUNCISMOS PARTINDO DOS MESMOS PALHAÇOS DERROTADOS. SERÁ QUE TODOS OS DENUNCIADOS TERIA CORAGEM DE MOSTRAR OS PATRIMONIOS EM NOMES DE FILHOS CUNHADOS SOGRA , AMANTES LARANJAS>

  • Paulo queijo says:

    O PT é uma sombra do que pretendia ser, virou o administrador do capital, dando migalhas aos trabalhadores.Somente abestalhdos ou interessados podem achar que o Palocci tem alguma coisa de socialista ou de esquerda.
    Paulo.

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