Proposta é que sejam usadas sacolas biodegradáveis, que se decompõem no ambiente em até 18 meses

Os soteropolitanos podem começar a se despedir das sacolinhas plásticas. Um projeto de lei, aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Salvador, proíbe as sacolas em todos os estabelecimentos comerciais. A proposta é que sejam usadas sacolas biodegradáveis, que se decompõem no ambiente em até 18 meses, contra os 200 anos que a sacola plástica leva para se desintegrar. O comércio terá um ano para se adaptar e sofrerá penalidades se descumprir a leI

O projeto de lei visa que os comerciantes troquem a sacola de plástico, feita a partir do petróleo, pelas sacolas produzidas a partir do milho, cana de açúcar ou mandioca, ou seja, de material sustentável, chamado de plástico verde. Autor do projeto, o vereador Pedro Godinho (PMDB) diz que tomou como exemplo as outras cidades. “Estávamos preocupados com o meio ambiente de Salvador”, esclarece. As vereadoras Andréa Mendonça (DEM) e Vânia Galvão (PT) também assinam o projeto.

Segundo o prefeito João Henrique, o projeto será sancionado tão logo chegue à prefeitura. “Somos favoráveis a toda iniciativa que tem como objetivo a sustentabilidade ambiental, a preservação e a prevenção de graves crises no meio ambiente”, declarou.

Preços

Um ponto que o projeto não especificou é se as sacolas passarão a ser cobradas, como aconteceu em São Paulo, onde cada sacola biodegradável custa R$ 0,19. Segundo Godinho, isto ficará a cargo de cada estabelecimento. “Cabe a cada supermercado, por exemplo, esta decisão”, informa. Já as redes de supermercados ouvidas pelo CORREIO preferem se pronunciar ao serem notificadas.

A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping afirmou em nota que “uma ótima saída é a sacola de papelão, pois pode ser reciclada”. Já Miguel Bahiense, presidente do Instituto Nacional do Plástico, acredita que o problema não são as sacolas plásticas e sim o desperdício. No final de 2008, a entidade começou a fazer campanhas. “Tivemos uma redução de 3,9 bilhões de sacolas, porque houve todo o envolvimento da indústria transformadora”, diz.

Cenário
Estima-se que cada brasileiro use 800 sacolinhas plásticas em um ano. Antes mesmo da aprovação do projeto de lei, estes dados do Ministério do Meio Ambiente já refletiam na atitude das grandes redes de supermercados instaladas aqui. As redes promovem campanhas de redução do uso dos sacos e dão até descontos para quem não utiliza a sacola. Este é o caso do Bompreço: a cada cinco itens comprados, se o consumidor deixar de usar uma sacola, tem R$ 0,03 de desconto.

Outras redes, como o Extra e o GBarbosa, incentivam a compra de sacolas retornáveis, também conhecidas como ecobags, e já disponibilizam caixas de papelão para os consumidores arrumarem suas compras sem usar as sacolinhas. “Conseguimos uma redução de 1,2 milhão de sacos plásticos em apenas um ano”, contabiliza Fábio Oliveira, gerente de responsabilidade social da rede GBarbosa.

No GBarbosa, cada ecobag custa R$ 3,99 e suporta até seis quilos. Já Wedja Rocha, gerente do supermercado Extra da Vasco da Gama, comenta que são utilizadas cerca de  três mil unidades de sacolas plásticas a menos em um mês, por causa da  consciência dos clientes. “Vendemos a sacola retornável pelo preço simbólico de R$ 2,99”, ressalta Wedja.

Vantagem
Hoje, a grande vantagem das sacolinhas plásticas é a comodidade que ela traz para as pessoas. Cremilda da Silva, contadora, diz que até tem uma ecobag em casa, mas como ela não tinha previsto que iria passar no supermercado, acabou tendo que usar a sacola plástica. “Quando vou ao mercadinho perto da minha casa, sempre levo a minha sacola”, diz.

Prós
Ecobags – As sacolas feitas de tecido, conhecidas como retornáveis, podem ser utilizadas diversas vezes, reduzindo o consumo dos sacos plásticos
Cidades – Descartado no ambiente por ser considerado leve e maleável, o saco plástico contribui também para entupir bueiros e facilitar enchentes nas cidades
Poluição – Cerca de 100 milhões de toneladas de plástico boiam sobre as águas e 90% deles são de detritos de sacos plásticos

Contras
Lixo – As sacolinhas de plástico são usadas para armazenar o lixo em casa. Com o fim das sacolas, o consumidor terá que comprá-las
Preço – As sacolas biodegradáveis, que estão sendo usadas no lugar da sacola plástica, são vendidas a R$ 0,19 para os clientes. Ou seja, acaba pesando mais no bolso do consumidor

O que é a sacola biodegradável?
As sacolas biodegradáveis são feitas a partir de matérias-primas sustentáveis, como o milho, a cana de açúcar e o amido de mandioca, conhecidos como plástico verde. A diferença para a sacola plástica é que, feita do petróleo, ela demora mais tempo para se decompor. Enquanto a sacolinha dura até 200 anos para se desintegrar nos lixões, a biodegradável leva um ano e meio. O plástico verde custa 20% a mais que o plástico comum.

Outros estados já aderiram
Capitais como Belo Horizonte e São Paulo já tomaram atitudes com relação às sacolas plásticas. Na capital mineira, elas estão proibidas desde 18 de abril. Já em São Paulo, os clientes terão que pagar R$ 0,19 por cada sacola biodegradável, após acordo firmado entre o governo do estado e a Associação Paulista dos Supermercados.

Hora paga será proporcional
Quem nunca pagou o valor de duas horas pelo estacionamento, mas só estacionou o carro por uma hora e 10 minutos? Com o objetivo de coibir este procedimento comum nos estacionamentos privados de Salvador, um projeto de lei dos vereadores Alcindo da Anunciação (PSL), tendo como coautores Lau (PSB) e Palhinha (PSB), foi aprovado esta semana para garantir ao usuário a cobrança proporcional às frações de hora correspondentes ao período em que  utilizar o estacionamento.

Assim, se o consumidor utilizar o estacionamento por apenas 15 minutos, ele não teria que pagar pela primeira hora, como é autorizado atualmente. “Este é um projeto a favor da população, que é lesada ao pagar pelo que não usou”, diz o vereador Orlando Palhinha.

Segundo o prefeito João Henrique em nota, a este tipo de projeto será dado prioridade na hora de sancionar, já que houve a aprovação de mais de 60 projetos nesta semana. “O projeto de pagamento fracionado para os estacionamentos privados é uma vitória na luta pela garantia e ampliação dos direitos dos consumidores”, declarou. Os projetos, tanto o das sacolinhas como o do estacionamento, devem chegar na semana que vem ao Executivo para a sanção do prefeito.

Luciana Rebouças | Redação CORREIO DA BAHIA
luciana.reboucas@redebahia.com.br