O Hotel España, de Lima, Perú
Por Guilherme Albagli de Almeida
Manuel Chávez, aos doze anos, já mostrava um grande talento para a pintura. Aos dezessete mudou-se de Ayacucho a Lima, para cursar Belas Artes, vivendo no casarão colonial dos seus avós, junto à Plaza de Armas desta capital.
Logo, com uma bolsa de estudos, os seus mestres o mandaram a Madrid e Paris, onde pintou e vendeu muitas telas com cenas urbanas em dias de chuva. Com a Señora Rachel, a sua esposa espanhola, retornou ao Perú, comprando o antigo imóvel familiar e ali instalando o Hotel España, com a sua preciosa coleção de telas cusquenhas e cerâmicas pré-colombianas.
O imponente prédio foi construído no século XVI, numa via pré-existente à chegada de Pizarro à área. Ganhou, a cada século seguinte, um novo pavimento, já tendo abrigado, em diferentes momentos, um mosteiro e um bordel. No terraço panorâmico se harmonizam plantas, pombos, periquitos, arara, papagaio, pavões, gatos, cágados e a “Duquesa”- a vira-lata fleugmática que acredita ser a dona ou a gerente do hotel -.
Embora alta a qualidade da higiene e segurança local, o apartamento com WC, ventilador, TV e água quente custa menos de R$ 28 ao dia. Dormitórios com WC coletivos, apenas R$ 13. Uma corrida de taxi dali a Miraflores, para ver o pôr-do-sol do sofisticado Centro Comercial Larco-Mar, lhe custará R$ 8.
A poucos metros do hotel ficam o Mercado de Artesanato São Francisco; o Parque das Muralhas, do Século XVI; o Palácio do Governo; a Biblioteca Nacional; Museu do Ouro, no subsolo do Banco Central de Reserva do Perú e a Calle Capón, junto ao Mercado Central, com restaurantes, lojas e armazéns atendendo à população chinesa ali presente há 160 anos. Na mesma calçada do España está o Centro Cultural Universidad Nacional Mayor de San Marco, com permanente e significativa programação enfocando a cultura local.
No ônibus urbano se chega a Pachacámac, Paracas, Punta Hermosa, Chincha, ao Museu Larco, com 50 000 cerâmicas pré-colombianas e ao o Museu Nacional de História e Arqueologia, funcionando no casarão que Simon Bolívar viveu no distrito de Pueblo Libre.
A comida local é farta, variada e barata, centrada no peixe, marisco, frango, cordeiro, boi, preá, milho, batata, abóbora, arroz, feijão, limão e pimenta, muita pimenta, de vários tipos. Bons restaurantes? A “Fonda Franciscana”, o “Macchu Picchu” ou o “Murallas” a poucos metros do hotel; a Chifa “Food Town”, no Jirón Unión, N.850; ao lado da Igreja do Parque Kennedy, em Miraflores, fica um bom restaurante de petiscos árabes que toca, num aceno de paz, a nova música israelense.
Todos dali, com carinho e admiração, repetem ser o Brasil “El más grande y más rico país del mundo”. Vale mesmo uma visita.
A TAM, na baixa estação, cobra R$ 1200 pela passagem Ilhéus-Lima-Ilhéus.
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Luan_iosbrasil.net@hotmail.com































































