Heckel Januário em: É ISSO AÍ
O fato da distribuição pelo MEC –através do Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos– do livro didático “Por uma vida melhor” a mais de quatro mil escolas públicas em todo o país causou e está causando a maior polêmica.
Os protetores de um lado da moeda concluem que o livro é uma verdadeira deseducação por ensinar ao aluno a falar e escrever a língua portuguesa errada. A propósito li num desses empolgados artigos que expressões –no sentido de censura– de uso popular do tipo “nós vai…” e “os livros está…” não mais serão considerados erros de concordância. Outro, alfinetando mais, salienta que um dos autores, a professora Heloisa Ramos, “é só instrumento da política educacional do governo petista e está sendo paga para fazer seu papel”.
Tais argumentos, como eu estava com o espírito armado até os dentes, foram pra mim convincentes, me induzindo inclusive a ir de encontro a minha mania de escrevinhar, óbvio motivo de estar aqui metendo o bedelho numa seara de linguistas e gramáticos. “Não ó escrevinhador, bastam os seus erros crassos!”, confabulei comigo. Realmente estive a beira de me precipitar, porém em tempo desarmei o espírito e, me tornando conhecedor do contraditório, ou seja, das razões e explicações dos defensores do outro lado da moeda, mudei o conceito inicial. Argumentadas defesas como a de que a parcela da nossa sociedade, dita inculta, não pode ser tratada “como se esta fosse animais desprovidos de meios sistemáticos de comunicar ideias ou sentimentos”, me fluíram como um raio de convencimento, raio este multiplicado ao sabor de que os que execram o livro, mal, mal leram as primeiras páginas, não chegando perto do capítulo que recomenda ao estudante “…a leitura e discussão de obras de autores como Cervante, Machado de Assis e Clarice Lispector e ensina o modo de leitura, produção e revisão de textos…”, portanto não desprezando a norma culta, como fora insinuado.
Ademais, como é sabido que uma língua é criada pelo povo e sendo assim se transforma, e que todo erro surgido é adiante aceito como verdade pelos gramáticos, bem como se tem como concreto que linguagem é comunicação, não me restou nenhuma dúvida em bater o martelo. Ora, se a opção fosse a inicial, como ficaria a relação com o Baianês, variação linguística e consagrada comunicação do baiano? Aqui na Bahia é ou não é verdadeiro que motorista de táxi é “taquiceiro” para milhões de pessoas?
Minha intromissão chegando ao fim, revelo ainda ter me alvejado na reversão da posição frente à celeuma, o esclarecedor artigo “Polêmica ou Ignorância?” do linguista e escritor Marcos Bagno, me chamando a atenção um trecho em que cita haver ouvido da boca de Carlos Monforte, peso-pesado da GloboNews, a interrogação “Como é que fica então as concordâncias?”; e o Bagno: “E as concordâncias, como é que ficam então?”. Captou a sutil ironia? Bom, deixando na surdina os escorregos de quem não possui muito o direito de escorregar, de lembrança não poderia deixar de colocar no meio da discussão o fabuloso compositor paulista Adoriran Barbosa. Lembra de suas bonitas, cheias de humor e sobretudo comunicativas –e claro, eternas! – composições, embora as letras fossem bem distantes da norma culta? É isso aí.
—
Heckel Januário



























































Heckel,
Se você não lembrar da minha cara, pelo menos é provável que lembre do meu nome, passei uma época da minha vida em Ihéus, onde conversamos bastante.
Bom, vamos direto ao assunto: Sempre leio os escritos que os amigos publicam por esse mundo afora. Considero todos que vivem na mesma tentativa que eu – a de escrever – como amigos. Não vou usar a palavra “companheiros” por motivos… deixa pra lá! Vi o seu texto sobre o livro da Heloisa Ramos. Na verdade eu preciso ter o livro em minhas mãos para cheirá-lo mais de perto. Também escrevi a respeito e, coincidentemente, finalizei um dos textos com o Samba do Arnesto, usando letra e video. No meu blog há dois textos: FALÔ INTENDEU TUDO É CUNVESSA e o outro, HELOISA RAMOS, O MEC E ADONIRAN BARBOSA. Foram bem comentados por causa da bagunça.
Agora temos uma nova na matemática: 10 – 7 = a alguma coisa diferente do que aprendemos na famosa tabuada. Quando eu sair do mato, vou atacar no blog, mesmo porque até hoje conto nos dedos pra ver se não estão me passando a perna no meio da feira. De qualquer forma já nos passam a perna nos trocentos impostos… Uma aritmética diferente.
Abração,
Neuzamaria
http://www.neuzamariakerner.blogspot.com