A frase título deste comentário é o refrão de um samba interpretado pelo grande sambista Diogo Nogueira, filho do eterno João Nogueira.

Fico aqui no meu cantinho imaginando coisas, muitas coisas.

Por exemplo, como deve ser as conversas ao pé do ouvido ou reservadamente entre um alcaide e um edil, claro que não se trata da cidade da Gabriela, mas sim de uma cidade fictícia, se é que existe tal cidade.

Melhor dizendo, como deve ser o pedido do edil solicitando a contratação de um afilhado, de um parente ou assemelhado? Ou ainda como é o pedido para acrescentar na lista o nome de uma família para ser beneficiada com o programa nossa casa, nossa vida? Ou pedindo a realização de uma cirurgia de urgência? Ou um favorzinho para se manter no bloco da situação de apoio irrestrito ao executivo?

Minha gente, tudo isso pode acontecer numa cidade fictícia, ou não pode?

Políticos e políticos têm arte do arco da velha e na hora do vamos ver, meu pirão primeiro.

Ética, compromisso de legislar, retidão tudo isso é coisa do passado, o que interessa mesmo é ajeitar a vida e se manter ocupando a nobre cadeira na praça dos dois poderes, afinal de contas é um trabalho extenuante, com seções por toda a semana e que rende um bom faz-me-rir.

Mas também existem os chiliques quando o alcaide se reta e nega o pedido, as ameaças de retaliação são de imediato acionadas, passa-se para o bloco da oposição e aí se vislumbra o outro lado da moeda.

O bom edil seria aquele que ao assumir a sua cadeira, fizesse de um tudo para honrá-la com dignidade, exercendo a sua função de legislador, de fiscalizador e, procurando acima de tudo, colocar os interesses da cidade como prioridade.

Mas na cidade fictícia, a qual nos reportamos, está muito difícil de acontecer ou aparecer um edil com estes predicados e se aparecer é imediatamente envolvido pelo vício contagiante.

E da melhor qualidade, da melhor qualili acontece nas cidades fictícias, nos estados e na capital federal, ou alguém duvida disso?

ZÉCARLOS JUNIOR