ARUBUMBA SOBRENATURAL
Os mais ‘amadurecidos’ sabem que comecei no rádio muito cedo. Contei parte da minha história numa entrevista que dei ao pessoal do Pimenta poucos dias depois que tive alta lá do hospital. Ainda debilitado e um pouquinho mais feio falei pelos cotovelos e a galera colocou pro povo saber um pouco dessa minha caminhada na comunicação. Disse, naquela conversa, que achava interessante o rádio: uma caixa de madeira, voz saindo lá de dentro e todo mundo sentado assuntando.
Quando a musiquinha do Repórter Esso começava era uma correria danada e quem estivesse aqui ia pra junto do rádio. Eu ficava encucado com aquilo e resolvi saber mais sobre a tal caixa de madeira que falava. O tempo passou e com uns 13 anos comecei minhas andanças pelas emissoras de rádio.
O espelho para qualquer um que enveredasse pelo radiojornalismo era o detentor de uma inconfundível voz: Heron Domingues. Quando, vez por outra, coloco aqui para escutar as lágrimas caem a 3 por 5.
Confesso que lendo uma nota sobre os 70 anos do radiojornalismo, livro lançado neste final de semana, fiquei bastante chateado com a deselegância daqueles que sabem a importância do mito nos meios da comunicação e não me convidaram preu “ver” Heron Domingues.
Guardaram segredo e apenas uns poucos privilegiados tiveram a felicidade de compartilhar tamanha emoção.
É evidente que se eu estivesse na Academia de Letras onde o livro foi lançado e Heron Domingues “entrasse” para apresentar e autografar “seu livro” eu ficaria com os olhos arregalados, todo arrepiado e não arriscaria, sequer, me mexer na cadeira. Mesmo com um dente de alho macho no bolso, um ‘contregum’ bem apertado no braço esquerdo e a cueca pelos avessos, mesmo assim ficaria em estado de choque. Alí, na minha frente, estava o ídolo de todas as gerações ‘radiofônicamente’ falando.
Passada a emoção, daria uma olhada para os pés dele, fixaria meus olhos ao redor do seu corpo para tentar ver a cor da sua aura, enfim, ficaria com os olhos grudado nele e rezando para que ninguém colocasse a mão no meu ombro ou falasse alguma coisa no meu ouvido. Certamente eu teria um piripaque.




























































Heron Domingues demonstrou profissionalismo, fez a locução do ultimo reporter esso e no ultimo dia do ano de 68, fico a imaginar quão dificil não deve ter sido. A carga emocional é perceptivel, não generalizando digo que isto não se vê nos dias atuais.