Jorge Cajueiro em: CHEGA DE VIOLÊNCIA NAS NOVELAS
Todos nós sabemos que as novelas desenvolvem uma trama que retrata a realidade de nosso país, de nossa comunidade. Daí vem a cativar os telespectadores, inclusive eu, que tanto se apegam e se deliciam com o desenrolar de seus capítulos.
Entretanto, justamente por chegar a milhões de lares e apresentar um quadro rico em cenário, carros, roupas e personagens, indiscutivelmente incentivam ou ao menos fortalecem as atitudes condenáveis daqueles que já as praticam ou tendem a assim fazê-las.
No capítulo de ontem (03/09) da novela Fina Estampa, exibida na Rede Globo às 20:30hs, fiquei indignado com as cenas de violência demonstradas, dignas de uma verdadeira tortura praticada a mulheres, como se as mesmas fossem seres que vieram ao mundo prá sofrer. Em uma delas, assistimos um pai que, no seu ambiente de trabalho e aos olhos de terceiros, veste a roupagem de marido exemplar e pai de família zeloso, mas em casa ameaça e espanca covardemente a mulher e a filha. E em outra, a terrível agressão de um personagem moleque, não menos covarde, que vale-se de uma saída com uma garota de programa para agredi-la após ser cobrado pelo uso dos serviços da moça, como se esta não tivesse seu direito à sua satisfação contratual e não se revelasse como um ser humano qualquer.
Ora, repetindo que certamente a intenção do autor de uma novela seja espelhar a realidade de nosso dia dia em capítulos, bem como de que persiste este triste quadro da violencia em nosso mundo, penso que exibir a violência e outras ilicitudes continuadamente a cada capitulo se torna um verdadeiro incentivo a esta nefasta atitude.
Todos nós sabemos que o individuo que apresenta sinais ou tendência à violência, este será muito mais induzido e conduzido a praticá-la quando percebe que a mesma é exercitada em frente aos seus olhos a cada noite, na sala de sua casa. Para ele, se chega a constranger-se em tencionar bater na sua mulher ou no seu filho, a dúvida cai por terra para dar lugar à constatação de que não será o único e por conseguinte estará incluso no sistema de vida atual.
Por outro lado, agrava-se o incentivo à pratica da covardia quando este agressor assiste a capítulos e mais capítulos onde a nefasta pratica continua a ser exercitada, ocorrendo somente a reviravolta e a esperada justiça tão somente nos dois ou três últimos capítulos da novela. Torna-se um cenário desigual, onde acha-se muito mais fácil que lições de agressões sejam muito mais assistidas ao longo de sete meses do que o revide por meros episódios derradeiros.
Para mim, desta maneira a que assistimos, sobrevive lições de incentivo à violência de forma muito maior do que se possa parecer em detrimento da necessária tentativa em coibi-la. Meus protestos.


























































