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setembro 2011
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Roberto Carlos Rodrigues em: A Saga de Notwen Calunga

Naqueles tempos o Brasil era conhecido como Pindorama e a região de Ilhéus se chamava Nhoesembé. Na Praia das Conchas viviam os índios Tupis e entre eles o abá Notwen Calunga, exímo atleta, fluido nadador e principalmente encantador de corações das belas cunhãs. Notwen Calunga tinha uma farta cabeleira, a qual cuidava diariamente com óleo de copaíba e banhas de guarás. Notwen era um homem contemplativo e gostava de ficar na sua oca no cume do Monte da Juçara olhando o mbara se perder nos domínios de Iara. Notwen não era o que se podia se chamar de grande guerreiro. Preferia o sono à guerra e o esporte ao trabalho. Só pescava quando precisava comer e só caçava para se manter atlético. Dessa forma viveu feliz Notwen Calunga até o dia que, por descuido do destino, ele tomou uns cauins a mais e se candidatou ao cargo de sub-morubixaba dos índios da Praia das Conchas. Não tardou a eleição ganha e o morubixaba Barriga-Mole se envolveu numas maracutaias medonhas e foi expulso da aldeia de Nhoesembé. Notwen teve então de assumir o cargo principal. Naquele dia, começou o seu apecum movido a nhenhenhém e seu añaretá de ibituruna. Pobre Notwen, nascido para viver na beira-mar ao sabor dos ventos, teve de ser morubixaba sem querer e saber e cuidar de um povo com esperança abalada. Cercado de todo tipo de goitacás, ele logo descobriu que não era fácil tocar o maracá nem tão pouco ensinar as jeroquis dos jabrós. Notwen, que era sorridente e festeiro, logo ficou muzumbudo e triste. Era o peso da responsabilidade morubixabista. No outrora corpo atlético e moreno, começaram surgir dores de todos os tipos de sortes e azares. Os amigos se afastaram e os macuins das coisas públicas rondavam nas sombras da grande tapa das decisões. Um dia, sem mais nem menos, Notwen Calunga teve um piripaque provocado por um angu de caroços azedos e quase bateu a caçoleta. Levado ás pressas de canoa para a tribo dos Tabaréus, ele foi atendido prontamente pelo pajé Saguaçu, homem de grande sabedoria que logo o diagnosticou. Alertou o pajé Saguaçu como quem faz uma profecia: – Notwen Calunga, você já ouviu a música Vamos Dançar, de Ed Mota? A sua cura está naquela letra. Ouça-a já, pelo amor de Tupã, senão aí… Aí, já é outra estória.

1 resposta para “Roberto Carlos Rodrigues em: A Saga de Notwen Calunga”

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