O  7 de Setembro seria como outros se no Distrito Federal um acontecimento da maior relevância, a Marcha Contra a Corrupção, não tivesse acontecido.

Nascida apartidária e do clamor popular, a meu ver ela parodiou o velho slogan da saúva e, aos três poderes da República disse: Chega, “Ou se acaba com a corrupção, ou a corrupção acaba com o Brasil”.

Como brasileiro os festejos solenes da data, apesar dos pesares, ainda me enchem de júbilo e emoção, agora, o lado cidadão cansado de tanto sentir prosperar este mal na política brasileira, não poderia deixar de entender que o garbo de uma parada, de um desfile pode simular um Brasil ético e esconder debaixo do tapete uma terrível realidade.

Cá de fora das quatro linhas, aqui da Capitania dos Ilhéus, do noticiário captava os protestos através de faixas, cartazes e outros recursos direcionados a instituições e autoridades. E eram variados como, por exemplo, um que clamava pela aplicação da Lei da Ficha Limpa; outro pedia a saída do presidente da CBF- Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira.  Um, porém muito sugestivo pareceu sintetizar os demais ao relacionar o ditador líbio Muamar Kadafi à política brasileira com a faixa “Kadafi, não importa o seu passado, no Brasil você pode ser deputado”, irônica lembrança de que qualquer um pode se candidatar a cargo político sem a necessária avaliação da ficha criminal. Entendeu? Precisa dizer mais alguma coisa?!

Logo após o evento, à sua grandeza, homens de bem e entre estes, representantes políticos –raros, infelizmente com  tal qualificação–, a  igualaram  a do impeachment do ex-presidente Collor. Dia seguinte no Senado pegando o gancho Pedro Simon apelava para um entendimento com a oposição para uma eleição de princípios objetivando pôr fim à “infidelidade partidária” e tornar a corrupção um crime hediondo; Álvaro Dias se manifestava a favor de uma CPI, e Cristovão Buarque intimava a Presidente Dilma a antecipar tais fatos antes de pipocarem nos meios de comunicação, condição de não aceitar a formação de uma Comissão Parlamentar para investigá-los.

Não tive a oportunidade de assistir a opinião dos deputados pela sua TV, provavelmente os consequentes se pronunciaram. Como se sabe a reputação desta Casa na opinião pública, pelas continuadas e já avolumadas ocorrências nada abonadoras, é ruim; com a recentíssima “votação às escondidas”, que absorveu uma deputada da cassação, tudo indica haver piorado. Além disso, é bom lembrar, o Congresso Nacional foi um dos principais alvos de protesto da Marcha.

A organização não aceitou a participação de Partidos Políticos. Pra que se a desvios de dinheiro público o Partido sem exceção simplesmente se  o acusado for um partidário por  incrível que pareça faz vista grossa! E vai às últimas conseqüências se dentro dele for “bicho grande”, mesmo publicamente desmoralizado!

Bom, o importante é que a Marcha Contra a Corrupção na capital da República valeu, marcou e fez a diferença no 7 de Setembro de 2011. Que a iniciativa dos cidadãos brasilienses sirva para motivar neste sentido outros “gritos de guerra” por todo o Brasil.

 

Heckel Januário