Foi uma facada nas costas, a gente era muito amigo, relata a mãe da garota morta sobre o ex-sargento acusado pelo crime

O repórter da rádio Andaiá Fm, Reginaldo Silva, esteve ontem, 28, acompanhando o julgamento do ex-sargento Eduardo Claudino Lindote que acontece na comarca de Santo Antônio de Jesus. O ex-sargento é acusado de estupro seguido de homicídio de Geisa Gabriela, na época com 15 anos. O crime aconteceu no dia 09 de dezembro de 2004, na cidade de lhéus.

Segundo Reginaldo Silva, o julgamento que começou na manhã de ontem seguiu tranquilo, com apenas alguns momentos de tensão. Ao todo, 15 testemunhas de acusações foram ouvidas ontem. Para ele, os momentos de destaque ficaram por conta de duas testemunhas que alegaram terem sido coagidas para mentir em seus depoimentos.

Uma testemunha afirmou que foi obrigada a assinar um depoimento, com uma arma na cabeça, que poderia ter sido um cigano o responsável pelo crime. Outra testemunha relatou que foi procurada pela irmã do ex-sargento, para mentir sobre a cor do carro que ela viu na noite do crime. Assim a suspeita cairia sobre outra pessoa.

Outro destaque foi a fala do advogado de defesa, Robson Cavalcante, que fez a seguinte afirmação: “A materialidade é presente, a menina morreu, mas temos que buscar o verdadeiro culpado. A polícia na época se constrangeu, ou seja, ficou com apenas um suspeito. Foram ventilados outros nomes que a polícia sequer tomou conhecimento”, disse.

Entrevistado pelo repórter, o advogado Robson Cavalcante, responsável pela defesa, disse que a linha seguida será negar a autoria do crime. Já, o advogado de acusação, Davi Pedreira, segue a direção de que os indícios confirmam que Eduardo Lindote é o autor do crime.

Ozilda e Gabriel Marinho, pais da menina Geisa Gabriela, também conversaram com Reginaldo Silva sobre os momentos de tensão que estão vivendo no julgamento e a busca por justiça que já duram sete anos. Segundo a senhora Ozilda Marinho, tem sido muito difícil reviver as emoções da morte de sua filha. “É como se o filme passasse pela sua cabeça, eu sei que tem muito sofrimento pela frente no julgamento, mas até agora eu estou em paz”, disse.

A mãe da vítima disse que o dia do crime foi desesperador, até mesmo pelo perfil da filha que sempre foi uma pessoa tranquila, com poucas amizades. “A minha filha era uma pessoa calma, tranquila, tinha poucas amizades, na sala do colégio ela tinha três amigas. Ela era muito restrita, era uma pessoa tímida. Você chegar em casa e não encontrar é desesperador”, relatou a mãe.

Ozilda Marinho disse ainda que era amiga do ex-sargento. “A gente era muito amigo, ele me apresentava como irmã”, disse. Descobrir que Eduardo Lindote estava sendo acusado do crime, para a mãe de Geisa, foi uma grande decepção. “Foi como tomar um banho de água gelada, foi uma facada nas costas porque a amizade era forte, a gente sempre foi muito amigo”, contou Ozilda Marinho.

Ela relatou ainda que nos sete anos que passaram após o crime, nunca foi procurada pelo ex-sargento para uma satisfação, ou até mesmo uma tentativa de negar a autoria do crime. Questionada se, em algum momento, ela tem dúvidas sobre Eduardo Lindote ser o assassino de sua afilha, ela disse: “Hora nenhuma eu penso nisso, foi ele com toda certeza, eu só não tenho mais certeza que foi ele porque eu não vi”.

Gabriel Marinho, pai de Geisa Gabriela, disse que sua expectativa é que a justiça seja feita o mais rápido possível. “São quase 7 anos de luta, eu só quero que isso acabe. A justiça de Deus já foi feita, queremos a justiça dos homes para fechar essa lacuna”, afirmou Gabriel Marinho.

O pai de Geisa disse ainda que não conhecia a lista de crimes cometidos por Eduardo Lindote. Só depois do assassinato de Geisa, com as investigações da Polícia, que a família descobriu os crimes.

Hoje serão ouvidas 4 testemunhas de defesa. A previsão para o término do julgamento, segundo Reginaldo Silva, é até o final da tarde de hoje, quando a sentença deve ser anunciada.

Por: Camila Moreira
No site da rádio ANDAIÁ FM.