VELHOS CARNAVAIS
“Herval é o maior.
Herval é que é o tal.
Que coisa louca, que coisa rara.
Herval não respeita a cara”.
Lembro-me muito bem que nos antigos carnavais de Ilhéus, todos os blocos tinham a obrigação de passar na frente da casa do prefeito Herval Soledade.
A parada era obrigatória, pois de lá recebiam o sorriso do prefeito e a acolhida com a tradicional pixixica e cinzano.
As amendoeiras da praça da catedral acolhiam os blocos em suas evoluções, o couro comia pra valer.
Era o carnaval do povo, dos blocos dos sujos, do urso que se agarrava nas pernas das pessoas pedindo uns trocados, das escolas de samba de Agostinho e Mundinho, da batucada de Toroco e Querri.
A avenida fervilhava de alegria, pois o povo gostava de curtir o carnaval pelo dia e os clubes sociais pela noite – Comerciários, Bancários, Social, Protetora, Social do Pontal.
Porque não resgatar este carnaval? Carnaval com a cara de carnaval, com o povo participando alegremente e sem a necessidade de ter a presença de bandas caríssimas, apenas os artistas da casa mostrando seus talentos e fazendo todo mundo dançar e cantar.
Que saudades desses tempos.
Tengão, Caxambi, Só o Amor Constrói, Bloco dos Trinta, Escola de Samba de Agostinho, de Mundinho, batucada de Toroco e Querri, Pierrô e Colombina, Tá na Cara, os afoxés de Pai Pedro e Os Pauzinhos do Pontal (Cabo Jonas) e tantos outros que fizeram história nos nossos velhos carnavais.
Este ano, mais uma vez, os bairros promoveram seu carnaval, com inúmeros blocos nas ruas com muita alegria e descontração.
No Pontal foram destaques os blocos Zé Pereira, Secacopo (Maestro Clélio), As Muringuetes, as Viuvinhas do Leleco.
Na Princesa Isabel o 20 Te Comer, os moradores da Urbis curtiram os blocos que alegraram todo o eixo central, na Barra, o Barra em Folia saiu arrastando a multidão, o irreverente Fodinhas do Malhado, o Teotônio Vilela com sua escola de samba, enfim, o povo de Ilhéus fez o seu carnaval.
Lembro-me ainda que naquele tempo a prefeitura destinava uma ajuda financeira para as agremiações, era uma maneira de incentivar que os blocos fossem à avenida.
Pelo que vimos este ano, já está na hora do poder público repensar o carnaval de Ilhéus, sem necessidade de investir na contratação de grandes e onerosas atrações, pois se organizando um carnaval popular, com os artistas locais, resgatando grandes blocos que fizeram o povo cair na folia, com certeza vamos voltar a desfrutar do tradicional carnaval popular, o povo nas ruas atendendo ao chamado do Rei Momo, primeiro e único.
Já pensaram ver de novo na avenida o Tengão, Só o Amor Constrói, Chuparindo, Bloco dos Trinta, revivendo os velhos carnavais?
Fica aí uma sugestão para o próximo prefeito e sua equipe.
A montagem de uma programação para cada bairro da cidade também seria uma maneira de descentralizar a festa e criar novas opções de participação popular.
O povo não exige coisas do outro mundo, quer apenas a contribuição efetiva da prefeitura, pois o resto fica por conta da espontaneidade dos carnavalescos.
ZÉCARLOS JUNIOR





















































Caro amigo José Carlos, considero-me feliz de ter vivido essa época. Era um privilegiado. Isso porque morava na Rua Cel. Paiva, 93 (hoje existe um prédio no local), ou seja: na mesma rua em que morava o prefeito Herval Soledade. Portanto, assistíamos de camarote (meus pais e irmãos)o desfile da maioria das agremiações carnavalescas (blocos,afoxés e batu- cadas). Como esquecer os tradicionais Pierrô e Colombinas, bloco da conquista, os afoxés dos Pauzinhos e de Pai Pedro, entre outros! A concentração era na praça das generosas e frondosas amendoeiras. A Av. Soares Lopes era toda ornamentada com luzes de diversas cores e em forma de máscara de carnaval. Isso sem falar na alegria e animação contagian- tes dos fuliões daquela época.
Se não estou enganado, houve um carnaval em Ilhéus muito comentado em todo o Brasil pela beleza e animação, superando até o carnaval de Recife.
Ao relembrar o carnaval de Ilhéus não se pode esquecer dos prefeitos Herval Soledade e Henrique Cardoso.
Lembro-me também da marchinha do Henriquinho, como era chamado, em época de eleições, que era mais ou menos assim: “Henrique vai ganhar, Ilhéus inteiro no seu nome vai votar;…….eu bebo até me afogar; deixa as águas rolar, Henrique vai ganhar…”
Tudo pode voltar a ser como antes, mas depende, fundamentalmente, do interesse das autoridades constituidas, que não precisam gastar tanto, apenas usar mais a criatividade.