por Guilherme Albagli

Há muitos milênios, nas encostas do Monte Carmel, descobriu-se ser possível semear o trigo e, depois, colher sem ter que buscá-lo espalhado nos campos, onde nascia naturalmente. Surgiu a Agricultura. Moíam o cereal e, com a farinha, inventaram o pão. A população cresceu, a idéia se espalhou e iniciou-se a “Revolução Agrícola” – um dos maiores saltos culturais da Humanidade -. Surgiram as profissões, a cerâmica; a pecuária, as classes sociais, a irrigação e as primeiras aldeias e cidades.

Um grupo humano se dedicou à comunicação entre aqueles primeiros centros urbanos. Eram os Habíru, ancestrais dos Hebreus, que transportavam mercadorias, rebanhos e, de vez em quando, paravam na periferia das cidades para trabalhos eventuais; paravam por breve tempo pois ali grassavam doenças contagiosas provocadas pelos rituais religiosos onde o sexo grupal era parte fundamental da sua liturgia. Outras práticas, inconvenientes ao crescimento social, eram também comuns, como a estranha oferenda , numa vasilha, obrigatória aos rapazes e homens cananeus ao seu deus Baal.

Nas cartas achadas nos arquivos do Faraó Akenaton aparecem as mais antigas referências aos Hebreus já disputando a sua futura “Eretz Israel”. Nos conta a Torá que o chefe de um destes grupos, Israel, desequilibrou a sua preferência pelos seus filhos, levando os irmãos mais velhos a venderem o irmão mais novo a caravaneiros que o levaram ao Egito, como escravo. Sua fama de bom intérprete de sonhos o aproximou do Faraó, que o elevou ao cargo de Primeiro Ministro do mais poderoso país do Planeta, na época.

Este jovem, Yosêf, convida a sua família a descer ao Egito. Esta se multiplica e isto desagrada aos antigos ocupantes da terra. Um príncipe egípcio nascido Hebreu, Moshê Rabenu, os liberta, os conduzindo de volta à terra do velho Patriarca Israel.

No caminho, registram um código legal sacralizado com mais de 613 mandamentos: trabalhar; crescer; multiplicar; ocupar a terra; não maltratar animais; não idolatrar, não matar. O último mandamento: “não desrespeitar o direito de herança dos parentes”.

Quase todos os primeiros verbos empregados no Livro do Gênesis da Torá se referem ao dinamismo necessário à manutenção e expansão da Vida. Ali aparecem recomendações morais, higiênicas, estéticas, gastronômicas e rituais, estas últimas para agradecermos ao Criador do Mundo pela Vida que nos permite e pelas alegrias e prazeres que nos são possíveis, como estarmos vivos para aperfeiçoar a sua grandiosa obra aqui neste mundo.

Guilherme Albagli