Amado, mas nem tanto assim…
por Alderacy Pereira da Silva Júnior
Tristemente publico este texto, porque vejo que nossa Ilhéus precisa acordar do “sono” e pulsar sua rica cultura. Tristemente testemunhei o Museu Casa de Cultura Jorge Amado, ser pintado ainda na véspera do grande clímax do Festival Amar Amado, e amanhã ainda vamos prometer mais uma vez a tão esperada reformada do cartão postal mais visitado da cidade. Tristemente constatei que este Festival está muito longe da merecida e honesta homenagem a quem tanto fez por nossa Ilhéus.
Não vejo motivos para tanta festa em Ilhéus!
Eu não vejo motivos para tanta festa em Ilhéus, embora o tema seja Jorge Amado. E que tema! Todos os dias eu ando pela Rua Jorge Amado e me deparo com o lindo e maltratado Palacete Amado, com 15 anos de reinauguração, com a presença desse notável escritor. Me parece que um ano antes deste badalado centenário do Amado a Fundação Cultural de Ilhéus (FUNDACI) apresentou ao Ministério da Cultura (MinC) seu projeto de restauração, que além de muito tardiamente, ainda mantém o Museu Casa de Cultura Jorge Amado sem o devido tratamento museológico e mesmo cultural. Imaginem que não temos folders em nenhuma das línguas (incluindo a Língua Portuguesa e cobra-se a taxa de R$4,00), englobando as versões estrangeira do nosso baiano e universal. Na Fundação de Cultura Jorge Amado, no coração do Pelourinho de nossa Bahia (Salvador) tem mostra de bons exemplos de material de promocional, serviços e produtos, inclusive com traduções para o público estrangeiro e obras em diversas línguas.
Não sei quantos será gasto ou já foi gasto, porém não vi propaganda nas estradas e em pontos estratégicos do Estado da Bahia, e mesmo em Ilhéus, Itabuna e Salvador. Não sei se tem algo em Ferradas! Essa seria uma excelente oportunidade para todos os envolvidos com o turismo (cultural) para ganhar e mostrar o diferencial do destino Ilhéus – Terra de Jorge Amado. Lamentavelmente, constatamos o contrário. Mas ainda há tempo para alterarmos isso tudo…
Quanto à produção global Gabriela (2012),
excelente, mas lamentavelmente não foi gravada em Ilhéus. “Comemoramos” algo que poderia ter sido realmente produzida na rainha do Sul (para usar uma expressão jorgeamadiana), perdemos a chance de exibir os casarões e nossas praias. Um dos cenários descritos por Jorge Amado, o famoso e amadíssimo Grupo Escolar General Osório em situação crítica e ainda nesse espaço o restante do arquivo dessa cidade mais velha que Ouro Preto (patrimônio da humanidade). Ganhamos o título de Cidade Cultura. Resta-nos saber: que cultura é essa?
Não vi em nenhuma escola local em tempo hábil o convite para o concurso do Reinvente Ilhéus, que em minha opinião deveria ser ampliado, claro, com bastante tempo para todo território nacional. Como não vejo nenhum material impresso sendo distribuído em pontos estratégico e espaços culturais com a programação deste mega evento.
Eu quero um amor diferente para Jorge Amado! Eu quero um projeto de leitura para focado na leitura literária, com muitos livros do Amado nas mãos de nossas crianças e jovens. Eu quero uma biblioteca bem localizada e aberta para comunidade, com tratamento qualificado. Eu quero que a placa colocada junto ao busto de Jorge Amado, no Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, seja corrigida: a palavra “grapiúna” não perdeu o acento, mesmo com reforma ortográfica. Eu quero uma Casa de Cultura Jorge Amado reformada e com boa arrumação, mostrando os bens adquiridos, com se possível um inventário disponibilizado para todos. Eu quero que todos leiam bastante… Eu quero muito uma Ilhéus mais cultural, porque aqui “tudo é Jorge”. Deve continuar sendo, sobretudo com os devidos cuidados. Francamente, eu gostaria que o Palacete Amado fosse administrado pela Fundação Cultural Jorge Amado, para que os turistas e todos ilheenses possam desfrutar de um serviço que englobasse o rico acervo dessa Instituição merecidamente reconhecida e tão importante para manter “viva a memória” do nosso grapiúna Jorge Amado.
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Alderacy Pereira da Silva Júnior é jornalista e professor, visitante da Casa Jorge Amado de Ilhéus desde 2000, apaixonado pela literatura jorgeamadiana. Possui artigos publicados no Blog Eu Vejo Arte, no Jornal da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz) e demais órgãos da imprensa grapiúna. Em Minas Gerais, nas cidades de Ouro Preto e Mariana teve atuação jornalística em destaque como assessor de imprensa e revisor de texto – jornais e revistas. Contato: alderacy1@gmail.com




























































