HORÁRIO ELEITORAL: CÔMICO, MAS TAMBÉM TRÁGICO
Ilhéus, Itabuna e todos os outros milhares de municípios brasileiros assistem, neste período, a uma verdadeira tragicomédia. É a famosa propaganda eleitoral, que mostra, do radinho de pilha à tela da TV, os candidatos a vereador, cada um com seu marketing pessoal nada modesto, exaltando como suas divinas virtudes as obrigações básicas de qualquer ser humano que se preze: ser trabalhador, digno e honesto. As promessas são as mesmas de sempre: ajuda aos mais carentes, apresentação de projetos (quais? quantos?), luta por melhorias na saúde, educação e segurança, blá blá blá, etc, etc.
Indiscutível que existe o lado cômico nessa história. Os apelidos, o jeito de falar, a maneira de alguns lerem o texto, as musiquinhas e os slogans.
O lado trágico é preocupante. Fora raras exceções, é evidente que a maioria está apenas em busca de um emprego onde pode cruzar os braços por pelo menos quatro anos e receber um bom salário no fim do mês. Além disso, ainda existem as pessoas que mal sabem assinar o nome mas, por serem populares em suas comunidades, embarcam nessa aventura sem sequer ter a mínima noção do papel do vereador na sociedade. Se eleitos, e vários são, passam o mandato, quando muito, praticando assistencialismo barato (paga um conta de água pra fulano, arruma uma amostra grátis de remédio pra sicrano, arranja uma carona pra levar beltrano ao posto de saúde, uma cestinha básica aqui, outra ali e por aí vai), já de olho no próximo pleito. Muitos têm a cara de pau de cumprir o mandato inteiro sem apresentar um só projeto, às vezes até por nem saber o que é um projeto.
Esses serão. mais uma vez, nossos representantes nas câmaras municipais Brasil afora.
Cabe a nós, eleitores, aprendermos a garimpar os poucos grãos de trigo no meio do joio, encontrar as poucas agulhas no palheiro e não desperdiçar o voto em troca de certos favores, presentes, abraços e sorrisos.
Nilson Pessoa



























































