A meu ver as recentes notícias veiculadas nos meios de comunicação referentes à 6ª economia do mundo foram compostas de algumas doses polêmicas.

Umas delas diz respeito ao destaque qualificativo do IDEB –índice que mede o desenvolvimento da educação primária– dado aos colégios militares, tanto do Exército como da Polícia Militar. Para os dirigentes dessas entidades o sucesso se deve à rigidez hierárquica, disciplinar e pedagógica usada. No sul a Bahia um exemplo é o Colégio da Policia Militar de Teixeira de Freitas.

Vale lembrar que em engenharia, notadamente na de estradas rodoviárias, a instituição responsável pela defesa da nação, diante de escândalos de obras superfaturadas de empreiteiras, sempre se portou quando acionada, com uma eficácia de fazer gosto, e o dinheiro sobrava.

Outra advém da ONU que em seu relatório apontou a diminuição da pobreza no Brasil, no entanto o classifica como o 4º país mais desigual em distribuição de renda da América Latina, só ficando atrás de Honduras, Guatemala e Colômbia.

Pois bem. É claro que o uso de forças armadas como agente produtor numa economia como a nossa que necessita gerar milhares de empregos ininterruptamente, soa meio incongruente, porém se for considerado a contínua carência de mão de obra qualificada para o setor empresarial e que para pavimentar tal caminho se faz necessário uma educação de base também qualificada, o embaraço é de cara percebível, como pode dar margem à suspeição de um novo sonho fardado versão século XXI.

Mera suspeição, mera suspeição! Bom, o anunciado seguinte ao mostrar um povo que teve a pobreza diminuída pari passu a uma renda concentrada na mão de poucos sob a égide de uma economia considerada a sexta do globo terrestre não resta dúvida poder suscitar controvérsias! Abordar então esta realidade, consequência de problemas sociais enraizados de séculos, é envolver aquela máxima: vale mais dar o peixe ou ensinar a pescar? Arrogo-me sem titubear: valem as duas coisas. Vai perceber o prezado leitor que a política assistencialista tem lá seus motivos e é muito válida, mas mais importante ainda é a da valorização do “trabalho”. Isso seria o mesmo, em meu parco entender, que colocar, contando com o auxílio das formidáveis taxas de crescimento econômico, e claro, do PIB (arrefecido no semestre passado em razão da crise européia, mas nada assustador), a rédea nesse animal ‘monstrinho’ chamado “concentração de renda” e conduzi-lo a disposição do povão.

Ó, a eleição da brasileira Dilma Rousseff pela Forbes, conceituada revista na área de negócios e economia do mundo capitalista, pela segunda vez consecutiva a terceira mulher mais poderosa do planeta (a chanceler alemã Angela Merkel e a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton pegaram respectivamente a primeira e segunda colocações) não tem nada a ver com as notícias contraditórias, aliás, pedindo vênia pelo plágio ao hino britânico, “Deus salve a Presidenta”, pois Sua Excelência tem se desdobrado para domar o bicho. E tá na hora, pegando a deixa do pleito de outubro, dos patriotas e dos bem intencionados futuros alcaides e edis (se bem que agora com o julgamento do mensalão pelo STF, a rapaziada pensará duas vezes em meter a mão no erário), ajudarem a representante maior na empreitada de levar o “irracional” ao destino; e nas outras labutas relacionadas a humanos e/ou humanóides de igual periculosidade.

E ao cidadão aqui, a rebarba da contribuição em ser mais parcimonioso no ingerir das doses.

Heckel Januário