ILHÉUS – UM PREFEITO ASSALARIADO
Em 16 de dezembro de 2010, portanto, quase dois anos antes, da data de hoje, parecia eu adivinhar o que aconteceria com a administração atual do prefeito de Ilhéus. A matéria na época por mim assinada, com o nome fictício de Pedro Arcanjo, pois era necessário por motivos intra funcional municipal, que assim eu procedesse. Agora, neste período de isenção, posso finalmente assinar o meu nome.
Evitei, por conta disso, retaliações contra pessoas muito próximas a mim.
O texto da época dizia o seguinte:
“Tudo começa em 2004, como num passe de mágica o nosso prefeito, que foi fruto de um convite do senhor Valderico Reis, quarenta e oito horas antes das eleições. Assume o cargo de vice e numa benção dos céus inicia uma jornada do meu salário no bolso. Sem nunca incomodar, sem nada fazer, sem nada dizer, vai levando dignamente seu salário para a conta bancária.
De repente, numa reviravolta na política desastrosa do ex-prefeito Valderico, que é barrado por um impeachment de continuar seus malfeitos na combalida Terra dos Sem Fim, por decisão meio do povo, meio dos vereadores, que se viram ameaçado em seus brios e ótimos salários.
Nasce então o prefeito parido desta ruptura e troca seu salário de vice para o da autoridade maior do município, também conduzido para sua conta bancária, numa espécie de reserva de meu futuro garantido.
E a cidade que esperava um administrador sem precedentes na história de São Jorge dos Ilhéus, baseado no engana que gosto, do feijão com arroz de 2008, se vê diante do marasmo, do deixa-me calado, e, enquanto isto, salário mês a mês é depositado na conta bancária.
Tudo absolutamente legal, seu salário tem que ser pago, afinal de contas é um funcionário público municipal, com carteira assinada, o que não é moral é recebê-lo sem nada fazer para emboçá-lo.
Sua meta, seu projeto, vem dando certo – deixem que falem de mim, deixem os vereadores fazerem o que querem desde que não me incomode, deixem o povo reclamar, deixem os secretários falarem por si e por mim, não me sinto envergonhado, não irei renunciar e pronto!!!!!!
O que pretendo mesmo é ser ASSALARIADO e reservar nestes cinco anos pelo menos UM MILHÃO DE REAIS, lícitos devidamente contabilizados na folha de pagamento, com descontos legais da Previdência e Imposto de Renda. Não preciso usá-lo, pois meu outro salário de aposentado bancário, sempre deu pra viver – sou um homem simples, cauteloso, poupador e conservador.
Quanto à pobre cidade, que espere para 2012, e eleja quem quiser tô nem aí – meu período que esqueçam, como me esqueci de trabalhar por ela, de falar por ela, de honrar por ela, mas também pra quê?!!!!!!!!!!! O povo brasileiro só vai aos tombos, levado pela imprensa, pelos falsos caras-pintadas, pelos políticos oportunistas e como se vê, não é hora ainda – Ilhéus agüenta um pouco mais, e mais alguns tropeços e quando o povo acordar o prefeito assalariado já terminou seu mandato.”
Não sou “vidente”, mas parece que, com antecedência, o desastre já era anunciado…
Rezende



























































