por Edgard Siqueira

Sou um dos afetados pela criação da reserva indígena em Olivença. E, como milhares, tenho vivido diuturnamente este pesadelo. A distancia  (por imposição)  acompanho a luta dos Peq. Agricultores na busca da solução para este drama. A Associação criada para defendê-los, nas eleições passadas defendia o suprapartidarismo. Entendendo que não estávamos em condições de recusar a ajuda de quem quer que fosse. A orientação dada era a do livre arbítrio eleitoral. Resumindo, não tomar partido nem de A, nem de B e nem de C.  Certíssimo.

Mas, infelizmente, nesta campanha municipal esta acertada postura mudou. A Associação  partidarizou, saiu de cima do muro de onde não deveria nunca ter saído sem uma justificativa plausível.  Nessa aventura no escuro ninguém sabe o que acontecerá  se a opção escolhida não for à vitoriosa? Quem sairá perdendo com esta mudança de estratégia?  Ao contrario, inteligentemente, os nossos adversários abrem as portas para todos os postulantes, criando um verdadeiro arco íris de apoio politico.

A opção pela coligação escolhida  é incondicional, a ponto de liberar o movimento para apoiar um representante quilombola. Representante este que, com coerência, apoia e defende a luta de sua raça.  Quilombola é um segmento dos movimentos sociais, que em algum lugar estão fazendo com os agricultores a mesma coisa que os Tupinambás. Juntos e misturados, não pode dá liga. Os interesses são antagônicos.

Devemos reconhecer que este acordo politico revelou o lado paz e amor do movimento. Fez-me lembrar de Gandhi. Por que além de um quilombola, existe na coligação que resolveram apoiar 04 índios candidatos (o que é legitimo) a vagas na Câmara Municipal e nenhum agricultor. Se forem eleitos, numa contenda sobre a demarcação, estes componentes da coligação apoiada pela Associação, ficaram de que lado?  Seria uma tolice responder.

Dizem que quando  sabemos do nosso passado, melhor  traçaremos o  futuro. Vamos buscar um pouco do conhecimento do nosso passado, para decidirmos com calma o nosso  futuro.

– Vocês sabem que Grupo Politico criou na Lei Orgânica do Município, um capitulo reconhecendo  os “Índios de Olivença” 10 anos antes da FUNAI reconhecer? Destacando o que está no art. 280 o § 9º -“ É dever do Município colaborar com o Estado e a União em beneficio dos índios, sendo-lhe vedada qualquer ação, omissão ou dilação que possa resultar em detrimento dos seus direitos originários”. Trocando em miúdos, o principal direito originário é o da terra, da nossa, da dos Peq. Agricultores.

– Vocês sabem que Grupo Politico governava Ilhéus quando a FUNAI reconheceu oficialmente os “Índios de Olivença”?

– Vocês sabem que Grupo Politico governava Ilhéus, quando a FUNAI começou a fazer na surdina o relatório oficial de reconhecimento que foi publicado no Diário Oficial da União, retirando do Município ¼ do seu território e projetando  colocar sem dó na rua da amargura milhares de família?

– Vocês sabem qual autoridade importante morava em Olivença durante todo este período e era quase um nativo?

São tantas coincidências.  Mas, este tema não é apropriado para campanhas politicas, não é um tema banal como tantos outros, que são facilmente resolvidos apenas com uma boa gestão administrativa. Após as eleições, os palanques serão desmontados e os salvadores da Pátria mais uma vez sumiram e o nosso problema continuará nos atormentando. Torcemos para que apareça uma proposta, vindo da onde vier, que seja possível e viável, contemplando a todos. Por justiça, o reconhecimento será inevitável.