O TATU BO..LA

Meu amigo conhecido na cidade por  “Minha Veia” estava  correndo uma fazenda na região do Salobrinho, próximo a Fazenda Pirata  quando, ao retornar para casa, depois de um longo e exaustivo dia de trabalho, resolveu parar o carro na beira da estrada e aliviar a bexiga, “tirar uma aguinha do joelho”, ou seja, fazer um xixizinho. Passado o alívio e olhando para os arredores, apreciando aquela paisagem linda, típica da região serrana, quando de repente, deparou com algo estranho à sua frente, era um filhote de tatu, que provavelmente assustado com sua  chegada, enfiou-se no primeiro buraco que encontrou. Mas, para o azar do bichinho, ou de “Minha Veia”, o buraco que ele se enfiou era raso, ficando o coitado com metade do corpo pra fora. Pensou rapidamente cosigo: – Vou levar este bichinho para os meus amigos da Galera de Zequito vê-lo, aquilo seria  uma novidade para eles, pois nunca tiveram contato com aquele bicho vivinho da silva,   coisas do interior.

Então, “Minha Veia” nas melhores das intenções, acreditem, tomou a decisão de levar o tal tatuzinho para casa. Mas surgiu uma dúvida, aonde colocá-lo. O seu carro era uma Parati emprestada por seu amigo “Ministro”, no compartimento de bagagem não era possível, pois existiam vários buracos no forro da lateral do carro e o bichinho poderia entrar em algum desses buracos e sumir. Foi aí que ele teve à “brilhante idéia” de colocá-lo na parte da frente do carro, mais precisamente no espaço do motorista, onde ele pudesse vigiá-lo durante a viagem de volta. Eis que de repente, para seu desespero, o bicho saiu em disparada e se meteu exatamente no buraco do painel próximo da direção, bem ali onde passam os fios que alimentam os marcadores do painel.
– Puxa vida! pensou consigo! Ele vai arrebentar com todos estes fios, tenho que achar uma solução rápida. Sem muita escolha, o que veio em mente no momento, foi uma história, dessas de caçadores, que utilizavam uma técnica “muito prática” para tirar um tatu da toca. Dizem eles, que o Tatu quando se agarra não tem jeito, para tirá-lo da toca só enfiando o dedo no “foreves” dele. Não pensou duas vezes, tinha que agir rápido e aí foi logo enfiando o dedão. Ufa que alívio, teoria confirmada! O bichinho relaxou de tal maneira que largou tudo, arriou as mãozinhas tão suavemente que pode tirá-lo do buraco sem prejuízo algum. Mas não parou por aí! Foi aí que a coisa ficou feia! O bichinho ficou tão nervoso, mas tão nervoso, que “minha veia” não sabia se era pela entrada do dedo ou pela falta do dedo. O Tatu foi dando uma reação em cadeia tão forte, mas tão forte, que começou largando umas bolinhas, depois foi largando uma pasta mais durinha e por fim largou um jato tão grande que lavou o banco do carro. Pobre bichinho! Foi uma cena  horrível. Depois disso tudo, diante de tanto desespero, “Minha Veia” resolveu devolve-lo para o seu habitat e seguir a sua viagem de volta. Sem o bichinho é claro!
Segundo “Minha Veia”  depois daquele dia, o tal Tatu nunca mais foi o mesmo…Virou Bo..la.

 

Colaboração de Luiz Castro

Bacharel Administração de Empresa