por Domingos Lins

O produtor de cacau brasileiro é o que detém maior conhecimento na utilização de praticas agrícola em todo o mundo. Portanto não se trata de ineficiência, podridão parda ou vassoura de bruxa, o problema central que o aflige são os preços baixos manipulados e praticados há décadas no comercio internacional, inviabilizando o investimento e custeio da lavoura pelo seu elevado custo de produção.

Os maiores responsáveis pela situação que vive a cacauicultura brasileira são justamente esses estrangeiros com suas indústrias que manipulam há séculos os preços cacau e outros grãos em todo o mundo de acordo com sua política perversa de lucro…

São apenas cinco grandes famílias tipo máfia, das quais algumas estão aqui instaladas e que através de acordos escusos manipulam, “traficam” praticamente todo o negócio agrícola no mundo. Não é exagero de minha parte dizer que os mesmos que adquirem nossa produção, são os mesmos que nos vendem implementos agrícolas, adubos, defensivos e também são os mesmos que industrializam praticamente toda produção agrícola mundial. Quem já viu uma Nestlé criar vacas de leite ou uma Cargill, uma Joannes plantarem cacau? Não, atividades de risco atrapalham seus negócios, deixam essa incerteza, essa árdua tarefa para os inocentes, os desarticulados agricultores!

Eles também interferem nos atos dos governos ao seu bel prazer através da reciprocidade de lobistas que ano após ano, são custeados em suas campanhas eleitorais.

A única solução que vejo para enfrentar de uma vez essa crise é a constante conscientização dos produtores baianos para se unirem, se fortalecerem através de um sistema que lhes permitam resgatar uma parte considerável do bolo do negócio cacau. Assim a alternativa mais viável é nos tornamos o mais breve possível, também industriais, construirmos uma empresa cooperativa que seja transparente, enxuta, com eficiência em todo o processo produtivo e comercial para o enfrentamento das “raposas estrangeiras” que certamente farão tudo para destruir qualquer iniciativa que coloque em risco seu sólido, irrepartível e total quinhão.

Coincidência ou não esse achatamento de preços que vilipendia o cacauicultor, acontece num momento fértil em que está surgindo uma nova mentalidade no seio dos produtores de cacau voltada para produção de chocolate fino, puro de origem, ou seja, estão aparecendo pequenas indústrias na região colocando no mercado produtos de qualidade… Vai que a moda pega e essa atividade cresce, quem perde?

Resistir e criar uma indústria cooperativa pode parecer utopia, mas não impossível de acontecer… “Nenhum de nós é melhor do que todos nós juntos!”

Continuemos a luta cacauicultor!