Como o governo baiano parece andar dormindo de touca quando o assunto é Região Cacaueira, acordados reminiscentes ‘carlistas’ regionais não titubeiam em ressaltar as suas realizações.

Pela importância que tiveram e têm no crescimento econômico do estado obras como a Ford, o Pólo Petroquímico de Camaçari, as avenidas de Vale da capital são umas das mais recordadas. E jamais eu contrariaria, todavia, considerando o tamanhão da Bahia e o tempo no poder, o sulbaiano aqui não pode aceitá-las como argumentos para entronizar o protagonista do grupo político como o suprassumo da administração pública governamental. O desprezo de longa data de governos baianos para com a Região Sul, fazendo com que “separatistas” vez por outra cutuquem o seu desligamento do Estado da Bahia, coaduna com o meu conceito e o credencia.  Os seus desafetos, retrucando, afirmam com escárnio que na época de suas três gestões como governador o “cacau” caia solto nos cofres do estado, ferroando por cima que seu método administrativo era o do “arrasa quarteirão”, isto é, o de atropelar as leis, e sem dar nem um tiquinho assim de atenção para as questões sociais dos baianos.

Deixarei o inútil paralelismo de lado mesmo porque a Bahia vem crescendo, possivelmente boa parte por efeito osmótico (o seu PIB está aí bombando pra todo mundo ver) e entrarei num ponto essencial: a continuidade das carências regionais (pelo menos é sentida na Cacaueira), indicando como dantes, o igualzinho problema na distribuição da riqueza.  Dizer da situação dessa região depois da “vassoura” seria desnecessário, porque até o papa que não tem nada com isso está por dentro, e lógico, o governo, haja vista as promessas e promessas de investimentos como essas a seguir que frequentemente são estampadas nos meios de comunicação: construção do Pavilhão de Feiras e Exposições; verbas para asfaltamento do acesso à Lagoa Encantada; construção do Terminal da Bamim, do Porto Sul e do Aeroporto Internacional; construção da barragem do Rio Colônia; serviços de drenagem e finalização da retro-área do Porto do Malhado (Ah, por falar em porto quebrarei a sequência para transcrever o que li recentemente de conhecedores do riscado:  “…com 10% do que o governo gastou nos últimos anos nos portos de Salvador e Aratu, daria para satisfazer as pequenas pretensões de melhoria do Porto de Ilhéus, que praticamente se resumem a uma dragagem, conclusão da retro-área, construção de mais alguns armazéns, e novos equipamentos”). Continuando: recapeamento asfáltico de Ilhéus e duplicação da BR-415. Um pouco além do eixo Ilhéus/Itabuna, nos deparamos com uma bem “batidinha”: a Belmonte/Canavieiras, uma estrada que acabaria com o triste impasse de ligação rodoviária entre as chamadas Costas do Cacau e Descobrimento. Vixe! Ia esquecendo-me da ponte do Pontal! Não, não, essa dívida do governo eu não deveria registrar, pois a burocracia já foi resolvida e seu início tem data marcada: nas proximidades do futuro pleito eleitoral, pelo meu cálculo.  Agora, só torço para que comece e o ritmo dos trabalhos não se dê visando outra eleiçãono passo daquele vagaroso e conhecido réptil, praxe estratégica na gestão da maioria dos políticos brasileiros, mas execrável, sobretudo.

Tá vendo como elas abundam? Só que são promessas, simplesmente, e com algumas já dobrando o segundo período governamental, valendo observar que do “pacote de intenções” acima citado, uns e outros recursos e iniciativas podem provir da esfera federal, entretanto isso não importa para a ansiosa comunidade cacaueira, importa sim a realização, além uma fortíssima carga dos méritos ou deméritose dos aplausos ou desaplausos irá para o governante estadual, e por tabela, idem, idem para o municipal.

Em vista disso seria de bom alvitre que o governo da Bahia, para o bem de todos e felicidade geral da Região Cacaueira, tirasse a touca e, preferisse a prática à lengalenga, pois há muito mais gente acordada e, acordando.

Heckel Januário