JORGE – AMADO E OU ODIADO
CARTAS AOS VENTOS
Ilhéus, não poderia melhor ser presenteada, da forma como fez Jorge Amado, na sua carta intitulada – A Terra da Minha Vida.
Cabe ao poder público, divulgar o mais breve possível e de forma marcante, esta relíquia que será eterna. Como sugestão, diríamos que um pedestal, feito por algum artista local e localizado justamente na Praça do Vesúvio, onde ele mesmo afirma que lá foi onde tudo começou. Seria a forma mais justa de homenagem a este ilheense de coração. Diríamos também, que já se passaram tanto tempo, e nada ainda foi feito para eternizar esta CARTA DE JORGE AMADO. Ilhéus, que pensa ser uma cidade turística, não pode deixar escapar esta oportunidade, senão no futuro, seremos cobrados deste lapso de memória. Hoje, somos uma cidade praticamente de veraneio e para sermos turística, temos que pensar numa coisa profissional, envolvendo principalmente a comunidade. Pois alguém já disse: “Uma cidade para explorar o turismo, primeiro ela tem que ser boa para seu povo e nunca primeiro para o turista”.
Em outubro de 2001, portanto há 12 anos, já insistimos sobre o assunto, dessa vez com o Sr. Guido Paternostro, arrendatário do Bar Vesúvio, cujo texto descrevemos assim na época: Foi como um alívio ter lido a notícia no Jornal Agora, sobre a Vossa decisão de assumir um contrato de arrendamento do Bar Vesúvio. Como ilheense, não entendíamos, que um local tão tradicional da nossa cidade, vivesse dias de longos descasos, não era mais possível acreditar, que este empreendimento não abrisse aos domingos e seu funcionamento fosse restrito por algumas horas do dia ou da noite.
Aproveitando a ideia de V. Senhoria, de torná-lo “Bar Temático”, onde os personagens e as comidas baianas citadas no romance Gabriela Cravo e Canela, serão características do lugar; gostaria de sugeri-lo, que seja colocado em algum lugar deste empreendimento, com maior preferência, pelo lado de fora do bar; a carta de Jorge Amado, intitulada “A Terra da Minha Vida”, para que seja exposto aos ilheenses e aos turistas de um modo geral, o que de mais belo, já se escreveu sobre Ilhéus.
No meu entender, esta carta, com apoio de algum artista local, poderá tomar um padrão diferente, confeccionada em tamanho bem destacado, que servisse como um marco de referência para fotos e atração turística, que tenho certeza, será mais um cartão postal da cidade.
Bom, se passaram tanto tempo e vejo que a expressão tão forte de Jorge Amado na carta “A Terra da Minha Vida”, ainda não ecoou nos ouvidos daqueles que deveriam atentar mais para os filhos que tanto amam esta terra, até mesmo sem ter nascido aqui, como é o caso do nosso AMADO JORGE.
Rezende
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Jorge Amado ao receber o título de Cidadão Ilheense, se declara de vez, na sua CARTA/DISCURSO, ser por convicção filho de Ilhéus.
Se o nosso JORGE, já era rejeitado por uma boa parte dos nossos amigos itabunenses, a partir daí foi à gota d’água, para aumentar a sua rejeição.
O que levaria um cidadão nascido em Ferradas/Itabuna, em 1912, apenas dois anos depois que TABOCAS hoje ITABUNA, ter adquirido sua independência política de Ilhéus?
Seria o fato de ter vindo para Ilhéus com apenas quatro anos, e não se lembrar do período anterior vivido na vizinha cidade, ou seria apenas AMOR mesmo, por esta terra, onde no seu DISCURSO/CARTA, ele dá o título de: A TERRA DA MINHA VIDA?
É complicado, porque na maioria dos casos a situação é o inverso, onde o cidadão gosta da terra onde viveu, mas se declara com AMOR terra onde nascestes.
Seria então isto a revolta de boa parte dos itabunenses, que já destruíram primeiramente um busto em sua homenagem no Distrito/Bairro de Ferradas, e há pouco tempo num ato de vandalismo, também destruíram uma obra de arte (tamanho original de Jorge Amado), executada por um artista itabunense, e colocada na mesma Praça?
Além disso, a Câmara Municipal de Itabuna, já tentou homenagear Jorge Amado, dando nome o da Avenida Cinquentenário para Jorge Amado e não conseguiu, pois houve muito protesto de populares.
Perguntamos tudo isso, porque é difícil entender tal situação, apesar de que, a cada um é lhe dado o direito do livre arbítrio. Mas, se alguém sabe de detalhes maiores a respeito, ficaria grato pela informação, tudo apenas como um aprendizado em psicologia humana, e não queremos neste momento criar uma polêmica sobre o caso, pois O NOSSO AMADO JORGE é muito além de tudo isso.
José Rezende Mendonça
PARA QUEM AINDA NÃO LEU A CARTA DE JORGE AMADO
A Terra da Minha Vida
“Poucas vezes me senti tão honrado em minha vida como me sinto agora. Aconteceram-me fatos diversos que levaram a mim e aos meus livros mundo afora. Eles significaram, antes de tudo, Ilhéus. Não só porque aqui comecei a vivê-los, porque aqui imaginei a escrevê-los, mas porque a presença de Ilhéus irradiou a luz especial que ilumina essas minhas pobres páginas.
É de Ilhéus que nasce o que de mais puro e sensível, o que de mais belo possa ter o que escrevi. Ilhéus como tema me inspirou, me marcou de forma profunda o que escrevi de alma e corpo, as coisas que quis dizer em todo o meu trabalho literário da decorrência de toda a minha vida, onde tantas coisas aconteceram e acontecem com aspectos tão diferentes e diversos à realidade mais distante e, por conseqüência, a realidade fundamental em Ilhéus.
Vim prá’qui aos quatro anos. Aqui transcorreu a minha adolescência, vivi minha infância, corri nas ruas solto, livre, capaz de amar a liberdade sobre todas as coisas, pois a primeira lição que recebi desta terra foi a lição de liberdade. Ilhéus não é apenas uma bela cidade do sul da Bahia, com a tradição de luta, de violência, de vida espantosamente vivida. Ilhéus é bem diferente, é bem mais que isso. É a transformação de tudo isso em criação. E a transformação de tudo isso em viva e translúcida realidade.
Ilhéus para mim significa o começo e significa a construção posterior. Quando eu, por acaso, ponho os olhos naquilo que escrevi eu vejo que Ilhéus está criança e aqui me fiz homem, aqui me fiz escritor e quando eu quero saudar a verdade de mim próprio, aquilo que é essência de meu ser, de minha vida, eu penso nessa cidade, por mais distante que eu possa estar geograficamente das suas praias, das suas ruas, da sua gente.
Essa cidade me acompanha. A cada dia eu me revejo nela, a cada dia eu me redescubro nela, a cada dia eu me sinto mais próximo e fundamental de tudo quanto eu fiz. Eu não sei se fiz grandes coisas. Algumas eu busquei fazer na minha trajetória de escritor, algumas verdades busquei dizer , algumas realidades coloquei no papel. Tomei delas da vida para transformá-las em literatura. Tudo isso se deu porque vivi nessa cidade. A minha Ilhéus transparece a paixão pelas coisas e pelos homens, o amor infinito pela vida.
Que dizer mais dessa cidade? Dizer que a amo de uma forma imensa, infinita. Meu amor por Ilhéus não tem limites, pois é o amor que vem da meninice, da adolescência, dos tempos felizes e alegres, dos dias em que eu quis aceitar a verdade da minha vida.
Quero ainda dizer que em nenhum momento desses acontecimentos que me tornaram conhecido, deixei de me lembrar /que foi aqui onde tudo começou. Foi aqui em ,Ilhéus, na praça do Vesúvio, não foi noutro lugar.”
Pronunciamento de Jorge Amado ao receber o título de cidadão ilheense em 1997.




























































