Começam a aparecer os resultados das mobilizações populares inicialmente prendidas ao aumento de centavos nas tarifas de transportes coletivos.

A PEC 37 de aprovação líquida e certa como se previa–,  um excremento de emenda constitucional que em síntese eliminaria o Ministério Público de investigar crimes de corrupção política,  fora desaprovada, a Cura Gay, idem; São Paulo, principal Estado da federação iniciou o corte de despesas; sem falar que os tais reajustes estão morrendo no nascedouro, e de conquistas como a da “corrupção”, agora  encaixada como crime hediondo.

São efeitos ainda pequenos para o abrangente cunho dos protestos porque eles objetivam um Brasil melhor, urgente, urgentíssimo para todos.  O povo perdeu a paciência com o “faz de conta, a “conversa fiada”, a “enganação” dos representantes políticos. Mesmo com o futebol correndo nas veias ninguém aguenta mais ver estádios sofisticados serem construídos num país de múltiplas carências. Numa tentativa de explicação a presidente Dilma disse ter o governo apenas financiado o dinheiro. Meio dura de engolir porque o dindin “cash” na bandeja ás construtoras dificilmente retornará ao erário, não obstante se brade por aí que as leis brasileiras são iguais para quaisquer cidadãos. Pois é isso. Se a dinheirama fosse empregada nos estádios, mas também como estava previsto e bastante badalado na chamada mobilidade urbana e melhoria dos sistemas de transportes das capitais, dava até para engolir goela abaixo, mas é justamente esse descompromisso  governamental um dos itens protestados.

Por outro lado, diante das turbulências das ruas, numa atitude democrática, se diga, Sua Excelência anunciou a reforma político-eleitoral através de um plebiscito e convidou entidades e opositores para sugerirem. As propostas estampadas na mídia foram de abalar estruturas, como uma do ministro Joaquim Barbosa, do STF, a do “recall”, um procedimento que condiciona o eleitor revogar o mandato do candidato eleito. Beleza! pelo menos o cara irá pensar duas vezes antes de tentar enganar o cidadão!

Houve divergências à posição presidencial quanto aos reais anseios do povo. A oposição na busca de obter visibilidade pongou no bonde e mandou o malho no governo. Cá da platéia entendi que se for pra mudar e se a vigilância continuaro caminho é esse. Os meios e o tempo suficiente para as próximas eleições são outros detalhes. Importa muito sem  prejuízo de procurar satisfazer realmente as nossas necessidades básicas, extirpar a possível causa dos males: o nosso sistema político. Limpar essa sujeira é fundamental.

Terminando minha tentativa de enxergar os recentes movimentos, procurei para  não deixar nenhum ciscozinho debaixo do tapete,  embora desautorizado, dar uma contribuiçãozinha com a proposta que, se não passível de legalização, possa instituir-se moralmente: a de acabar com gastos em atos de assinatura de mandatários na autorização de realização de projeto, tanto na esfera federal, estadual como na municipal. Nada de festinhas comemorativas. Entretanto, conclusão aprovada e atestado o seu funcionamento como manda o figurino,  como somos em especial nós baianos–, um povo festeiro por excelência, no projeto poderá ser inserido uma cláusula de liberação de verba prevista  em lei, para a festinha de aplausos e comemoração, inclusive com direito a champanhota, desde que nacional, etc., etc. Antecipar, jamais! Tal proposta fundamenta-se na enxurrada de “pedras fundamentais” existentes no país, festejadas na base de trios elétricos e outros bichos pagos com grana pública, e que permanecem pedras.

Heckel Januário