Família, Amor e Fraternidade
Eu nasci no ano de 1975. Era outra época, outros tempos, outros pensamentos. Ainda não me acostumo com as coisas de hoje. Aos 38 anos não me acostumo mesmo. E sei que muita gente neste mundo pequeno, a globalização e o advento da internet, fez este mundo ficar menor. Anda cansado de tanta violência. Todo o tipo de violência. Mas a guerra atual é mesmo contra as drogas; contra o vício e o tráfico de drogas. Uma violência acirrada e desigual, quanto mais se prende traficantes, quanto mais se apreende as tais imundices da alma e do cérebro, mais de tem. É um círculo “vicioso”.
A minha família é grande e existem vertentes de muitas outras. Não tenho nenhuma vergonha de dizer que faço parte das famílias: CORDIER, PORTELA, ABIB e HIRS. São família conhecidas. Não estou aqui para exaltar ninguém e nem me exaltar, mas eu vim de uma família, parte dela, que aprendi a respeitar porque fui criado pelo modo antigo: regra, disciplina e respeito.
Convivi com muitos primos, sendo filho único, tive os meus primos como parte importante de minha vida. Meu tio Elias, homem trabalhador e simples, era pintor de paredes e abria letreiros na cidade de Itajuípe. Irmão mais velho de minha mãe. Era um homem de pouco estudo, mas muito digno e que criou sete filhos junto com sua esposa, na época, que era uma mulher doente. Moravam em lugares pobres de Itajuípe, passavam necessidade e dificuldades. Três meninas e quatro meninos. Todos morando de forma improvisada. Ele sempre ia visitar a escola deles, conversava com os professores e diretores, sempre preocupado com a educação e amizades de seus filhos. Para encurtar a conversa: nenhum deles, nenhum sequer, se tornou um viciado, prostituto ou algo parecido. Todos trabalharam cedo, todos construíram suas famílias com altivez. Os sete irmãos não tiveram no caminho do mal, pelo simples fato de terem caráter e honrar o seu pai e a sua família.
Eu vivi com minha mãe, minha avó e tios. Meu pai nunca me ajudou em nada, já morreu. E não é por isso que eu ou meus primos estaríamos no mundo da perdição. Digo que aquele que se mete no mundo do crime e das drogas é porque quer, é porque não tem caráter, é porque nasceu ruim.
Motivos teríamos para ser pessoas ruins. Mas só que Deus nos protege de todo o mal. Fomos formados por famílias que buscaram o melhor para nós. Temos que ter mais é espírito de família, amor e fraternidade. Não custa nada.
Pois, já estou cansado de ver todo dia notícias de crimes. Pessoas destruindo pessoas. Matam gente hoje como se matava passinho antigamente. Parece que morte vende jornal e da audiência. Parece que ruína é tudo de bom. É só assistir as novelas, só mostram desgraças: bandido verso polícia; filho matando pai e mãe, pai e mãe matando filho, irmão matando irmão. Ninguém estar salvo?
Mas eu não quero acreditar o que diz a Bíblia, que vai chegar o dia que todos os corações esfriarão. Será que chegou mesmo esse dia? Parece que sim. É uma pena, é comovente, é triste.
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Luciano Cordier Hirs – Itabuna – Bahia



























































