Sei que muitos estão sofrendo pela nossa querida Ilhéus, as pessoas de outras cidades sempre me lembram que o ilheense defende a cidade com um amor profundo, acham linda e tudo o mais que um ser encantado pode dizer de uma coisa que se gosta de corpo e alma. Então o que vem acontecendo na cidade nas últimas décadas, que não proporcionou o “desenvolvimento” esperado e que achávamos possível para as conjunturas atuais?

Há alguns anos numa escola de classe média em que lecionava, fiz um pesquisa de opinião com os alunos, onde perguntava o que eles achavam da corrupção? Para minha triste surpresa, boa parte daqueles adolescentes expressou que seria normal subir na vida de forma indevida, principalmente se os recursos viessem do setor público!!! – Ser político é usurpar, ganhar bem, ter carro bacana, casa boa, vida de rei, e isso que a gente quer (diziam em voz quase geral).

Esse é o padrão moral induzido, a cultura posta, esse é o sistema imposto, e isso se multiplica como vírus, entrando nas casas em forma de programas hediondos, onde o ser humano é sempre exposto ao ridículo e as risadas fáceis da plateia. Os “culturais” programas de rádio e televisão tem baixa audiência, sendo sempre alocados em horários de baixa audiência, meia noite, madrugada, dizem que a Tv Cultura é a tv mais lida do Brasil, todo mundo fala bem, mas não assiste.

É normal jogar o lixo no terreno baldio, ou arrancar uma planta no jardim público, o que é o público mesmo? O passeio é estacionamento de carro obrigando os pedestres a andarem na rua, os restos de construção são sorrateiramente jogados na esquina, o som alto chega de forma abusiva na casa de quem não contratou e não gosta da (querida e geralmente pornográfica banda) ouvida no último volume no potente som, pelo vizinho geralmente alcoolizado, é normal uma pessoa ganhar salário mínimo e na mesma instituição o outra ganhar vinte, tinta, quarenta vezes mais.

E nesse universo altamente contaminado nossos futuros políticos vão se formando, falasse nessa nova geração de crianças índigo e cristal (que vem para regenerar a humanidade), mas se não cuidarmos, orientarmos da forma devida, eles vão ter muita dificuldade de se estabelecer, pois o clima estabelecido é ruim, o coronelismo ainda teima em rondar nossas cidades, com seus sistemas impositivos de compras de voto, corrupção dos sistemas eleitorais, lavagem de dinheiro e beneficiamento indevido de empresas e “amigos”.

O que os maus gestores (existem bons também) não esperavam era a democratização proporcionado pelos novos meios de comunicação – internet, tv via satélite, celular… democratizando e agilizando a informação, trazendo de tudo para todos os gostos, circulando informações, as vezes truncada – já mataram Mandela umas duas vezes esse mês no Facebook, Lula é o maior milionário do Brasil e até os militares já pensam em trazer de volta ao poder, mais a informação boa também chega, as opiniões, a réplica e a tréplica, e assim o fato é investigado com mais visões, propiciando uma melhor análise para aqueles que “tem ouvidos para ouvir”.

E para surpresa de todos, os jovens “despolitizados” da “geração XXI” estão ai, fazendo o que os “politizados do século XX” não tiveram condições de fazer, mas se lembrarmos do que o século passado foi “A era dos extremos” das grandes guerras, do mundo bipolar, da guerra fria, do muro de Berlim, do apartheid. Podemos botar fé que as coisas continuam avançando, tomando um novo rumo, melhorando.

Se no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) numa escala de 0 a 1, o Brasil com 0,718, ainda não é nenhuma Suécia com 0,904, não somos mais como a República Popular do Congo com 0,286, como éramos nos séculos passados. Todos avançamos, sofremos, estudamos, nos aplicamos em algo e isso nos fez melhores, melhorando consequentemente o nosso entorno, mas ainda temos muito a nos fazer para sentir o benfazejo “tá legal!”, uns vão ter que diminuir outros aumentar, o equilíbrio ainda esta por ser conquistado, “A porta é estreita”.

Se questionamos os erros lá fora, lutamos por direitos e saímos a rua para protestar (tudo certo por conta das injustiças), é necessário também voltarmos para nossas casas, nosso interior, calar o megafone instalado e refletir sobre nossas “melhores” atitudes para o novo milênio que brotou e clama por uma cidade, um país, um mundo melhor formado por seres renovados, mais conscientes e com outras atitudes perante as coisas, “amar ao próximo como a si mesmo”, como muito já se falou e tão pouco se praticou, tá na hora…

Luciano Tomas Sanjuan Portela

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