Os restos mortais de João Goulart serão submetidos a exames para determinar se ele foi morto

Os restos mortais do presidente João Goulart (1919-1976) terão “honras de chefe de Estado” durante o transporte a Brasília para uma análise que deve ocorrer ainda neste ano, afirmou hoje a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos). O corpo de Jango, nome como ele era conhecido, será exumado no cemitério em que está enterrado na cidade de São Borja (RS) e passará por exames que tentarão identificar se ele foi morto por agentes ligados à estrutura de repressão da ditadura militar (1964-1985).Maria do Rosário se reuniu hoje com a direção estadual do PDT, em Porto Alegre. Apresentou ao partido, de Christopher Goulart, neto de Jango, o plano de remoção dos restos mortais para a capital federal. Segundo a versão oficial, o presidente sofreu um ataque cardíaco quando vivia no exílio, na Argentina. A Comissão Nacional da Verdade e o governo federal, porém, investigam as circunstâncias.

Jango foi deposto pelo golpe militar de 1964. A data do transporte do corpo deve ser marcada no próximo dia 17. O governo ainda articula detalhes do traslado e eventuais homenagens em Brasília. O retorno a São Borja, segundo a ministra, também será “com as honras de um presidente”. “Jango terá o tratamento que não recebeu quando foi deposto e no momento do seu sepultamento.” Maria do Rosário disse ainda que o corpo foi recebido na época “pelo povo” nas ruas, mas, por ordens da ditadura, o caixão foi transportado com rapidez, de maneira “desrespeitosa”.

Christopher, que é vereador em Porto Alegre, diz que o presidente nunca teve as honras oficiais devidas. “Quando ele morreu, não teve luto oficial, não teve bandeira a meio mastro. Agora, seria algo muito simbólico, a mesma coisa que quando um presidente da República falece. Todas as pompas oficiais”, afirmou. Autoridades de São Borja se mobilizaram, no mês passado, para que o Planalto assumisse o compromisso de transportar de volta o corpo de Brasília ao jazigo no interior do Rio Grande do Sul após o fim das análises.

Exumação
A exumação e os exames envolverão familiares do presidente, técnicos da Polícia Federal e peritos argentinos e do Uruguai. Na Argentina também há uma investigação sobre o caso. A Cruz Vermelha dará apoio aos trabalhos. A ministra diz ver uma “possibilidade muito clara” que o presidente tenha sido assassinado por forças da Operação Condor, a aliança entre ditaduras da América do Sul. Entre os argumentos para essa tese, estão as evidências de que Jango havia sido monitorado no período em que estava afastado da política e vivia seu exílio na Argentina.

Folhapress

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