Ilhéus

Ilhéus

Engana-se, quem não sabe que o prefeito de Ilhéus, tenha total controle da situação. Eu também cheguei a pensar assim, e achava que a renúncia seria a melhor opção.

O problema, é que somos leigos e continuaremos sendo, na sua maioria, pois não enxergamos um palmo adiante do nariz, em politicagem.

O atual prefeito, Sr. Jabes Ribeiro, é um cidadão experimentado, inteligente e acima de tudo “escaldado”, por isso tem medo de “água fria”.

Acompanhem meu raciocínio. Todo político sabe, que a maioria dos brasileiros tem memória curta, conseguindo armazenar apenas os últimos dias, ou meses, que quaisquer situações neste sentido.

Vamos para o caso específico de Ilhéus. Todos nós sabemos que o atual prefeito, governou esta cidade por 14 anos, em três mandatos. E quer queiramos ou não, neste período a cidade era outra. Destaque nacional, e uma série de tantas coisas, que é notório com as nossas reclamações de tudo que está se deteriorando em Ilhéus, que foram realizadas no governo, do qual estamos nos referindo, e neste caso, não importa se boa parte foi com verbas estadual ou federal, o que vale mesmo, é que foram trazidas pelo empenho da sua liderança política, temos que dá a mão a palmatória E tudo isso foi esquecido, pois nos seus últimos meses da sua última administração, deixou escapar de suas mãos a responsabilidade administrativa, e com isso a cidade naquele período entrou em ebulição. Com isto, não conseguiu eleger seu sucessor.

Entra o Sr. Walderico, mais por vingança, e o povo na sua maioria embarcou na onda do “esse é o homem”. Rico, empresário bem sucedido e pronto, Ilhéus seria mil maravilhas.

Como nós temos a memória curta, deixamos nos levar por um discurso, que virou tema da sua campanha eleitoral, que foi: “Não preciso do salário de prefeito. Ganho por mês 600.000 mil reais, e com o salário que tenho direito, doarei para construção de creches”. “Sou candidato porque quero me vingar de Jabes, e vou provar que sou mais poderoso”, e por aí foram outras aberrações, e não me digam que não se lembram disto. Foi tema de quase todos os seus comícios, e os que estavam lá, aplaudiam, gritavam e mais uma vez a maioria não se deu conta disto.

Não nos atentamos, que ele não se comprometia com o município e sim, numa vingança incontrolável, e deu no que deu.

Assume o vice, o Sr. Newton Lima, que ficou ao lado de Walderico, por 30 meses (dois anos e seis meses), aprovando tudo de errado, e quem cala consente.

Mas, com seu “feijão com arroz”, muito suculento, conseguiu com uma verba, que deu para “maquiar” a cidade nos últimos dias, que tinha direito como prefeito empossado. E mais uma vez a nossa memória curta, se iludimos mais uma vez, porque esquecemos que o Newton Lima tinha sido o vice e nada fez, para que o povo soubesse da bagunça administrativa, que estava ocorrendo e nem tão pouco quis abrir mão, por vaidade, do cargo.

Sai, candidato a reeleição e foi eleito com uma expressiva quantidade de votos, ainda pouco vista em Ilhéus.

Foi um desastre, que o povo não via a hora para que o mandato dele terminasse.

Jabes dá a volta por cima e volta a administrar Ilhéus, pela vontade da maioria, e nós mais uma vez, levamos em conta o desastre de Newton Lima, que estava “fresquinho” na nossa memória, e aí aparece de novo a nossa memória curta. Apesar, que nós a maioria, achava que Jabes representava a salvação, e era o que melhor se apresentava naquele momento. E tomara, para bem desta cidade que seja assim, pois nos “coredores”, não vejo os políticos contrários, nos bares da vida, comentar sobre o caos que se abate sobre Ilhéus, para encontrar soluções. O lema é um só, “a cidade que se dane, queremos mesmo é derrubá-lo”, para assumir o poder a qualquer custo, assim pensam eles.

Do jeito que a situação administrativa em Ilhéus se encontra, pudemos diante deste raciocínio dizer, que o prefeito Jabes Ribeiro, terá controle até o final de outubro, ainda mais, depois da volta dos 50% dos servidores em greve, ao trabalho.

O “feijão com arroz” tem início, o povo se aquieta mais um pouco, e o restante é realmente tomar posse em definitivo no próximo mês de novembro e preparar a cidade para a chegada do verão, e receber os nossos visitantes, pelo menos com um pouco mais de dignidade, e a cidade volte ao ritmo normal.

As mais graves situações ocorrem com a educação e saúde, temos pelo visto, que esperar ainda um bom tempo.

Os servidores da educação, como os demais em greve, que é um direito constitucional, mesmo que este dispositivo, ainda não tenha sido regulamentado em Lei, desde a Constituição de 1989. São alvos de diversas críticas.

Em particular, apenas para que nós compreendamos o descaso do governo federal, principalmente com a educação, pois é assim que interessa a grande maioria dos políticos e seus partidos. E levam até as últimas consequências, para realmente deixar nossas crianças e jovens, que são o futuro deste país, sem a mínima noção, de como se defenderem da maioria destes corruptos. Corruptos de tudo, do dinheiro público, da fé, da cultura, do saber, da dignidade e corruptos da miséria.

Então vejamos. Os jovens, não tendo aulas regulamentares, vão-se pelo raro o pouco que aprenderam antes das greves, como também o estímulo para estudar. E os professores, que não são pagos como deveria ser, na sua maioria, não tem mais como se apiedar-se destas pobres criaturas, e aí fica tudo, como eles gostam e querem. Um país carente de tudo, e de todos os seus caprichos.

Esta de dizer, que os alunos não serão prejudicados, e que as aulas serão repostas, é outra balela. Não se recompõem o que foi perdido ao longo do tempo, simplesmente com “ajeitamentos”, nos currículos escolares, com a simples intenção de negociar a greve, sem os devidos cortes no ponto dos dias parados.

Pois, sei também, pois já fui servidor público federal, que os sindicatos, não negociam, tendo como “bandeira” principal o corte dos dias parados, para não caírem no descrédito e aconteça, o que já vem ocorrendo aos poucos, onde estes mesmos sindicatos veem perdendo cada vez mais seus filiados.

Portanto, é tudo orquestrado, ao bel prazer pela maioria dos líderes políticos, sindicais e de associações.

Nós o povão, vamos “na onda”, até quando não sei, só sei que os jovens começam a despertar para isso, mas é preciso não se deixar corromper, pois é isto que eles querem. É preciso ter atitude, e atitude é coisa mais séria, e não no marasmo do deixa para ver o que acontece, pois o começo é cada vez mais cruel.

José Rezende Mendonça