Heckel Januário em: UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE ( XI)
(NOTAS DE BELMONTE – ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
Para prosseguirmos tocando este Umas e Outras…, ficcionamos –como frisamos em momento anterior– uma embarcação que navegara rio-abaixo o Jequitinhonha e aportara no cais de Bebel. Estadia em que sua tripulação, caloura neste pedaço baiano, vai ficando –nas andanças de bordo ao torrão belmontense sob orientação de um calejado marinheiro– a par das ‘umas e outras’ do local, a exemplo das de futebol das últimas edições.
À mercê das lembranças, como a aflorada agora dizendo respeito ao enfrentamento da mulher belmontense ao machismo, prosseguimos. E registre-se logo de piquete em cartório que a BBB, ao ir de encontro a esse desmedido preconceito, inseriu-se no rol das destacadas no ranking nacional. Esclarecemos, abrindo rapidinho um parêntesis, que tal sigla não se trata em absoluto, como ela sugere, de nenhuma integrante do Big Brother Brasil, mas de ‘Belmontense, Baiana, Brasileira’. Sim, e através da Política, campo como os demais, historicamente dominado pelo macho brasileiro! E que fora impulsionado em quase todo o território verde-amarelo pela força do Coronelismo entre outros impropérios, e que deixara uma herança de vícios até hoje de difícil extirpação.
Pois é. Em 1959 Dejanira Rezende de Souza é eleita Prefeita Municipal de Belmonte e que, conforme se anunciara, tornou-se a primeira brasileira a exercer o Executivo Municipal. Classificação questionável? Não tem problema, porque mesmo que não tenha sido a ‘primeirona’, com certeza absoluta seu nome integra o honrado e pioneiro time das que, por este meio, enfrentara o brasileiríssimo Homo sapiens masculino e seu poderio.
E se diga que neste quesito de mulher no poder, Bebel é pródiga, pois no ano passado foi a vez da advogada Alice Maria Brito tomar posse como a segunda mulher a comandá-la, a credenciando ainda três mandatos consecutivos (1992/1996; 1996/2000; 2002/ 2004) de vereadora e o de Secretária de Educação entre 2005 e 2008. Além disso, a eleição para a vice-prefeitura da paulista –já radicada na cidade por bom tempo–, Carla Xavier, é mais uma prova da prodigalidade. Interinamente, como vice-prefeita de gestões passadas, outra mulher, Dinha Melo Nascimento, comandara o município em algumas ocasiões. Geny Bittencourt, embora não tenha sido eleita, o dirigiu de abril a dezembro de 1996.
Outra testemunha vem do Legislativo Municipal. Num breve retrospecto se tem que no período de 2002 a 2006, das onze cadeiras da Câmara, sete foram ocupadas pelo sexo feminino, aliás, a este fato, brotamos à época, motivado por um seriado da Globo, o escrito titulado “A Casa das Sete Mulheres”, as quais vale destacá-las novamente: Flordinalva Santos e Miriam Silva representantes de *Santa Maria Eterna, Marilene Galdino e Mariza Rodrigues de *Barrolândia, Elizabete Ferreira da Silva de *Boca do Córrego, e Maria Alice Brito e Elisabeth Barros da sede. Os respectivos asteriscos identificam distritos belmontenses. Outras, como Dolardy Andrade Paternostro, Angélica Bandeira e Maria Borges também já exerceram a vereança.
Apesar do recente e esdrúxulo resultado da pesquisa do IPEA sobre a ‘violência contra a mulher’ que aponta 65,1% dos entrevistados (66% de mulheres) admitindo que “as mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, num possível afloramento de ‘resquícios de submissão’ consequente da formação de uma sociedade culturalmente machista, a mulher tem galgado posições de destaque nas variadas atividades por ela exercida. Veja o exemplo da presidente Dilma. Aqui na Região Cacaueira da Bahia, em referência às postulantes ao cargo de prefeita, houve avanço, e o número de eleitas subira para quinze.
Não embarcamos na de ‘juízos de valor’, mas, como se vê, na do júbilo de ter a mulher de Bebel, exercido –e continuar exercendo–, a democracia na busca da ‘Igualdade’ real, condição que o macho brasileiro tanto apregoa por aí.
Heckel Januário


























































