JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (XXI)
REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC 1957 – 2014
2002 – POR QUE A UNIÃO CEPLAC E UESC?
Em 6 de fevereiro passado (A Tarde – Espaço do Leitor), o Diretor da Ceplac Hilton K. Duarte contestou uma nossa idéia. Aguardava com ansiedade esta resposta. Ela foi prometida desde muito tempo (maio de 2001) durante o Workshop sobre a Recuperação da Lavoura Cacaueira realizado na Ceplac – Bahia.
Tem toda a razão em defender a Instituição que dirige, assim como, eu tenho o direito de expressar minhas idéias sobre a fusão destas duas instituições. A vivência na Ceplac por mais de 20 anos, como profissional e um dos dirigentes, o trabalho na Universidade Federal de Viçosa, na Diretoria da Embrater, na Assessoria Técnica da Confederação Nacional da Agricultura e ainda ter nascido e vivido na região do cacau credenciam-me a liderar esta proposta.
O tema não é novo. Desde 1972 a idéia era latente, como uma das alternativas de futuro da Ceplac. Esperava-se apenas a consolidação e crescimento da Universidade. Outros pensadores manifestaram-se; veja o artigo do Prof. Alírio de Souza – “A hora e a vez da FESPI”, publicado na “A Tarde” em 1983. Não há que estranhar estas demonstrações de apoio à idéia, especialmente no momento de crise para a economia do Cacau e nas instituições vinculadas a este produto.
Não existe pensamento de inatividade nem projeto de tentar leiloar a Ceplac. Existe, sim, a coragem de analisar a real situação, discutindo com os produtores de Cacau e com o Governo os problemas – entre outros, o decréscimo de valores no orçamento anual (sem contar o recebido do Estoque Regulador), a perda de técnicos especializados e competentes (muitos estão na UESC), o necessário apoio ao controle da Vassoura de Bruxa, a perda de parte do patrimônio físico, a falta de solução para os problemas salariais dos funcionários (técnicos e administrativos) e a diminuição do seu status institucional até com as lideranças dos produtores de Cacau.
Tentativas de acabar com a instituição existiram por parte do Governo Federal. A instabilidade da organização tanto existe que Convênios foram feitos com o IICA para transformá-la em Agência Executiva – cuidar de 27 novos produtos agro-pecuários e agir como órgão fiscalizador, classificador e de inspeção sanitária. Felizmente nada foi definido; gastou-se tempo e dinheiro. Convém deixar de lado vaidades, isolacionismo e falta de cooperação entre órgãos e encontrar o melhor para os produtores de cacau e sua região.
As organizações dedicadas a um só produto agrícola foram extintas pelo Governo – IBC (café), Sudevea (borracha), IAA (açucar e álcool) – transferindo suas atividades para a Embrapa, Universidades e organizações privadas de produtores.
Por quanto tempo ainda durará a Ceplac, órgão essencialmente do Cacau?
A visita do Presidente da República à região, depois de 6 anos de governo, foi restrita a um pequeno grupo e representou mais uma provocação ao líder baiano ACM, sugerida por um grupo de produtores e deputados de oposição ao governo estadual. A promessa de recursos financeiros aos produtores de Cacau, a eles, compete julgar o atendimento e os benefícios. Até agora a maioria dos produtores continua sem atendimento, conservando sua crise financeira à espera das ofertas políticas prometidas.
Quanto ao funcionalismo da Ceplac, a promessa de aprovação do PCC – Plano de Cargos e Carreira encontra-se parado na Assessoria Jurídica do Ministério do Planejamento. O “mel na boca” foi uma gratificação – função comissionada técnica – para um grupo pequeno e seletivo de técnicos; os outros ficaram a “ver navios”. A discriminação agravou os problemas que ainda permanecem..
Claro que é concebível e até recomendável apresentar idéias de forma concreta e não “literária” como julga o Diretor. É a maneira de encontrar soluções para os problemas da instituição, expostas por profissionais de experiência e conhecimento administrativo já comprovados, até que a vontade política faça sua opção.
Para compreender as razões de união da Ceplac com a UESC é preciso, antes de tudo, ter conhecimento do que é uma UNIVERSIDADE seu papel, suas funções, seus princípios e objetivos. A UESC ainda é muito nova, mas já concentra um volume de estudos, formação de profissionais em diferentes áreas da ciência, alguns cursos obtendo conceito A, desenvolvimento de ações socioeconômicas e culturais para a sociedade, tendo o reconhecimento da população baiana e de instituições congêneres brasileiras. A UESC, não tenham dúvida, será uma grande UNIVERSIDADE.
Outro aspecto é a necessidade de ter uma VISÃO DO FUTURO, nem sonhadora demais, nem rotineira e executiva do Hoje, sem saber do Amanhã e para onde deve ir a instituição. Mesmo vivendo em um país de tantas incertezas e decisões políticas, é preciso que as instituições tenham uma projeção do seu papel e de suas atividades futuras.
Algumas vantagens da união das duas instituições que têm propósitos semelhantes:
1- Maior concentração e utilização racional dos recursos financeiros, patrimoniais e humanos.
2- Preservação para a Bahia do patrimônio adquirido com recursos dos produtores de Cacau.
3- Liberdade para estudar, analisar, pesquisar e assessorar em qualquer área – agrícola, comercial ou agroindustrial, além do conteúdo cultural, educativo e tecnológico.
4- Permite a manutenção e ampliação de projetos e pesquisas desenvolvidos pelos dois órgãos, unindo recursos, conhecimento e experiências.
5- Permite manter o Centro de Pesquisas do Cacau com todo seu acervo técnico científico e como coordenador nacional das pesquisas com o Cacau.
6- Permite manter o Departamento de Extensão e as Escolas Profissionalizantes com assessoria especializada de professores das diferentes áreas técnicasce e educativas.
7- Oferece aos técnicos e funcionários das duas instituições a oportunidade de um relacionamento técnico-científico e possibilidade de aperfeiçoamento acadêmico e cultural.
8- A interação entre a Pesquisa, o Ensino (superior e profissionalizante) e a Extensão permite uma aprendizagem e uma maior realidade dos problemas regionais.
9- Permite manter o sentimento da população regional de que “a UNIVERSIDADE é nossa, fomos nós que geramos esta instituição”, sem perder o mesmo sentimento de que a Ceplac também é nossa e devemos preservar sua filosofia e princípios.
10- A fusão garante uma “vida institucional permanente” sem interferência política partidária regional.
Outras vantagens existem, todas elas sem reduzir os benefícios gerados para a sociedade.
“O FUTURO CERTAMENTE DETERMINARÁ ESTA UNIÃO“. Os líderes políticos baianos e os administradores competentes poderão acelerar este processo de desenvolvimento regional.
. Brasília, DF – março/2002.
Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo, MS – aposentado da CEPLAC. .
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