REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957-2014

 2002- QUAL O FUTURO DA CEPLAC?

O momento é mais que oportuno. Mudança de governos, estadual e federal. Idéias, planos, projeções e esperanças no povo, que deseja melhores dias.

Já, há algum tempo, alguns idealistas e inconformados com a situação crítica que envolve a instituição Ceplac falam, escrevem, provocam discussões, tudo em volta deste tema, tão regional do sul da Bahia.

O que será a Ceplac neste próximo Governo?

A crise da produção cacaueira, a redução do valor econômico deste produto, a desagregação da classe produtora, o desinteresse dos dirigentes federais sobre os problemas baianos e as deficientes administrações levaram a instituição a uma situação problemática: sem recursos financeiros suficientes, sem recompor o quadro de profissionais, sem obter aumento salarial e plano de carreira, sem prestígio político e dos produtores, sem liderança institucional. Esta situação vem se confirmando já por alguns anos.

Por toda sua vida, a Ceplac passou por 4 ou 5 projetos de institucionalização e em todos fracassou. Superou, todavia, as tentativas de extinção no Governo Collor, pelo respeito às lideranças baianas.

Hoje é um Departamento do Ministério da Agricultura, sem o devido prestígio e apoio e sem importância no cenário agrícola nacional. O que salva e que representa uma esperança na manutenção dos seus objetivos é uma equipe de profissionais qualificados, ainda resistentes ao processo de desânimo e descrédito existente e uma plêiade de ex-ceplaqueanos que, por amor e puro saudosismo insiste em salvá-la.

Chegam aos ouvidos daqueles preocupados com a economia do cacau, com a Ceplac ou com o futuro da região as notícias sobre projetos, planos e idéias do destino da Ceplac. Algumas até entregues à equipe do governo Lula.

Antes que o novo governo federal tome uma decisão, seria justo e recomendável discutir um pouco com as lideranças estaduais e com profissionais experientes em política institucional e regional, confirmando, assim, os princípios sempre defendidos pelo partido dos trabalhadores. Decisões apressadas poderão levar a Ceplac a uma situação não interessante para a Bahia e produtores de Cacau.

Algumas opções de mudança institucional existem, sempre com o desejo de manter os princípios, objetivos e o patrimônio gerado pelos produtores de Cacau.

1Continuar como hoje

Um apêndice no Ministério da Agricultura, como simples Departamento, incompreendida por técnicos da área de planejamento da agricultura, esperando o momento para propor sua extinção e distribuição dos recursos humanos e patrimoniais entre organizações federais ou estaduais.

Sem grande expressão, financeira e política da economia do Cacau, será difícil sair para uma atuação mais dinâmica e que justifique sua própria existência. Torna-se, portanto, necessária uma urgente mudança organizacional.

2 – Transformar em Agência Executiva – modelo de organização recente no governo federal. Foi tentado e fracassou. Teria o propósito principal de fiscalização e controle, o que não representa o objetivo da Ceplac; opção que não interessa aos produtores.

3 – Transformar em Instituto ou Empresa Pública – à semelhança da Embrapa, com autonomia administrativa e financeira. Vista pelo lado emocional e espelhado na Ceplac dos tempos áureos; é uma boa alternativa. Uma nova instituição, com certo grau de liberdade, com objetivos e projetos ampliados e área territorial de atuação acrescida, representa um grande passo. Uma solução aparentemente estimuladora para os profissionais e agricultores. Os “senões”, todavia, existem.  Por que criar uma nova instituição, se a Embrapa, em sua documentação legal e modelo organizacional tem competência para executar os estudos e pesquisas em todos os produtos agrícolas? Se ela hoje não pesquisa sobre o Cacau é por consideração e respeito à Ceplac. A duplicidade institucional para os mesmos fins pode não ser recomendável.

O risco de absorção pela Embrapa, que está legalmente constituída e estruturada em todo o Brasil, com seus vários Centros de Pesquisas (inclusive para produtos tropicais), com excelente conceito técnico-científico, relações e acordos com as maiores instituições particulares e governamentais, Universidades e Centros de Pesquisas do mundo. A inclusão de mais um Centro de Pesquisas – “o do Cacau” – em sua estrutura não exigirá maiores e complexos procedimentos legais, a serem submetidos ao Congresso Nacional. Nesta opção, para onde iriam a Extensão Rural e as Escolas Médias de Agricultura? E o sentimento da população regional e seus líderes rurais no que se refere à instituição por eles criada? A Embrapa não tem estas atribuições e nem interesse. Esta idéia não convém à sociedade e, em especial, ao governo baiano.

 

4 – A união com a UESC – FEDERALIZADA. Idéia já defendida desde o inicio da criação da Universidade. Vale lembrar que o Estado da Bahia tem apenas uma (1) Universidade Federal enquanto Minas Gerais tem 12, RS tem 5 e os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, duas cada um. Demonstrando a importância do ensino superior, o governo baiano   mantém quatro (4) Universidades Estaduais. Federalizar a UESC significa incluí-la no grupo de Universidades nacionais, ter maior intercâmbio técnico-científico – nacional e internacional – probabilidade de maiores recursos financeiros, de crescimento em novos cursos graduados, de pós-graduação, de profissionalização e  expansão da sua área de influência.

Ao absorver a Ceplac neste processo de federalização, serão mantidos todos os objetivos, princípios e projetos da atual Ceplac, sem qualquer prejuízo para o funcionalismo, quer técnico ou administrativo e preservado o patrimônio físico adquirido pela contribuição dos produtores de cacau. Acaba de uma vez esta sombra de instabilidade organizacional. Universidade é uma instituição de vida permanente. Ela oferecerá um ambiente técnico, científico e cultural, que possibilitará um aperfeiçoamento e evolução profissional de todos.

A Universidade tem a liberdade de estudar e pesquisar todo o universo científico e prioritizar suas ações para os problemas mais imediatos e importantes em sua área de atuação. A manutenção do Centro de Pesquisas do Cacau, coordenando os estudos e pesquisas do Cacau  no Brasil, seria a marca da tradição baiana e a experiência pelos trabalhos conduzidos na Amazônia,  durante seus 40 anos de existência. As Emarcs seriam beneficiadas com a orientação de um departamento de Educação especializado e a Extensão Rural ajustada a uma nova metodologia, associada à organização dos produtores de cacau e aos setores agrícolas do estado.

É melhor para o Estado da Bahia, melhor para os produtores de Cacau, para o funcionalismo e para toda a sociedade baiana, em especial do sul do Estado.

É preciso pensar no futuro, período de vida dos nossos descendentes e no bem estar, econômico e social deles e de toda a população. A Universidade é o Centro Intelectual, centro de inteligência, gerador de novos profissionais, de inovações tecnológicas e comportamentais e de estímulos a mudanças sociais, econômicas e culturais. Estou convencido de que esta é a melhor solução para o futuro da Ceplac.

                              Brasília, DF – dez/2002                         

          Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo, MS – aposentado CEPLAC.

 


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