por Guilherme Albagli de Almeida

Mariazinha ia muito mal naquela escola pública, numa cidade do Norte Mineiro. Estava na sétima série e, aos treze anos, ainda não aprendera quantos dias havia na semana ou no mês… A pró chamou os pais para uma conversa séria: estava desatenta, andando com meninas que matavam aulas para namorar, estando uma delas, aos treze anos, embarrigada… O Pai da Mariazinha enloqueceu. Deu-lhe uma surra e a pôs de castigo sem ir à escola por uma semana. Vetou-lhe, também, o acesso ao computador. Foi aí que o Padrinho da família resolveu os levar a um antigo e conceituado convento de freiras italianas para que a Mariazinha estudasse num ambiente mais respeitoso e saudável.
No dia da reserva da vaga, o Padrinho pediu às freirinhas para dar uma volta nos amplos páteos onde estiveram, como alunos, a sua avó, a sua mãe, uma tia, duas irmãs, um irmão e uma filha.
Foram até a banda leste do páteo para olhar a longa cadeia de montanhas azuis que recortavam o horizonte. Ali chegando, ao longe, viram num canto uma imagem que, em princípio, pareceu ao Padrinho algo como um grande prato de macarrão miojo; mas não era, era um grupo de pessoas, quatro adultos, por volta dos quarenta, e umas quatro jovens alunas… Um dos adultos refastelava-se num batente atracando firme uma jovem aluna pela sua cintura. Ela, carinhosa, repousava a sua cabeça no ombro dele…

O Padrinho, também um professor, se aproximou do grupo e perguntou ao adulto ali sentado:
– Desculpe, o Senhor é professor?
Antes dele responder, a jovem adolescente respondeu:
– E dos bons!!!
Os outros adultos que ali estavam se afastaram um pouco do amoroso casal, assim como as demais jovens.
Falou-lhes o Padrinho:
-Pois na escola onde trabalho, o docente que chegar a um metro de uma aluna, é demissão por justa causa…
O professor refastelado respondeu:
-Pois aqui é assim… e foi retirando o braço enlaçado na cintura da menina.

Adiante, saindo da cena, meio ofegante, falou o Pai da Mariazinha:
-A sem-vergonhice está por toda parte… Cabe a cada menina saber o que faz… Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come…
Ponderou certo, desta vez, o Pai da Mariazinha…

(Este é um conto ficcional; qualquer semelhança com fatos verídicos, presentes ou passados, em qualquer lugar, seria uma mera coincidência)