OS FRANCO – MAÇONS – PARTE II
Ir.’. Everaldo
Na nossa edição anterior, primeira parte deste estudo, falamos à respeito das bulas papais, emitidas pelos papas Clemente XII e Benedito XIV, respectivamente, que atingiram frontalmente a Maçonaria em vários países da Europa, embora, como concluímos, em alguns outros países tiveram pouca ou nenhuma influência.
ALÉM DA BULA
Um país onde as bulas papais tiveram pouca ou nenhuma influência sobre a Maçonaria foi a Suécia, que permanecera firmemente luterana desde a Reforma. Em 1753, o conde Carl Frederik Scheffer, que fora iniciado durante a sua estada em Paris, em 1737, foi eleito Grão Mestre da Loja de São João, que se considerava a Loja Mãe da Suécia e, portanto, com direito a emitir patentes para outras Lojas do país. Apesar de seu status de nobreza, Scheffer teve influência na introdução de homens de outras classes na Maçonaria.
Em 1756, Carl Frederik Scheffer e seus companheiros maçons formaram a Loja Escocesa L’Innocent, em Estocolmo, operando os chamados Graus Escoceses de Santo André. Três anos mais tarde, Scheffer estabeleceu um Grande Capítulo na capital. Em 1760, a Grande Loja da Suécia foi estabelecida e, dez anos mais tarde, foi reconhecida como Grande Loja Nacional pela Grande Loja da Inglaterra.
A monarquia sueca sempre teve ali um papel ativo na Maçonaria e, por mais de 200 anos, reis suecos sucessivos serviram como Grão – Mestres. De fato, foi um monarca sueco que introduziu Eduardo VII da Inglaterra na Maçonaria quando, como Príncipe de Gales, Eduardo encontrava-se em uma visita oficial a Estocolmo, em 1868.
Em 1780 e, novamente, em 1800, Carlos III da Suécia revisou os Rituais do Rito Sueco e estabeleceu um sistema maçônico com um número maior de Graus do que o modelo inglês de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom. Agora o mais alto Grau do Rito Sueco é Mui Iluminado Irmão, Cavaleiro-Comandante da Cruz Vermelha (o 11° Grau) do qual existe cerca de 60 integrantes.
Em 1811, Carlos III estabeleceu a Ordem Real do Rei Carlos III, uma ordem civil que, apesar de não ser um grau maçônico, possui apenas 33 membros, todos os quais deveriam ser maçons do 11° Grau.
O Rito Sueco é atualmente praticado em toda a Escandinávia, com a diferença de que, enquanto na maioria dos outros países os franco-maçons devem professar a crença em um Ser Supremo, quer seja o Deus cristão ou o Deus judeu ou um Deus do panteão de outras crenças e religiões, na Suécia, o Cristianismo é um pré-requisito para o candidato se tornar membro da Maçonaria..
UM NOTÁVEL INCIDENTE
Na Áustria, a primeira Loja Maçônica de Viena foi formada em 1742, mais tarde do que em outras partes do império Áustro-Húngaro. Um ano após o seu estabelecimento, a polícia foi avisada a respeito de uma sessão especial de Loja na qual “distintos Irmãos estrangeiros” deveriam comparecer. O chefe de polícia da cidade, que era católico, sabendo que a Maçonaria não somente era uma sociedade secreta, cujos membros simpatizavam com a Inglaterra protestante, mas também que fora condenada por Clemente XII, aconselhou a imperatriz, Maria Teresa, a autorizar que seus soldados invadissem o estabelecimento e prendessem os 20 homens que ali se reuniam. Entre eles, havia um príncipe alemão, um conde da Boêmia, um visconde inglês, um aristocrata francês, vários nobres austríacos e alguns membros da burguesia.
Os estrangeiros foram libertados imediatamente. Os austríacos da classe alta foram colocados em prisão domiciliar, mas seus compatriotas inferiores foram encarcerados na prisão da cidade, ali permanecendo por 12 dias até serem libertados por uma anistia autorizada por Maria Teresa na comemoração do dia do nome de seu filho. Seus membros ficaram tão aliviados ao serem libertados que concordaram até de não se reunirem e de dissolver a Loja.
Em breve retornaremos com a terceira parte do nosso estudo abordando a história da Maçonaria nos estados alemães.
JOSÉ EVERALDO ANDRADE SOUZA
MESTRE MAÇOM DA LOJA ELIAS OCKÉ – N° 1841
FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL – RITO BRASILEIRO
ORIENTE DE ILHÉUS – BAHIA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Johnstone, Michael
Os Franco-Maçons – trad. Fulvio Lubisco – São Paulo: Madras, 2010.
Título Original: The Freemasons.
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