Heckel Januário em: UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE (XX)
(NOTAS DE BELMONTE – ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
Prosseguindo com o enfoque das filarmônicas Lyra Popular e 15 de Setembro, incontestes patrimônios culturais, registre-se que ao disponibilizarem nas respectivas sedes, gratuitamente o ensino das partituras à comunidade de Bebel, exercem também importante papel social. Iniciativa que as fizeram produzir músicos da melhor qualidade e exporta-los mundo afora. Em tempos atrás o ingresso líquido e certo de jovens belmontenses nas Forças Armadas (especialmente Fuzileiros Navais e Exército) credenciados por essas escolas musicais –os condicionando acender na carreira– é um exemplo.
Variadas passagens as qualificam no rol das de excelência musical, como a da Lyra Popular ter em 1951 representado as filarmônicas baianas do interior em Salvador nos festejos comemorativos ao Centenário de Rui Barbosa. Na volta para casa a convite da Euterpe de Feira de Santana, se apresentara nesta cidade, em seguida em Ilhéus e Canavieiras, sempre muito aplaudida. Em 1960, convidada para a festa do Cinquentenário de Itabuna, inspiradíssima, encantara os itabunenses com um belíssimo show na praça Adami. O 1º lugar em 1961 no concurso “Salve a Retreta”, enfrentando finalistas gabaritadas como a Herato de Nazaré das Farinhas e Euterpe de Maragogipe, pode ser considerado um ponto referencial para a Lyra Popular. O status de campeã garantiu a ela realizar por mais de 20 dias –com despesas pagas– inúmeras exibições na capital baiana. A premiação espalhou-se rapidamente por toda a Bahia e norte de Minas Gerais, tendo como efeito uma avalanche de convites para apresentações.
Como não possuímos catalogados os feitos nesse sentido da 15 de Setembro, registramos um acontecimento a envolvendo noutra vertente. No ano de 1910 uma intensa epidemia de varíola assolou Bebel. Não havendo acomodação suficiente para os enfermos, esta agremiação num ato de filantropia, cedeu seu prédio às autoridades sanitaristas. Como, após sanado o quadro epidêmico, o local ficara por precaução, isolado por bom tempo, a intendência municipal resolveu como recompensa, isenta-la de quaisquer tipos de tributos – passados, presentes e futuros – através da Lei 92 de 18.12.1911. Tal propriedade-sede ficava situada ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade, na Praça da Matriz. (Trecho com base na página 170 do livro “Belmonte e a sua História” de Afonso Monteiro -1918). Em 1914 uma enchente do Jequitinhonha, de ‘arrombar’, a destruiu por completo. Como esta edificação –entre outras– ladeava, como dito, o templo da referida santa, e somente este ficou intacto, a comunidade belmontense achou haver se tratado de um milagre. A atual sede da 15 de Setembro localiza-se na Praça Manoel Veloso, mas é mais conhecida como Praça São João. Quanto ao estabelecido na citada norma é pouco provável atualmente, haja vista a incontrolável avidez dos poderes públicos por dim-dim!
Na Notas (XIX), inserimos –adendo por e-mail de Emilio Suzart, amigo da beira itapebiense do Jequitinhonha– um período de labor do poeta Sosígenes Costa em Itapebi, antes de vir para Ilhéus. Em nova mensagem de 18.07.2015, Suzart insere constar no Livro de Notas número 5 do Cartório de Itapebi (12/07/1920 a 19/07/1922) o chamegão de Sosígenes Costa no verso das fls. 100 como Escrivão Interino da Coletoria de Belmonte, reiterando a afirmação. Na p. 1 do ensaio “Sosígenes Costa: Centenário, Ilustre e Desconhecido” do poeta Heitor Brasileiro, data sua transferência de 1926; já o crítico literário José Paes credita o ano de 1920. (Obs. nessa época Itapebi pertencia a Belmonte). Além disso, fizemos referências aos Marimbondos e Morcegos, facções políticas de Bebel –eram seguidoras delas respectivamente a 15 de Setembro e Lyra Popular– que se revezavam no poder na base, como se diz, da porrada. E que Sosígenes era adepto da 15 de Setembro, consequentemente dos Marimbondos.
O ajuntamento de uma coisa com outra acima é porque lembramos que a Sociedade Filarmônica 15 de Setembro que dera tantas alegrias – e continua dando– ao povo de Bebel e por tabela ao da Bahia fará 120 anos de existência (fundada em 1895) quando, como o próprio nome induz, o setembro chegar. Sim, e que já teve como apoiante ilustre Sosígenes Costa “O Poeta Grego da Bahia”, como titulou um de seus livros a poetisa Gerana Damulakis.
Heckel Januário
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