Por José Everaldo Andrade Souza

Ir.’. Everaldo

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Conforme anunciado em nossa edição anterior estamos retornando com a quinta parte do nosso atual estudo, relativo aos RITOS MAÇÔNICOS.


RITO DE HEREDOM ou DE PERFEIÇÃO

                          Em 1758 um grupo de irmãos de altos graus inaugurou em Paris um Capítulo de Soberanos Príncipes Maçons, sob o título de Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém.  Seus membros ,intitulando-se “Poderosos Mestres do Grande Conselho das Lojas Regulares”, eram em sua maioria homens descendentes da nobreza, de alta cultura e conhecedores das várias tradições místicas e gnósticas oriundas do longinquo passado.

                         Este grupo de irmãos herdou não só os Ritos de Clermont e as correntes escocesas de Kilwinning e de Heredom, mas também as traições derivadas diretamente de fontes templárias e rosacrucianas, e os poderes do rito egípcio.  Apesar dos seus profundos conhecimentos, eram, no entanto, homens abastecidos de muito orgulho, como acontecia com tantos nobres do “antigo Regime”, e foram eles os criadores do Rito de Heredom ou de Perfeição, constituídos de 25 graus.

                         Em 1762, sob os auspícios do mesmo Conselho, foram publicados os “Regulamentos e Constituições da Maçonaria de Perfeição”, e em 25 de outubro desse mesmo ano foi a sua classificação de graus ratificada em Berlim.

                        Esses graus, cujos títulos não sofreram modificaçao desde 1762, foram depois adotados pelas grandes Constituições de 01-05-1786, que fixaram definitivamente as bases do Rito Escocês Antigo e Aceito de 33 graus, formalmente adotados pelo Supremo Conselho Mundial de Charleston, USA, em 31 de maio de 1801.

                        Muitos escritores maçônicos, apologistas da diminuição de graus ou da reforma simplificadora de 1717 de que resultou a expansão da Maçonaria especulativa, têm criticado veementemente as reformas inclusivistas de 1758 e 1786 pela multiplicidade de graus adotados. No entanto, deve-se ter em vista que grande número de Lojas maçônicas, dentro e fora da Inglaterra, nunca havia aceito a reforma de 1717, que, consequentemente, foi aumentando progressivamente seu número de graus, que de dois primeiros, só concedíveis pela Grande Loja, passaram para três em 1725, concedíveis “pelo Venerável de cada Loja, com a aprovação dos Vigilantes e da maioria dos irmãos Mestres”, e para quatro em 1813, com o acréscimo do grau Santo Real Arco aos três simbólicos, como consequência da união operada entre os maçons “antigos” de Iorque e os “modernos” de 1717, de que resultou a constituição da Grande Loja Unida da Inglaterra.

                        Além do mais, os reformadores de 1717 parecem ter tido um plano mais modesto, circunscrito às ilhas britânicas, ao passo que os de 1758 visaram nitidamente uma reestruturação maçônica em escala mundial.

                                     Eis o preâmbulo de seu plano de reforma:  “Com o decurso dos tempos, a Maçonaria e a unidade de seu regime primitivo sofreram grandes alterações, por efeito das catástrofes e das revoluções que as  subverteram, mudaram alternativamente a face do mundo e dispersaram os franco-maçons pelos diversos pontos do globo…  Essa dispersão operou as divisões que existem hoje sob o nome de Ritos e cujo conjunto compõe a Ordem.  Mas outras divisões saídas do seio dessas primeiras deram lugar a novas associações, das quais um grande número só tem de comum com a Maçonaria o nome e algumas formas conservadas por seus fundadores para encobrir secretos desígnios.  As perturbações que essas novas associações trouxeram e muitas vezes mantiveram na Ordem, são conhecidas e não fizeram mais do que expô-la a suspeitas, à desconfiança de quase todos os chefes de governo e mesmo às perseguições de alguns. Os esforços dos maçons virtuosos conseguiram acalmar tais perturbações, e todos os seus votos são por uma medida geral que previna a sua reprodução e que consolide a Ordem, restituindo-lhe a unidade de sua direção, da sua organização primitiva e de sua antiga disciplina. As novas e vivas representações que nos têm sido dirigidas de todas as partes, nos demonstram a urgência que há em opor um poderoso dique aos progressos do espírito de intolerância, de seita, de cismas e de anarquia, que inovadores recentes se esforçam por introduzir entre os irmãos, com intuitos mais ou menos restritos, irrefletidos ou censuráveis, e apresentados sob formas especiosas, capazes de desviar a verdadeira Maçonaria de seus objetivos, desnaturando-a.  Por conseguinte, adotando para base de nossa reforma conservadora o título do primeiro desses ritos (Heredom) e o número de graus hierárquicos do último (Perfeição), nós os declaramos todos unidos e aglomerados desde esta data, numa só Ordem que, professando o dgma e as doutrinas puras da Maçonaria primitiva, abrangerá todos os sistemas do Escocismo sob o título de  Rito Escocês Antigo e Aceito”.

Em breve retornaremos com a sexta parte deste estudo maçônico, quando então daremos enfoque aos seguintes ritos:

RITO DE KILWINNING e RITO DE MÊNFIS ou ORIENTAL.


JOSÉ EVERALDO ANDRADE SOUZA

MESTRE MAÇOM DA LOJA ELIAS OCKÉ  –  Nº 1841

FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL  –  RITO BRASILEIRO

ORIENTE DE ILHÉUS  –  BAHIA

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Joaquim Gervásio de Figueiredo Gr 33

MAÇONARIA

seus mistérios

seus ritos

sua filosofia

sua história

Editora Pensamento – São Paulo-SP

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