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CRIME AMBIENTAL NA PRAIA DA AVENIDA?

Alan Dick Megi

Há algumas semanas fomos instados a discutir ações da Prefeitura Municipal de Ilhéus que tinham por objetivo a limpeza de uma área acrescida de marinha ao longo da Avenida Soares Lopes, em Ilhéus. Há muito tempo que toda a população se ressentia da perda de um dos mais importantes patrimônios naturais da cidade, onde desde os primórdios da ocupação do sítio onde se localiza nossa urbe, foi intensamente utilizado como principal área de lazer da população. A famosa Praia da Avenida está na memória de todos nós como a melhor praia do município, onde todos nos encontrávamos nas nossas horas de lazer, para o banho de mar, para a prática de esportes, para a paquera e para tudo que era bom.

Quando o governo federal construiu o Porto do Malhado, na década de 70 do século passado, começou o assoreamento da área, concomitante à erosão na zona norte e ao desaparecimento da praia do Pontal. Nada que não estivesse previsto nos relatórios dos impactos feitos pela PORTOBRÁS. Tudo estava previsto e registrado, mas  nada foi feito para mitigar os impactos negativos que viriam. O prejuízo de Ilhéus foi gigantesco e nos obrigou a conviver com uma área degradada que reúne vegetação incompatível com uma área de praia e muito menos com área urbana, onde proliferam cobras, ratos, mosquitos, espinhos e tudo de ruim que se pode imaginar em uma área degradada. Inclusive os animais maiores, marginais humanos que aproveitam o esconderijo como ponto de ataque para assaltos e estupros.

Alguns chamam aquele passivo ambiental de “área de restinga”, por verem alguns pequenos pontos onde uma vegetação característica de restinga se instala, no meio de uma extensa área onde prolifera vegetação estranha ao local que outrora foi mar e estranha às áreas de restinga.

Quando finalmente começaram a limpar o lixo e o matagal, quando todos aplaudiam e se regozijavam com a possibilidade de voltar a usar a praia, de se livrarem dos animais e insetos vetores de doenças, e até mesmo dos marginais humanos, alguém resolve denunciar a ação ao Ministério Público, como se estivesse em curso um “crime ambiental”. Como se as supostas (e improváveis) consequências da limpeza pudessem ser mais prejudiciais à cidade do que o atual estado de degradação em que se encontra a área.

O Ministério Público, buscando cumprir seu papel, aciona a Prefeitura sugerindo a paralisação dos serviços. Aí eu pergunto: Não deveria ser acionada a União Federal pelo crime comprovado e documentado que ela cometeu ao criar essa situação? Não deveria o Governo Federal providenciar os recursos necessários para recuperar a área transformando-a em um parque urbano de esporte e lazer, onde toda a população pudesse voltar a usar a praia e toda a área como sua mais importante área de convivência?

O crime ambiental existiu sim, mas não é de agora. O crime foi perpetrado pelo Governo Federal, e é ele que deve ser chamado à responsabilidade. Pode até ser que a forma como está sendo feita a limpeza tenha algumas falhas que podem ser corrigidas, porém, no meu entendimento, de forma alguma essa limpeza pode ser considerada crime ambiental.

Portanto, enquanto isso, deixem que a prefeitura limpe a área como ação paliativa para promover a melhoria que é possível com os poucos recursos de que dispõe, para que não fiquemos indefinidamente esperando as soluções ideais, que não sabemos quando serão possíveis.

Alan Dick Megi – Arquiteto e Urbanista

8 respostas para “CRIME AMBIENTAL NA PRAIA DA AVENIDA?”

  • Sérgio Di Ramos says:

    O comentário do Dr. Alan procede em parte. O que o MP insiste em configurar, é que a APP não deixa de existir mesmo estando degradada. Ao pé da Lei, existe a possibilidade de intervenção de APP, que seja para solucionar questões que atendam a utilidade pública e sua função social… como é o caso em comenta. Estão fazendo um rio, com um copo d’água. Infelizmente, os Deputados que fizeram as Leis nesse momento se esquivam atrás de um monte de “verdinhas” ou extratos suiços.

  • J.Angelo says:

    Alan, a praia efetivamente ficou mais bonita.Mais vistosa também ficou a Avenida. O pior é o que vem a seguir e que já se pode observar. Antes com o “matagal”, ninguem, ou quase ninguém transitava para o mar. Agora, já se encontram barracas, instaladas, sem as mínimas CONDIÇÕES DE HIGIENE e nenhuma fiscalização. É isso que a população ilheense quer? Mais e mais barracas? Já não temos o exemplo da ocupação desproporcional e também anti higiênica da praia do Cristo? Então vamos estender essas barracas do Cristo até a praia da avenida?

    Boa foi a intenção em melhorar o aspecto, mas é necessário ações conjuntas, para que uma melhoria não traga a reboque a favelização da praia.

  • antonio amparo says:

    SEU TEXTO ACERTOU NA MOSCA EM TODOS OS PONTOS. ESTA MAIS DO QUE COMPROVADO QUE EM NOSSA CIDADE, QUANDO EXISTE A INTERVENÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL EM ÁREAS DE RESPONSABILIDADE DA UNIÃO EM SITUAÇÃO DE ABANDONO, OS RESULTADOS SÃO ALTAMENTE BENÉFICOS PARA POPULAÇÃO. O PRINCIPAL EXEMPLO É A ÁREA ONDE FUNCIONAVA A ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA.

  • Mestry Badahra says:

    Para quen conhece parcialmente este paraiso Tropical, fica analisando:
    EITA LUGARZINHO DE AZAR !
    Até em uma ação positiva de restituição ao Povo de sua Praia de chegada, é dado o BRAIK !
    Já na entrada da cidade de quem vem pela br101, ao chegar na Atura do Vilela, e ver aquela barracaida colorida e desigual, que invadio o MANGUE, com uma Rodoviaria Ultrapassada e sombria , e a paisagem até a entrada da Princesa Isabel etc Diz Motorista ISSO AQUI É ILHEUS ???????
    To Rebocado mano ! e ai começa a chorar de ter investido no Turismo as maravilhas do litoral Bahiano …
    Entra Prefeito, sai , depois VOLTA de NOVO , pois é Dificil arranjar Candidatos ao Cargo, e Nada Muda, só se encerram, projetos que inicaram e Parouuuu !
    Será que é por causda da Tradição dos CORONÉS ??? É ???
    Mestry Badahra

  • Luciano Sanjuan says:

    Então vamos todos parar de cometer crimes e elaborar um belo projeto de urbanização do aterro da Avenida- a prefeitura propõem, a sociedade enriquece, o ministério público intermedía e aplica-se, enquanto isso já tem tanta área aberta, tanto lixo ainda (apesar dos reconhecidos esforços para diminuí-los), o problema do esgoto em frente ao Obelisco do antigo “Velhos Marinheiros”, uma emergente ação na área mais perigosa atrás da concha acústica, sei que é muito mais vejo que a equipe da prefeitura esta mais equipada.
    Quanto ao Porto, acho que principalmente o pessoal do São Miguel e São Domingos foram os mais prejudicados, pois por conta da mudança das correntes marinhas do Pontal até o São Domingos, viram suas casas restaurantes e Bares, serem engolidas pelo mar, sabendo os mais estudiosos que o processo foi criado sim pela construção do porto, sim responsabilidade federal, como bem falava o Engenheiro construção do porto “Dr Gabi Simões”, o governo, devia antes de mais nada reconstruir os Bairros de São Miguel e São domingos, construir e doar casas aos prejudicados e ajudar a recuperar as praias do Pontal e da Avenida. “Isso é o que eu acho…” Parabéns Alan mais uma vez pela sua iniciativa.

  • Thiago Borges says:

    — Nós ilheenses (independente de bandeiras partidárias) somos a favor da LIMPEZA e revitalização da Praia da Avenida, iniciativa do “Programa Ilhéus Em Ação” que em poucos dias devolveu ao povo dessa cidade um Cartão Postal que a muitos anos havia sumido em meio a entulhos e restigas (criatorios de cobras e noieiros). Crime foi o ato cometido pelo Ministério Público em paralisar e impedir a Prefeitura sem ao menos consultar a população. Por conta de supostas “denúncias” de cunho “politiqueiro” da turma do Gueto do Atraso que quer ver Ilhéus estagna no tempo fazendo jus aos seus 481 anos! Assim foi com a ponte (quando disseram que havia um navio no local q abrigava varias espécies de peixe) , assim foi com o novo Porto (onde alegaram que haveria danos irreversíveis ao bioma) , assim foi com o Novo Aeroporto (que embargaram a obra por conta da desmatação que seria feita no local) , assim como foi com a ferrovia (onde paralisaram um trecho por conta de um sapo azul) … eles são aversos ao progresso. Ambientalistazinhos de MERDA!
    Matéria formidável e esclarecedora Dr Allan Dick !!!

  • Dirceu Góes says:

    Caro Rabat,

    Sempre que visito Ilhéus, sempre, eu FREQUENTO a praia da avenida Soares Lopes para uma caminhada revigorante, um banho de mar e para matar a saudade das ondas nas quais comecei a surfar em 1974.
    Eu não escondo de ninguém que nutro pela praia da avenida um misto de carinho, gratidão e prazer.
    Assim, considero que nos últimos tempos nada mais salutar, higiênico e urbano foi feito na área senão limpeza promovida pela prefeitura em parte da areia da praia.
    Portanto, lamento profundamente que o serviço tenha sido interrompido por força de denúncia de suspeita de crime ambiental, acatada pelo Ministério Público, sem que o resultado de pesquisa científica com credibilidade comprove danos ao que apenas se supõe como vegetação de restinga a cobrir o terreno entre o asfalto e a orla do mar.
    Atenciosamente,

    Dirceu Góes – Ilheense, jornalista e um dos pioneiros do surf na praia da Soares Lopes.

  • Cezar says:

    E vai tirar a vegetação sempre? A prefeitura vai estimar em quanto o gasto para sempre manter essa atividade? Porque tirou hoje a vegetação, amanhã em pouco tempo ela estará de volta, mais forte e vistosa… E em segundo lugar O arquiteto Alan Dick Megi é doutor em que??? Em ecologia? Geografia? Biologia? É importante salientar que os processos naturais não seguem nossas opiniões sobre a estética do que é belo e feio… E sim a natureza tende a buscar o equilíbrio no balanço energético da matéria, sempre…

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