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REESTRUTURAR, DESMONTAR OU MUTILAR A CEPLAC?

Luiz Ferreira da Silva

Pesquisador aposentado da CEPLAC, Escritor

luizferreira1937@gmail.com.

 

Luiz Ferreira

Publiquei este artigo, em dezembro de 1989, no JORNAL AGORA, de Itabuna, portanto há 26 anos atrás, quando só se falava em reduzir o quadro da CEPLAC, sem a preocupação de torná-la eficaz e atualizada para o momento requerido. A síndrome era que a Instituição tinha muita gente e o “mote” era demitir, por em disponibilidade e desestimular os mais velhos. Veja no que deu! Como agora, ano 2016, se fala numa outra CEPLAC, creio que o modesto documento possa ter alguma serventia para os formatadores de um novo modelo que se anuncia, apesar de tempos outros, advertindo-os que se trata de um Patrimônio Agrícola Institucional sem precedentes, cujo modelo sui generis foi reconhecido até internacionalmente (IICA-OEA).

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Quando se tenciona reestruturar uma organização, é fundamental que se defina qual será o papel. Isso porque a estrutura é conseqüência, vindo depois desta definição, já que uma simples mudança de “quadrinhos” não é panacéia. Por outro lado, há que se atentar para o estabelecimento de diretrizes, programas, metas e meios para se atingir os objetivos propostos, sem esquecer a decisão firme, o comprometimento e a obstinação do fazer.

No caso específico da CEPLAC, primeiramente tem que se saber qual será o seu “negócio”. O que a sociedade espera e quer do Órgão? Quais os anseios e as expectativas dos seus usuários? Que produtos ela pode fornecer?

A resposta a estas indagações é que vai possibilitar a necessidade de adaptar, modificar, mudar os rumos e inovar, identificando os instrumentos capazes de se atingir àquela doutrina preestabelecida

Daí, primordialmente, há que se discutir o papel da CEPLAC para os novos momentos: (a) Órgão voltado exclusivamente para o cultivo do cacau?; (b) Órgão também voltado para outros cultivos de interesse regional?; (c) Órgão de desenvolvimento rural integrado?; ou Órgão de desenvolvimento regional?

Este é o primeiro passo que vai exigir uma discussão ampla e aberta, procurando analisar o cacau no epicentro de uma região de alto potencial agrícola e posição geográfica invejável, porém com uma economia desarticulada.

É óbvio que o gol a se atingir é o desenvolvimento regional, independentemente da função que a CEPLAC venha a exercer. O que a sociedade almeja é a transformação e o crescimento simultâneo da agricultura em concomitância com a solução dos problemas econômicos, sociais, ambientais, políticos, culturais e institucionais, diferentemente da atual economia espasmódica, mercê dos altos e baixos da monocultura do cacau.

Em base a esses pressupostos, um caminho seria a CEPLAC atuar como partícipe do sistema de desenvolvimento regional, na condição de gestora das ações integrativas da produção, espécie de agente de desenvolvimento rural integrado. Isso não significaria e nem seria desejável que ela fizesse tudo, mas poderia indicar, orientar, aglutinar e coordenar ações governamentais. Tampouco, negligenciaria o seu forte – excelência no campo agrícola – mas cooptaria outros parceiros em a ações de mão dupla, possibilitando incrementos nas áreas de biotecnologia, agroindústria, engenharia da produção, estudos da conjuntura regional, “fábrica de projetos”, e captação de recursos.

Isso tudo converge a uma idéia existente de se criar um Conselho de Desenvolvimento Regional, como um fórum representativo, onde participantes de diversos órgãos públicos e entidades privadas estabelecem o consenso relativo a objetivos e estratégias para desenvolver a região. Neste contexto, a CEPLAC coordenaria as ações, concentrando esforços e captando recursos, direcionando-os àquelas atividades de maior retorno à comunidade cacaueira. Seria um conselho presidido pela Secretaria de Planejamento da Bahia, com uma secretaria exercida pela CEPLAC, comprometendo o Estado com a região, numa interdependência apoiada nas ações integrativas e interesses comuns.

Em quaisquer circunstâncias, é imprescindível que se tenha uma CEPLAC forte, moderna e atuante, envidando-se esforços para sua revitalização, ao invés de se perder tempo em atacá-la e até denegrir seu corpo funcional, como sói acontecer na atualidade. Da mesma maneira, que sejam fortalecidas as demais instituições regionais: Cooperativas, Universidade, CNPC, dentre outras.

Assim colocada a questão, qualquer outro caminho de reestruturação da CEPLAC, em que não se considerem os embasamentos doutrinários, as características “sui generis “da região e nem se facultem discussões profundas com os diversos segmentos da sociedade, não passa de um desmonte, com possíveis riscos de se depredar um patrimônio dessa magnitude, peça fundamental ao desenvolvimento do sudeste da Bahia.

Finalizando, é oportuno frisar que estas considerações, mesmo sem querer impô-las como verdade absoluta, podem pelo menos servir de alerta para muitas pessoas que, ao visualizarem um só ângulo do problema, não se apercebem da sua complexidade. Reestruturar não é simplesmente fundir unidades, remover pessoal, extinguir atividades e nem trocar “figurinhas”. É muito e muito mais; positivamente não é tarefa para poucas pessoas e, tampouco, para amadores (publicado em 10-12-1998).

3 respostas para “REESTRUTURAR, DESMONTAR OU MUTILAR A CEPLAC?”

  • Jose Alexandre de S.Menezes says:

    Luiz:
    Mais uma vez você é provocativo,outro lado da sua mesma face:criativa.
    Conceitualmente você coloca que a CEPLAC deve ser redesenhada a partir do problema do “CACAU”.A CEPLAC,ao ser redesenhada,deve ser organizada para o problema regional,em seu modelo organizacional,em arquitetura e engenharia.

    Vejo no passado,como discípulo do nosso Frederico Afonso,a sugestão do modelo do Mississípi Authority Valey .Vejo tambem,você Luiz,se me permite,santo no meu altar técnico, apregoando o que vimos na Malásia,o FELDA e o Tourinho defendendo o “Capitalismo no Campo”num artigo comigo.Sou ate´hoje obcecado com essas concepções.concepções. Tambem me lembro do nosso arquiteto maior Jorge Vieira,em sua rebeldia a uma CEPLAC interditada ao desenvolvimento regional.
    Em boa hora,nos convoca,provoca,assedia…
    Tou pronto a enfileirar sua liderança que você convoca.
    Pena que você,Tourinho,Fred,Jorge—Herdeiros legítimos da sucessão da governança da CEPLAC não tiveram chances legitimas,qualificadas porque políticos nonsense usurparam . Tambem,cabe culpa a região cacaueira,incompetente e especie de serial killer de outras instituições do cacau.´
    Um abraço

    • JASM says:

      A CEPLAC foi uma escola fantástica. É só levantar o profissionalismo desses citados e outros que a gente pode enumerar. Em outro país tal grupo seria informalizado num Conselho, ajuizando em todos os aspectos a Instituição. O Japão faz isso. O Brasil, não; e se dar o luxo de desprezar os “velhos”.

  • Hilmar I S Ferreira says:

    OK, pode-se discordara de poucas coisas.
    A permanência das posturas das almas é demonstrada pela atualidade de artigo de 26 anos.

    Que se pode fazer? Agir com sinceridade, amor, menos bílis mais massa cinzenta, fácil, facinho…..

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