Anísio Cruz – fev 2018

Conforme anunciei ontem, trago a vocês, fotos de alguns visitantes ilustres, que vieram de muito longe, a cerca de 8000Km ao sul, mais precisamente da Antártida, onde deitam e rolam sobre o gelo, acasalam-se e procriam. Vieram numa louca e exaustiva aventura, embarcados em alguma corrente marítima ascendente, ou seja, de Sul a Norte. Isso foi em 2008, e certamente não tinham nenhuma intenção de migrar para as praias do nosso litoral, e as águas que banham a nossa costa, muito diferentes do seu habitat natural. Puro acaso, portanto. Mas eles aqui chegaram exaustos e famintos, embora diversos deles tenham sucumbido, ainda no mar, sendo devorados por predadores, ou mesmo, pelo cansaço da luta incessante contra as ondas, durante a longa viagem. Não eram poucos, pois o Maurice, aquele amigo suíço, autor das fotos, relatou ter visto dezenas de restos mortais das aves aventureiras, ao longo da praia. Ainda bem que foi alertado numa das suas caminhadas, e dirigiu-se até o local aonde elas se encontravam, tendo feito o resgate. A piscina da sua casa e cuidados que incluíram a alimentação, basicamente composta por peixes e crustáceos, até que se sentissem fortes o suficiente para embarcarem numa corrente marítima descendente, que lhes permitisse voltar ao seu gelado habitat. Vejam as fotos:

1) Reunião de conselho

2)Plano de ação

3) Comida a vista

4) Peixinho delicioso

5) Obrigado, moço!

Como vemos, alguns seres que nos visitam, quando tem sorte de encontrarem pessoas bondosas, e dispostas a cuidarem deles, podem ter chance de sobrevivência. Nos casos relatados, tanto as tartarugas, quanto os pinguins, encontraram o Maurice, que dedicou-lhes cuidados e atenção especial, antes de devolvê-los à liberdade. Segundo ele, cada um deles comia cerca de 7 peixes por refeição. Bom seria que outras pessoas se mirassem nos exemplos relatados, para que, em situações semelhantes, dessem a necessária atenção aos animais, em lugar de molestá-los, estressando-os, como é muito comum.

Agradeço, mais uma vez, ao Maurice, que nos permitiu conhecer essas histórias de amor à vida, que o norteou nas suas ações. Bem sabemos que nem todos os pinguins chegaram a salvo ao seu destino. Também poucas são as tartaruguinhas que sobrevivem até a idade adulta, sua fase reprodutiva. Ainda assim, creio que valeu à pena o que foi feito para salvá-los a todos, como a ação dos briosos soldados da nossa Polícia Militar, que dedicaram horas à espera do nascimento dos animaizinhos, acontecido nas areias da nossa praia.