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UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXIX)

(NOTAS DE BELMONTE – ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)

A 28ª parte destas Notas, a passada, expôs a maneira, vamos dizer assim, intemperante do belmontense Zé Bermuda diante da instituição matrimônio, esta (a 29ª) –, continuando com a prodigalidade de Bebel em gestar figuras folclóricas e fatos inusitados–, expõe a maneira parcimoniosa como o artesão Temístocles de Almeida Barbosa, popularmente chamado de Zimbu, encarou a referida união.

Zimbu era –numa rápida olhada em sua origem familiar preambulando a cautelosa ocorrência nupcial– filho de José Pedro Barbosa, conhecido como Juca Chapadeiro, mineiro de Diamantina, cidade das bandas da nascente do Jequitinhonha e que, seguindo o curso, desceu o rio e veio parar no Salto da Divisa, lugar onde, ao fazer amizade com gente influente, em especial com os Cunha Peixoto, da casta de grandes pecuaristas, se estabeleceu economicamente. Não tardou a correnteza o conduzir à Bebel do território sul-baiano –e de sua foz– e aí, ao lado da esposa Gerosina de Almeida Barbosa tornar-se belmontense por adoção e gerar a prole de 9 filhos na construção de conceituada família. Dentre os manos: Zimbu, o ruim –sem eufemismo– pra cacete de matrimonio! Esticando um pouco mais, era uma época que, subindo e descendo nas caudalosas águas do rio, num vai e vem sem fim, se destacavam os singulares canoeiros e tropeiros a transportar o cacau brotado em abundância das férteis margens aluviônicas. Para se ter uma ideia as canoas giravam em torno de 22,00m x 1,60m largura por 0,80m de altura construídas do vinhático e de outras árvores do pedaço, e se diga, de um tronco só, e suportavam cerca de 6 toneladas do ouro vegetal.

Pois é, caro ledor, deixando de blábláblá, em Bebel de tempos idos alguns bichos homens tinham essa de ser ‘oito’, como o quase precipitado casamento do Zé Bermuda, ou de ser ‘oitenta’, como a de tirar de ‘gato mestre’ e querer enrolar uma moça por longo tempo. Citável, como lembra Rogério Gomes de Oliveira (Gaje para os amigos), é o caso de Rui Delvale (o Rui Faz Tudo como carinhosamente muitos o tratam em Bebel) que, entre namoro e noivado com a amada levara 25 anos, portanto, com direito adquirido à tradicional “Bodas de Prata”, não obstante –para não se cometer injustiça–, hoje estejam bem casados e com herdeiros. Mas esse ocorrido é –por passar ‘meio século’ a fazer juras de amor à sua Durvalina Figueiredo e, jamais ter raspado pela cabeça o enlace matrimonial– café pequeno para o do supramencionado Temístocles. Os que lhe eram mais chegados contam que Zimbu tinha duas paixões na vida: a confecção com maestria de tamancos na própria tamancaria, situada no prolongamento do casarão (rua D. Pedro II esquinada com a J. J. Seabra) dos seus progenitores e, a de cortejar a nubente –na casa dela– das 7 às 10 horas da noite. Com um detalhe: chegada e saída com pontualidade britânica. Tal rigor se prendia a duas questões: a primeira por nesse tempo a iluminação de Bebel ser gerada por energia termoelétrica e ficar os citadinos sujeitos a preestabelecidos horários de início e fim do seu funcionamento (das 17 às 24 horas; exceções em certas ocasiões como nos dias de festas, que ia até o amanhecer); a segunda e privada, por prevenir a dupla amorosa da indiscreta curiosidade da vizinhança. Se na residência da noiva, Zimbu, num lapso, ultrapassasse o limite –da volta e o das luzes acesas–, com certeza “inocentes” comentários iriam correr soltos pela cidade; valendo dizer que em

matéria de ‘tagarelar vida dos outros’, Bebel tirava dez com louvor em qualquer teste concorrencial. Por haver morado defronte à casa da noiva e de sua irmã Nininha na popular Rua do 7 (oficializada de Cel José Gomes de Oliveira), a belmontense Maria das Graças é uma prova viva e inconteste desses austeros ‘chega’ e ‘sai’ do comprometido.

– Sem bisbilhotar, sem bisbilhotar ninguém; eu era muito criança! Ressalta Graças com humor, moradora hoje de Salvador, num papo com este escrevinhador a respeito.

Para o sobrinho Corbiniano Lemos (ou simplesmente Cobi), residente atual de Lauro de Freitas na Bahia, a possibilidade de Zimbu fazer acontecer no ‘escurinho da noite’, seria uma expectativa errônea ou intrigante dos vizinhos espectadores porque seu tio, garante ele, embora heterossexual, macho como se dizia antigamente, não chegaria aos ‘finalmente’. – O relacionamento deles era casto, de ‘amor platônico’, jamais passando pelo par a intenção sexual além da relação afetuosa, completa. O curioso, e porreta é que havia uma Durvalina irmã do noivo, logo, xará da noiva Durvalina, advindo daí, possivelmente em razão do já respeitável longo tempo de noivado, a nubente ser tratada pelos familiares do noivo, com a deferência de Tia Dudu. À biológica tratavam-na de Tia Duva.

Finda aqui as “Bodas de Ouro” de noivado, exclusivamente; não entrando na conta os três anos de namoro do casal.

Heckel Januário

Em tempo: os irmãos Cobi e Maria Delvina, sobrinhos do aludido Zimbu, corroborando com a veracidade dos fatos, foram supimpas na elaboração deste escrevinhado. Aliás, Delvina foi criada pelos avós Juca Chapadeiro e Gerosina.

Em tempo2: Cobi na década de 90 gerenciou o Banco Econômico da Bahia aqui na Capitania dos Ilhéus e morou na Praça Mizael Tavares.

Em tempo3: Zimbu, Petrônio, Eustáquio, Natalia, Durvalina (a Tia Duva), Euzebia, Eunice (a única viva e com 100 anos de idade), Sussula e Hilda (mãe de Cobi, Delvina e outros filhos) são os descendentes diretos do citado Juca.

Em tempo4: dos personagens acenados este escrevinhador conheceu a maioria deles, incluindo o eterno noivo Zimbu.

2 respostas para “UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXIX)”

  • Antinio Nunes M Filho says:

    Meu caro Janu,

    Belissima sua narrativa, vc. consegue que o leitor visualize seus personagens(reais.)Vc. já é um escritor.Me lembrei da viadagem de Perrucho em relação a CANNES ,voce o imita com BEBEL, então deixando a Viadagem de lado, notas DEZ

  • Antonio Carlos Dantas says:

    Reminiscencia sempre é salutar.
    Eustáquio era casado com Orienta irmã da minha Vô e o casal eram meu padrinho de batismo.
    A historia de Zimbu é interessante o seu longo tempo de namoro sem conclusão final e pontualidade de ir ao encontro da noiva, todas as noites e a tiracolo levando seu guarda chuva.
    Grato

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