TEM QUE PRIVATIZAR TUDO MESMO?
“Tem que privatizar tudo”. Este é o coro puxado por Bolsonaro e Guedes, com apoio de boa parte da população.Mas… privatizar até a água? Sim, eles querem. Até outros setores estratégicos, como portos, aeroportos e energia? Sim, é o que eles querem.
O Brasil, atrasado no bonde da História, faz agora o que grandes nações fizeram no passado e hoje se arrependem. Alguns países estão até em busca da reestatização de empresas que foram privatizadas lá atrás. Se você não sabe, uma das empresas que compraram aeroportos do Brasil é uma estatal espanhola.
Antes que me taxem de “comunista”, nada contra privatizações, desde que bem elaboradas e estritamente necessárias.
Aos meus olhos, o processo de privatização no Brasil funciona assim:
PRIMEIRO PASSO:
Sucateia-se a empresa que se pretende privatizar. Bloqueia-se investimentos, planos de expansão, enxuga-se o quadro funcional através de aposentadoria e desligamento incentivado (PDV), sem reposição do quadro. A empresa, carente de mão de obra, começa a prestar um péssimo serviço, se torna ineficiente, deficitária e entra em colapso.
SEGUNDO PASSO:
O governo, junto com a mídia corporativa, planta o argumento de que a empresa é mau gerida, cabide de emprego de governos anteriores, elefante branco, prejudicial ao País. A população embarca na ideia, já que está sendo pessimamente atendida pela empresa.
TERCEIRO PASSO:
O governo anuncia que pretende privatizar a estatal e conta com grande apoio do povo. A estratégia deu certo.
QUARTO PASSO:
A estatal é vendida a preço de banana, em suaves e intermináveis parcelas, isso quando o comprador não dá calote. O povo, satisfeito, aplaude e comemora a privatização.
Foi assim recentemente com os aeroportos e assim será (ou já está sendo) com os Correios e a Caixa Econômica, por exemplo.
E isso está acontecendo também com o INSS. Se querem acabar com a Previdência, pra quê INSS?
O INSS já foi ruim, é verdade, só que nos últimos anos melhorou muito em relação ao que era, mas agora está sendo estrategicamente sucateado. Aposentou 6 mil funcionários em 2019, sem realização de concurso público para reposição das vagas. O enxugamento do quadro é parte fundamental no processo de sucateamento para que o serviço, se bom ou ruim, passe a ser péssimo e a população “odeie” a empresa que futuramente será privatizada ou o órgão que será extinto.
No caso do INSS, a desculpa é “problemas no sistema de processamento de dados, por conta da transição da Reforma da Previdência”. Não creio que seja isso, ou só isso. Está muito mais pra falta de pessoal do que qualquer outra coisa, tanto que o governo teve a “brilhante” ideia de convocar 7 mil militares reservistas pra tapar o buraco, a um custo alto, e ainda terão que ser submetidos a processo de treinamento. Fica uma pergunta no ar: por que não chamaram funcionários aposentados do próprio INSS? E vamos deixar clara uma coisa, não confunda Previdência com Bolsa Família. O benefício previdenciário do pobre coitado é dinheiro que ele recolheu a vida toda ao INSS, a contrapartida é obrigação constitucional e não está sendo cumprida. Isso já resultou numa ação judicial contra o INSS movida pelo Ministério Público Federal.
Pra completar, o Secretário da Previdência declarou, com a cara mais limpa, que a situação só se normalizará daqui a OITO MESES, em setembro. Até lá, sabe Deus o que acontecerá com os idosos e doentes pobres que dependem desse parco benefício para sobreviver.
Claro, ia esquecendo: eles não gostam de pobres.
Nilson Pessoa



























































