Traços de algumas cidades do litoral baiano.
Por Gustavo Cezar do Amaral Kruschewsky
Há muitos anos o povoado de Morro de São Paulo era similar a uma típica aldeia indígena, bastante primitiva, por isso mesmo aconchegante. Hoje, aquela pequena aglomeração urbana que cresceu continua a aconchegar, porém mescla com a vida social moderna. Morro de são Paulo é situado no arquipélago de Tinharé! Neste arquipélago estão compreendidas (além de várias outras Ilhas, até mesmo inabitadas) três ilhas principais, a Ilha de Tinharé (onde se situa Morro de São Paulo), Ilha de Cairú e a Ilha de Boipeba. Todas essas ilhas fazem parte politicamente do Município denominado CAIRÚ.
As belezas naturais das diversas praias de Morro de São Paulo, o clima gostoso, a alegre vegetação, a preocupação pública com a limpeza, o respeito, o prazer e a educação de se viver e conviver entre a população autóctone e os visitantes, o oferecimento de esportes de aventura, os passeios tradicionais e culinária diversificada dão um toque importante àquele abençoado território. É um lugar paradisíaco, ou seja: divino, que parece que se chegou ao paraíso. Lá não tem carros, motos (estas, pouquíssimas, apenas as da polícia), caminhões e ônibus transitando nas ruas e despejando combustíveis fósseis que fazem mal à saúde e prejudicam a mobilidade urbana.
As pessoas comuns dão alegria ao local, chegam ao povoado e saem através de embarcações comerciais hidroviárias e se movimentam sem problemas na comunidade. Na travessia de ida e vinda se sente o contato perfeito da junção do rio com o mar combinado com a felicidade estampada nos risos e rostos de cada pessoa. Hoje, o lugarejo é recheado de pousadas, hotéis e muitas casas residenciais, na sua maioria simples. O relevo tem o condão natural de promover saúde, pois a caminhada é obrigatória e as ruas (muitas delas hoje calçadas) têm subidas e descidas extraordinárias que proporcionam no dia a dia, longevidade para a população autóctone.
As ruas (de largura menor do que nas cidades que transitam veículos automotores) servem de exercício físico diário também para os turistas. Existem ainda escolas, posto médico, lojas, “cash” bancário, padarias, supermercado, lanchonetes, restaurantes, bares, shows musicais e outros serviços típicos de uma sociedade “modernizada”. Restando apenas à administração pública, à população e aos empresários do local aderirem a preços mais módicos. Não se concebe o “poder” privado, nesses casos, sobrepor-se ao “poder” público. Não por isso que não se deva parabenizar aos administradores do Morro de São Paulo com nota de aprovação.
Indo a Salvador, por Bom Despacho, na Ilha de Itaparica, principalmente no período de dezembro, janeiro e fevereiro, sente-se a diferença do clima, do meio ambiente e a presença sofrida de filas quilométricas de veículos para a travessia do ferry boat, via Baía de Todos os santos, com destino à capital do Estado. No interior do barco um verdadeiro alvoroço! Gente por todos os lados e muitas pessoas sem lugar para sentar e curtir as maravilhas do marzão muito abrilhantadas nas canções de Dorival Caymmi. Quem tem veículo estacionado dentro do
ferry, pode-se dar ao deleite de ligar o som e sintonizar uma melodia gostosa para driblar a zoada das turbinas da embarcação que cobra valor muito caro para a travessia dos veículos e passageiros. Quem não tem carro, despoja-se pelo chão aguardando o final da travessia que dura em média 40 minutos. A chegada na capital, outro sofrimento, um verdadeiro dilúvio de veículos automotores entravando o terrível trânsito de Salvador. Os preços, oferecidos pelos serviços na capital do Estado, precisam também ser revistos pela administração pública.
A sofrida mobilidade urbana é um de alguns problemas que vem amargando o Soteropolitano. E na Costa do cacau, uma visitinha a Itacaré seria uma boa pedida para o turista? Itacaré, uma cidade que nasceu de uma Aldeia Indígena! Já há muito, bastante visitada pelos seus belos recantos praianos e que já tem Resort estabelecido que hospeda muitas figuras conhecidas do meio artístico e “político” do Brasil e outras plagas. Não escapa também de deparar-se com um traço que já é normal em quase todas as cidades baianas, ou seja, alguns descasos da administração PÚBLICA. Mas, vale dizer-se que o acesso para as praias próximas ao centro da cidade já não é mais precário como antes.Com muita luta surgiu o calçamento em direção às pousadas e praias da Concha e praias da Ribeira, uns dos “cartões postais da cidade”.
E Ilhéus hem? Que venha logo a segunda PONTE Ilhéus/zona sul e outros serviços de mobilidade urbana para que tenhamos – nós, comunidade autóctone e turistas – uma vida no trânsito bem mais sossegada.
Vale citar o ART: 2.º da Lei Orgânica do Município de Ilhéus: “São objetivos fundamentais dos cidadãos deste município e de seus REPRESENTANTES: Inciso I – Assegurar a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; Inciso II – garantir o desenvolvimento local e regional; Inciso III – contribuir para o desenvolvimento estadual e nacional; Inciso IV – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais na área urbana e na área rural, Inciso V – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Assim sendo, teremos uma Ilhéus na frente de muitas outras cidades, porque como dissera ROBESPIERRE: “O HOMEM NASCEU PARA A FELICIDADE E PARA A LIBERDADE”. Portanto, para nós Ilheenses, a escravidão e a infelicidade são sintomas pretéritos.


























































