A AGRICULTURA É A ARTE DE COLHER O SOL, MAS SEM ESQUECER DO “PROTETOR”.
A agricultura é uma destruidora ambiental, inimiga da Natureza, carecendo de técnicas e cuidados para minimizar os danos. Nesse mister, é comum surgirem imediatistas de cifrões nos olhos.
Infelizmente, os pesquisadores têm somente uma visão produtivista, com seus cultivares cada vez mais exigentes em insumos fósseis e alterações edáficas.
Estamos, pois, na era economicista sem quaisquer preocupações com a vida do solo e da água, quando se esquece do legado a deixar para as gerações subsequentes.
O que importa é a obtenção de variedades que enchem os porões dos navios em busca de dólares. Usar sem depredar passa longe das plantations. É a reverenciada agricultura de precisão cujos empreendedores rurais, como são alcunhados, não tem nenhuma identidade socioafetiva com a terra.
Com exceções, é claro, vestem -se uma grife cowboy, montam num cavalo baio e se fotografam numa plantação de soja. Ademais, o que vale é o preço internacional, trocando de cultivo sem pestanejar. Não tem amor à terra cultivada.
Nada a ver com o pequeno produtor do nordeste, que sobrevive da terra, amando o seu duro chão. Não sabe o que é comodities , mas o caminho das feiras, abastecendo a população menos abastadas, que adquire os produtos nas cuias e balanças improvisadas, sem códigos de barras.
Essa tem menos valor para o país estipendiário, mas magnânima ao combate da fome, com o Homem e não o dólar no seu epicentro.
Enquanto as máquinas pesadas adensam o solo, a irrigação desperdiça as fontes hídricas e os venenos formam poeiras nos céus dos drones, matando os insetos uteis ao sistema ambiental, a humilde agricultura tradicional tem uma visão de continuidade familiar, evitando uma herança imprestável.
Por outro lado, a floresta nos mostra ser pujante em solos pobres, num sistema associativo de espécies com funções definidas. Cada qual contribui com o sistema, ajudando-se, mantendo o solo cada vez mais abastecido, alimentando sua “micro fábrica” em conluio benéfico com as raízes alimentícias.
Até hoje o Homem não conseguiu um sistema que produza em solos pobres. Sabe derrubar tudo, tocar fogo e nivelar com caterpiller.
Os trópicos úmidos tropicais, a exemplo da Amazônia, tem que ser repensados, por sua ecologia diferencial, num equilíbrio fauna-flora, mantendo um sistema de reciclagem vital.
Essa floresta nos indica sua vocação para cultivos perenes que podem se associar ao sistema sem intrusão maléfica.
O cacau é um bom exemplo, carecendo de alguns ajustamentos para aumentar a sua produtividade.
Por ser uma planta com características ecológicas de melhorias do solo, deveria ser preservada essa dádiva da natureza, diferentemente da cacauicultura a pleno sol, visando alta produtividade para aproveitar o preço internacional. Se este baixar, mete-se a moto serra e se elege outro cultivo que seja mais lucrativo. É a agricultura dos arrependidos.
Neste mister, é preciso que os pesquisadores se assuntem e busquem no genoma do cacau características de aumentar a sua capacidade fotossintética.
Em outras palavras, produzir com eficácia em ambientes deficientes da luz solar. Assim, a cabruca vai bombar. Uma nova agricultura, a que chamamos (Eu e Tourinho) de OMBRÓFILA.
E até poderíamos pensar em plantar cultivos anuais, incluindo a soja, sob trilhas na mata, com variedades capazes de vicejarem nesse ambiente de pouca luz, que os cientistas nunca pensaram ou consideram bobagens, sobretudo se souberem da minha idade (quase 89).
O estágio herbáceo da própria floresta se beneficia com espécies sob sombra. Não esquecer a puerária (cudzu) sob o dendezal, cobrindo o solo e suprindo-o de nitrogênio.
Como complementação, é preciso entender os trópicos úmidos tropicais comparando com as regiões temperadas, pois muitos se equivocam e até emitem impropriedades. São pessoas que adoram uma sopa de mussuã, mas nunca foram picadas por um carapanã.
Nas pujantes florestas, as chuvas constantes sob temperaturas elevadas, criam um ambiente de alta produtividade biológica, mas também um meio de cultura natural para os insetos e microrganismos que se reproduzem continuamente.
Em contraposição, no clima temperado, o sistema ecológico diverge a favor da agricultura, mesmo que os cultivos não disponham de várias safras.
As estações são bem definidas, facilitando a data de se plantar em boas condições de êxitos, diferentemente dos trópicos, cujo clima varia e, de repente, cai um pé d’agua destruindo tudo e os inimigos naturais se fortalecem.
Então, após a colheita, naquele ambiente sem turbulência climática, vem uma estação gelada que hiberna as pragas e doenças do solo, descontinuando a sua multiplicação. Todas quietinhas.
Em seguida, num outro momento vem a estação primaveril, derretendo o gelo, irrigando o solo, preparando-o para o próximo plantio em condições de baixo inóculo dos predadores e outros inimigos naturais. O solo é conservado por si mesmo.
Em síntese, não há excludência nas diversas formas de agricultura, mas é preciso saber usar sem depredar; adequá-las às condições diferenciais dos biomas, colocar o sistema a favor do Homem e minimizar a exploração puramente estipendiária com as perdas futuras, haja vista a deterioração do solo e da água, principalmente.
Neste contexto, a ciência agropecuária tem que rever os seus enfoques, com base no duo – uso versus conservação. E a Amazônia é um grande laboratório que a Natureza lhe dispõe.




























































