:: abr/2026
Espetáculo “Koanza: do Senegal ao Curuzu” emociona público em retorno de sucesso aos palcos de Salvador
Salvador viveu duas noites marcantes de arte, reflexão e celebração nos dias 27 e 28 de março, com a nova montagem do espetáculo “Koanza: do Senegal ao Curuzu”, no Teatro Sesc Casa do Comércio. O retorno da obra aos palcos, em sua versão atualizada para 2026, foi um verdadeiro sucesso de público e crítica, reafirmando a força e a atualidade da narrativa.
Misturando humor, crítica social e ancestralidade, o espetáculo levou o público a uma reflexão potente sobre raça, religiosidade, política e identidade no Brasil contemporâneo. Em cena, Koanza retorna à Bahia após um período vivendo na África com a missão de enfrentar o avanço de discursos religiosos que atacam os cultos de matriz afro-brasileira.
Ao longo da apresentação, o público acompanhou uma trama envolvente, ambientada em um país marcado por transformações sociais e culturais,, onde a personagem enfrenta desafios intensificados diante de um cenário de opressão religiosa e política que ameaça o Curuzu — território simbólico da resistência negra em Salvador. O resultado foi um espetáculo cômico, provocador e profundamente engajado, que arrancou risos e, ao mesmo tempo, promoveu importantes reflexões.
Criado e interpretado por Sulivã (ator, comunicador, educador e humorista), o monólogo se destacou pela forma sensível e corajosa de abordar temas complexos por meio do humor e da ironia. Em clima de celebração após as apresentações, o artista destacou a recepção calorosa do público:
“Voltar com Koanza aos palcos de Salvador e encontrar o teatro cheio, com o público rindo, se emocionando e refletindo junto, foi algo muito especial. Esse espetáculo é sobre resistência, mas também sobre encontro, e ver essa troca acontecer de forma tão potente só reforça que estamos no caminho certo. Foi um sucesso que emocionou e fortaleceu ainda mais o propósito dessa obra. E ter apresentado o espetáculo justamente na sexta-feira, 27 de março, Dia do Teatro, tornou tudo ainda mais simbólico e emocionante”, destaca Sulivã.
As histórias e andanças de Koanza foram apresentadas de forma radicalmente engajada e incrivelmente envolvente, garantindo ao público uma experiência que transitou entre o riso, a emoção e a consciência crítica.
Cada sessão se transformou em uma experiência sensorial e simbólica, em que o canto surgiu como instrumento de memória, afirmação identitária e continuidade cultural. A temporada reafirmou o protagonismo das mulheres negras na construção da música e da cultura brasileira, reconhecendo essas artistas como verdadeiras “deusas do ébano” — guardiãs de saberes ancestrais, da tradição oral e da potência estética que sustenta e reinventa o presente. :: LEIA MAIS »
Estudo descreve espécie de aranha antes desconhecida da ciência
Estudo descreve espécie de aranha antes desconhecida da ciência
Uma aranha encontrada dentro de uma sala. Fato comum, ainda mais em uma universidade próxima da Mata Atlântica, como é o caso da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Mas, no caso em questão, esse achado rendeu uma descrição de espécie antes desconhecida: a Trechona garimpeira. A novidade consta do artigo A new species of Trechona C. L. Koch 1850 from Northeast Brazil (Araneae: Mygalomorphae: Dipluridae) [Uma nova espécie de Trechona C. L. Koch 1850 do Nordeste do Brasil (Araneae: Mygalomorphae: Dipluridae)]. O estudo é assinado por Gabriel Wermelinger-Moreira e Renner Luiz Cerqueira Baptista, do Laboratório de Diversidade de Aracnídeos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Beatriz Vitória Siqueira Lemos e Felipe Micali Nuvoloni, do Laboratório de Ecologia Animal e Genômica Ambiental da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). O artigo foi publicado no periódico Acta Arachnologica, volume 74, número 2, em dezembro de 2025.
A descrição da espécie é o primeiro registro do gênero Trechona no Nordeste do Brasil. Espécies desse até então eram tidas como existentes no Sudeste, com registros pontuais no Sul e no Norte do país. Também se trata do primeiro registro do gênero na Floresta de Tabuleiro. Esse ecossistema costeiro da Mata Atlântica ainda é pouco explorado em estudos sobre aranhas. Trata-se de floresta tropical úmida de planície, próxima ao litoral, com fauna e flora rica e complexa, distribuída pelo sudeste da Bahia e nordeste do Espírito Santo.
Esses indícios ampliam o entendimento sobre a presença de aranhas do gênero Trechona no Brasil. A espécie descrita mostra que o gênero pode existir em ambientes diferentes dentro e nas bordas da Mata Atlântica. Isso inclui zonas de transição com Cerrado e Caatinga, sugerindo mais estudos sobre a evolução e dispersão do grupo. Trechona garimpeira n. sp. pode ser encontrada da Bahia central e sul até o centro de Minas Gerais.






















































