Obras até 50% mais rápidas e 36,5% menos resíduos: construção off-site será destaque no 17º Fórum de Sustentabilidade da ADEMI-BA
Evento acontece em 12 de novembro, em Salvador, e reúne especialistas da indústria, do mercado imobiliário e do poder público para discutir como a industrialização pode transformar a construção civil.
Imagine um edifício cujas paredes, fachadas ou até ambientes inteiros sejam produzidos em uma fábrica e transportados para montagem no terreno. Essa lógica, que transfere parte das atividades tradicionalmente realizadas nos canteiros para ambientes industriais, vem ganhando espaço na construção civil e promete transformar a maneira como os imóveis são produzidos. Estudos internacionais apontam que a construção modular pode reduzir em até 50% o tempo de execução dos projetos, enquanto pesquisas sobre construção industrializada identificam redução mediana de 36,5% na geração de resíduos.
A tecnologia, conhecida como construção off-site, estará no centro dos debates do 17º Fórum de Sustentabilidade da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA), que acontece no dia 12 de novembro, no Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador. Com o tema “Industrialização e Construção Off-Site sob a Ótica da Sustentabilidade”, o evento reunirá especialistas, empresários e representantes do poder público para discutir as oportunidades e os desafios de uma transformação que envolve produtividade, inovação, meio ambiente e competitividade.
Os ganhos potenciais ajudam a explicar o interesse crescente pelo modelo. Análises da consultoria McKinsey apontam que a construção modular pode reduzir os cronogramas dos projetos entre 20% e 50%, dependendo das características e condições de implantação. Já uma pesquisa publicada em 2025 na revista científica Energy and Buildings, a partir da análise de 62 casos de construção industrializada, identificou redução mediana de 36,5% na geração de resíduos.
Além de acelerar etapas, a produção em ambiente industrial permite maior precisão no uso de materiais, padronização de processos e melhor aproveitamento de insumos. A diminuição do tempo de execução no canteiro também pode contribuir para reduzir ruídos, poeira, movimentação de materiais e outros impactos sobre o entorno das obras.
Para Cláudio Cunha, presidente da ADEMI-BA, a discussão é especialmente relevante em um momento em que o setor precisa conciliar eficiência econômica, responsabilidade ambiental e novas demandas do mercado.
“A construção civil vive um momento em que precisamos repensar não apenas o que construímos, mas principalmente como construímos. O setor enfrenta desafios importantes de produtividade, custos e disponibilidade de mão de obra, ao mesmo tempo em que precisa avançar na redução dos impactos ambientais. A industrialização representa uma oportunidade de enfrentar essas questões de forma integrada, com mais eficiência, previsibilidade e qualidade”.
Industrialização avança no Brasil
Embora a construção civil brasileira ainda seja marcada pela execução de grande parte das atividades nos canteiros, a utilização de sistemas industrializados vem crescendo. Segundo dados da FGV IBRE, aproximadamente 15,7% das obras brasileiras utilizaram algum sistema construtivo industrializado em 2026, ante 14,8% em 2025.
O avanço também pode ser observado na diversificação das tecnologias empregadas. Entre as empresas de edificações pesquisadas que utilizam sistemas industrializados, a adoção de steel frame passou de 15,6% para 32% entre 2025 e 2026. No mesmo período, o uso de painéis cimentícios avançou de 18,1% para 34,3%, enquanto as fachadas pré-fabricadas passaram de 12,9% para 28%.
Apesar desse movimento, a expansão da construção industrializada ainda enfrenta desafios relacionados à escala de produção, logística, financiamento, qualificação profissional, tributação e adaptação de processos.























































