Distúrbios da tireóide
Mulheres com mais de 50 anos são as que mais sofrem com os distúrbios dessa glândula
Por Maria Fernanda Schardong
O número de pessoas que sofrem com distúrbios da tireóide já ultrapassou a barreira dos milhões. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), 300 milhões de pessoas sofrem de disfunções da tireóide em todo o mundo, sendo que mais da metade nem imagina que tenha essa disfunção. Para quem já passou dos 50 anos, os sintomas podem ser confundidos com o próprio envelhecimento. Assim, a avaliação dos níveis de produção dos hormônios produzidos pela tireóide deve ser feita regularmente, alertam os médicos.
A tireóide é uma glândula localizada no terço inferior da região anterior do pescoço. Essa glândula é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4. Estes hormônios regulam a energia de todo o organismo. De acordo com a endocrinologista e presidente do Departamento de Tireóide da SBEM, Laura Ward, o hormônio tireoidiano é fundamental para o correto funcionamento de todo organismo desde a infância até a vida adulta.
“Sua falta (hipotireoidismo) leva à lentidão de pensamentos e de movimentos, lentidão nos batimentos cardíacos e no funcionamento do intestino, muito sono, pele seca, unhas quebradiças e queda de cabelo, muita adinamia (falta de vontade) e menor capacidade no exercício e no trabalho. Seu excesso produz os efeitos opostos: o indivíduo com hipertireoidismo fica acelerado em suas funções mentais, nos batimentos cardíacos, no intestino. Também tem pele úmida, emagrece muito porque o hormônio tireoidiano consome músculo, a perda é principalmente do tecido magro”, alerta ela.
O distúrbio da tireóide atinge tanto os homens quanto as mulheres, entretanto, o sexo feminino ainda é o mais prejudicado pela doença. Principalmente após os 50 anos. “ Acima dessa idade os efeitos tanto do hipo como do hipertireoidismo sobre o coração são mais importantes. No primeiro, pode haver arritmias e até morte. Já no hipotireoidismo existe acúmulo de lípides que podem levar à coronariopatia e infarto do miocárdio. Após os 50, o efeito desse hormônio em excesso é maior sobre o osso, principalmente na mulheres que, por entrarem na menopausa nesta mesma faixa de idade (em que também é maior a incidência de hipotireoidismo), tendem a perder mais massa óssea.” explica a endocrinologista.
Na idade adulta, ainda segundo Laura, a principal causa de doenças da tireóide é a autoimunidade. E as mulheres também são as principais vítimas, pois a doença autoimune da tireóide acomete de três a cinco vezes mais o sexo feminino. “Isto é, o organismo ataca suas próprias células, estimulando-as, no caso da doença de Graves que produz hipertireoidismo, ou destruindo-as, no caso da tireoidite de Hashimoto, principal causa de hipotireoidismo. Não há, no momento, maneira de prevenir tais doenças autoimunes. Mas sabemos alguns dos fatores que as causam e que podem ser evitados, como o consumo excessivo de iodo (sal em excesso) e o fumo.”
Ainda não há cura para a doença, mas o tratamento é simples e fácil. “O tratamento do hipertireoidismo pode ser feito com drogas antitireoidianas, como iodo radioativo e com cirurgia (muito raramente). No hipotireoidismo, usa-se o hormônio da tireóide exógeno, produzido em laboratório, mas que é igualzinho ao hormônio da glândula tireóide. Por isso, mesmo não se podendo dizer que haja cura, existe controle total pela reposição hormonal. A pessoa com hipotireoidismo fica igualzinha ao que era antes de ter a doença com a simples tomada de um comprimidinho diário”, finaliza Ward.
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No Mais de 50




















































