1888, uma data para se refletir. Para uma parte significativa de brasileiros o dia 13 de maio representa a oportunidade de mais uma vez se render homenagem à princesa Isabel, que segundo a historia oficial teria libertado os escravos da crueldade a que eram submetidos no Brasil Colonial e Imperial. É comum professores e professoras, sobretudo dos níveis fudamental I e II realizarem em seus colégios atividades alusivas ao dia em que “a redentora”, usando de uma caneta de ouro, assinou a famigerada Lei Áurea.
Lamentavelmente, é que ainda nos nossos dias, como um acinte, setores da grande mídia ao lado desses professores, continuem reproduzindo estas ideias de redenção de escravos, como se as elites políticas da época, tivessem dadas as devidas condições para se desenvolver. Sabe-se, porém, que o governo inglês àquela época exerceu forte pressão para que a Coroa portuguesa acabasse com o escravismo que se praticava no Brasil. E que o reinado não se preocupou com o futuro dos negros e das negras e com suas crianças fora das senzalas, então os abandonou. O fim da escravidão deve ser atribuído aos escravizados, os mesmos negavam tal processo desde o navio negreiro, passando por revoltas, insubordinações, infanticídios, insurreições e principalmente participando ativamente do processo abolicionista, a exemplo do Luis Gama, um ex-escravo que se tornou jornalista, poeta e advogado. O projeto abolicionista dos negros e negras visava à integração, um ingresso no mundo do trabalho livre como cidadãos plenos.
O povo negro luta por um tratamento igualitário no nosso país, pois a farsa da Abolição não promoveu oportunidades e nem perspectivas, criando um abismo de desigualdades sociais entre os negros e os brancos.

Edson Vieira
Coordenador do MNU – Movimento Negro Unificado – Ilhéus